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AVIÕES DO FORRÓ - ARACATI -CE

BANDA : AVIÕES DO FORRÓ

LOCAL : ARACATI - CE

DATA : 07-11-2009

FAIXAS : 22

TAMANHO : 62,31MB

SERVIDOR : 4SHARED

CRÉDITOS : ACEROMUSIC

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ALCYMAR MONTEIRO - PEDRAS DE FOGO


BANDA : ALCYMAR MONTEIRO

LOCAL/ALBÚM : PEDRAS DE FOGO

DATA : 07- 11-2009

TAMANHO : 153,30 MB

SERVIDOR : 4 SHARED

CREDITOS : TATÁ GRAVAÇÕES

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FORRÓ DO MUIDO - CARUARU - PE

BANDA : FORRÓ DO MUIDO

LOCAL/ ALBÚM : CARUARU - PE

DATA : 08-11-2009

FAIXAS : 53,73 MB

SERVIDOR : TUTU CD´S

SOLTEIRÕES DO FORRÓ - FORTAZELA - CE

BANDA : SOLTEIRÕES DO FORRÓ

LOCAL/ALBUM : FORTALEZA-CE

DATA : 08-11-2009

FAIXA : 41

TAMANHO : 101,67 MB

SERVIDOR : 4SHARED

CREDITOS : JUNIOR DE MÍDIA

DR. AVELINO ELIAS DE QUEIROGA

O renomado e competente médico Dr. Avelino Elias de Queiroga, ex-prefeito de Pombal e ex-deputado estadual – O Bolinha, dedicou a sua profissão e os seus conhecimentos ao povo carente de Pombal. Era amado pelas famílias mais pobres, devido a nada cobrar pelos seus serviços médicos, fazendo questão de fazer atendimento em domicilio nas mais longínquas localidades. Consultava e aviava receitas fosse onde fosse abordado pelos seus pacientes. Era comum, em plena feira livre de Pombal, ser procurado por senhoras que se queixavam das suas enfermidades e ali mesmo eram examinadas e diagnosticadas. Se fosse o caso de outros procedimentos, marcava o dia e a hora no Hospital Sinhá Carneiro. Era o médico das famílias pobres de Pombal.
Na época das cheias do Rio Piancó, de calças arregaçadas ao meio da canela, saia de casa em casa consultando e medicando os menos afortunados, dando-lhes a esperanças de melhores dias. O seu fiel ajudante era o José Cândido, mais conhecido como “Zé Enfermeiro”, competente enfermeiro da cidade, que nos anos 60 e 70, gozava de tamanha confiança da população, que chegava confundi-lo com um médico.
Era comum Dr. Avelino ser convidado por seus pacientes e correligionários para apadrinhar crianças, o que nunca dizia não. Nos grandes comícios das ruas de Pombal ele era aclamado pelo o povo, sempre os mais humildes, que eram apelidados de "Ala das Frasqueiras". ( Os correligionários da Família Carneiro eram chamados pelas “ Fraqueiras” de “Ala das Garças” por ser formada por pessoas de peles brancas enquanto que “As Frasqueiras” eram negras, senão na cor da pele, muito mais pelo poder aquisitivo e posição social).
Eram nessas campanhas que cantavam-se pelas ruas machinhas provocativas do tipo:


“Acorda Dr. Azuil,
Levanta chama Hildo Arnaud
Chama também Dr. Raphael
E se possível Dr. Chatô


A Ala Garça já está chorando
Cheia de mágoa e de dor
Com raiva de Avelino
Que tem voto e tem valor.


Tanto retrato, porém sem valor
Tanto dinheiro, mas não ganhou
Dr. Avelino, tão pobrezinho
E sem trair foi o vencedor.”


Nos carnavais, era com esse povo pobre que ele se juntava nas brincadeiras de rua, como se fora um deles.
Dr. Avelino foi professor na antiga Escola Normal Arruda Câmara, Ginásio e Colégio Diocesano de Pombal
A boa reputação e o exemplo humanitário de Dr. Avelino ainda hoje habitam o imaginário do nosso povo, que já o homenageou das mais diversas formas, dando seu nome a ruas, Escola Municipal, Ginásios Esportivos, institutos (IAEG) e equipes de Saúde da Família. Na cidade de Cabedelo, um condomínio residencial adotou também o seu nome.
De tradicional família sertaneja, proprietária de grandes extensões de terras no interior paraibano, entre Sousa e Pombal. Era filho de Ana Maria Queiroga e de André Avelino de Queiroga, bisneto do Dr. Benedito Marques da Silva Acauã, Presidente da Câmara em 1870. Foi casado com Maria Adeildes Cavalcanti de Queiroga e são seus filhos: Maria Auxiliadora, Avelino Elias de Queiroga Filho (Avelinho, ex-vereador em Pombal) e Fátima Cavalcanti
Viveu sua infância na Fazenda Nova Acauã, arredores da hoje cidade de São Domingos de Pombal, em uma “Casa Grande” construção do inicio do século 19, com suas 21 janelas na fazenda do seu bisavô, o Dr. Benedito Marques da Silva Acauã. Dr. Avelino era irmão do Desembargador Dr. Antônio Elias de Queiroga.
Foi eleito Deputado Estadual em 1962 pelo PSD concorrendo com o N° 92004 obteve 3.608 votos, ficando na suplência o Dr Atêncio Bezerra Wanderley. Concorreu a prefeitura de Pombal nas eleições de 11 de agosto de 1963 foi eleito pelo PSD 1, para o período de 1964 a 1968.
Em sua administração foi construída a Praça dos Pereiros, (a primeira até hoje única praça construída em um bairro pobre da cidade), fez o calçamento de várias ruas, e a primeira restauração no Açougue Público da cidade, que se encontrava em ruínas, mantendo suas linhas arquitetônicas originais.
Dr. Avelino concorreu mais uma vez a Prefeitura de Pombal nas eleições de 1973, pelo MDB 1, sendo eleito naquele pleito o então deputado estadual Francisco Pereira Vieira e o Hildo de Assis Arnaud que assumiu três meses depois com a renuncia do titular.
Sentindo-se traído pelas lideranças política da cidade, Dr. Avelino escrevia ali o ultimo capitulo da sua história nas ruas de Pombal , morrendo em 1975, no estado do Paraná, vitima de um infarto fulminante.
A noticia da sua morte enlutou a cidade de Pombal.
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Jerdivan Nobrega de Araújo

Cuidado com vírus nos recados deixados nas fotos do Orkut.

Galera, cuidado com umas mensagens que estão sendo deixadas nas fotos nos álbuns do Orkut. São mensagens que pedem pra você copiar, colar ou acessar um link para obter o novo Orkut. Cuidado! Não abram que pode conter vírus. Delete-as! O Google não está procedendo desta forma para os usuários adquirirem o novo Orkut. Infelizmente estão utilizando perfis de pessoas sérias que não têm nada a ver com isso, e estão enviando mensagens com códigos duvidosos.

Dilma e Lula rebatem críticas preconceituosas de FHC e Caetano Veloso.

A futura presidente do Brasil, Dilma Rousseff, demonstrou no final de semana que não está pra brincadeira com a turma que ataca o Governo do Presidente Lula. Dilma disse que as “forças do passado esqueceram o povo brasileiro”, e que o “nosso problema não foi ter sorte, o fato é que nós temos sorte, sim. Não somos pé frio. Mas, sobretudo, temos competência de gestão. A eles pode ter faltado sorte, mas faltou muito mais competência e vontade política de mudar esse país”, se referindo ao (des) governo de FHC após o ex-presidente ter atacado de forma grosseira o Presidente Lula no Jornal O Globo na semana passada. Dilma ainda acrescentou dizendo que a oposição é "patética" e está "sem rumo".

Já o nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva também rebateu as críticas preconceituosas e desrespeitosas do Fernando Henrique Cardoso, aliado de José Serra, e do amigo visceral de Antonio Carlos Magalhães (ACM), o Caetano Veloso. “Essa semana fui chamado de analfabeto (por Caetano Veloso), de ditador (por FHC), e nessa mesma semana eu ganhei o título de estadista do ano (na Inglaterra). Eu compreendo o ódio, o intelectual que está assistindo um operário que só tem o quarto ano primário - e não tenho vergonha de dizer - ganhar tudo o que ele imaginava que pudesse ganhar e não ganhou por incompetência é muito difícil”, disse Lula.


E desabafou: “Um país governado por um analfabeto vai terminar realizando um governo que mais investiu em educação. Vamos terminar nosso governo com 14 novas universidades federais. Estamos fazendo uma vez e meia o que eles não fizeram em um século. Sei que isso é intragável. O Fernando Henrique Cardoso achava que nós seríamos um fracasso e que ele poderia voltar”.

Na quinta-feira da semana passada (dia 5), Lula recebeu em Londres o prêmio Chatham House, por seu papel nas relações internacionais na América Latina e na condução da política econômica e social. Ele disse que o prêmio foi para a sociedade brasileira, que trabalhou muito e acreditou que era possível o Brasil não sofrer com a crise como outros países sofreram em 2009. Lula disse ver no prêmio importância por dar "visibilidade ao Brasil" em relação a outros países, que começam a ter mais confiança para fazer investimento no País.


Fonte: Blog da Dilma
Com Júnior Miranda

Duplo homicídio em Pombal:

O ano de 2009 já pode ser considerado o de maior número de assassinatos em Pombal - nos últimos tempos - mesmo ainda faltando 50 dias para o seu término, sendo que os últimos 40 dias foram os mais violentos na cidade, com o registro de cinco crimes de homicídio.

Somente em outubro, foram três os casos, todos eles praticados com o uso de faca.

O mais recente aconteceu nesta segunda-feira (09), e foi noticiado em primeira mão pelo programa “Liberdade Notícias”, que recebeu a informação da polícia minutos depois o ocorrido.

De acordo com informações do cabo Azevedo, o crime aconteceu por volta das 12h30min, quando dois homens ainda não identificados em uma moto, na estrada do Sítio São João, na BR 230, saída para Sousa, dispararam vários tiros de revólver contra Everaldo Santana Pereira, de 36 anos, casado, preso albergado, residente no Bairro Vida Nova e Lucilene Urtiga da Costa de 24 anos de idade, casada, doméstica, residente ao Bairro dos Pereiros.

As vitimas foram surpreendida pela dupla de assassino, onde Everaldo sofreu três disparos, sendo um na nuca, um no peito e outro nas costas, enquanto que Lucilene foi atingida no pescoço e na cabeça. Ambos tiveram morte instantânea.

Everaldo estava cumprindo pena, acusado de praticar vários assaltos na região de Pombal, inclusive sendo um deles contra a agência do Banco do Brasil de Coremas.

Policiais da 2ª Companhia sob o comando do sargento Getúlio efetuaram diligências, no sentido de prender os acusados, mas até o momento sem êxito.

LIBERDADE FM

20 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM

Sempre saberei o que estava fazendo em maio de 89: pintava, full time, no subsolo do Sindicato dos Bancários da Paraíba, na Beira-Rio, durante o mês inteiro, um quadro de 1,60 X 3,60m, que seria destinado ao restaurante da entidade: uma Ceia Larga em que, em lugar de Jesus, Marx dizia “Um de vós me trairá”, causando a reação leonardesca de seus apóstolos devidamente aureolados, Mao, Trósty, Ho-Shi-Minh, Allende, Guevara, Stálin, Lênin, Fidel e... Gorbachev (que, sintomaticamente, coloquei com a mão na cabeça).
Algum tempo antes, a filha de Luís Carlos Prestes e Olga Benário – Anita Leocádia – estivera em minha casa para me pedir que fizesse um cartaz comemorativo dos 60 anos da Coluna Prestes, e a pessoa que a trouxera até mim me disse, nos anos 90, que num encontro internacional, em Havana, para se discutir a situação de Cuba, um congressista dissera que ninguém poderia ter previsto a derrocada da União Soviética, ao que um brasileiro aparteara:
- Não senhor: lá na Paraíba, no Nordeste do Brasil, um bancário pintou um quadro enorme para o sindicato dele, prevendo o desmantelo.
Esse desmantelo, na verdade, só não o previu quem não quis. “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, mostrando que a coisa degringolara na União Soviética, é de 1945. “1984”, em que esse autor inglês nos passa uma imagem aterradora do estado totalitário, é de 48. Onze anos antes, Pagu – desiludida com o Partidão, depois de vê-lo condenando-a pela participação nas manifestações altamente reprimidas contra a morte de Sacco e Vanzetti no Brasil - partira para a Rússia, para ver in loco o regime com que tanto sonhava para nós, e escrevera de lá, para o Oswald de Andrade: “Moscou é uma sopa fria”. Em 57, Bóris Pasternak publicou na Itália seu “Doutor Jivago”, e foi outro impacto. O livro fora proibido na então União Soviética, por conta de suas críticas ao regime comunista, mas seus originais, contrabandeados para Roma, tornaram-se no best-seller que conhecemos, e fizeram do romancista um ganhador do Nobel de Literatura no ano seguinte. Impedido de receber o prêmio, no entanto, o escritor acabou – para escarmento das esquerdas do mundo todo - obrigado a devolver a honraria, permanecendo a proibição de publicação de “Doutor Jivago” dentro da URSS até 1989, quando a política de abertura de Mikhail Gorbatchev, então líder do gigante euro-asiático, liberou a publicação da obra
Em 70 a Suécia provocou escândalo igual ao laurear Alexander Soljenitsen, que, em 73, chocaria ainda mais o mundo com as denúncias do Arquipélago Gulag, no qual a Rússia sob Stálin era apresentada como um oceano cheio de ilhas de campos de concentração.
Por volta de 1976, quando eu escrevia meu romance “A Verdadeira Estória de Jesus” (lançado pela Ática em 79), li “O Homem e seus Símbolos”, de Carl Gustav Jung, em que, ao lado de uma foto do Muro de Berlim, o psiquiatra suíço comentava:
- Nosso mundo encontra-se dissociado como se fora uma pessoa neurótica, com a Cortina de Ferro a marcar-lhe uma linha divisória simbólica.
Deslumbrado pela descoberta desse grande discípulo dissidente de Freud, foi com amargura que o vi dizer que o sonho comunista – o meu! - era mais uma cria do velho arquétipo “da Idade de Ouro (ou Paraíso) quando haverá abundância para todos, com um grande chefe, justo e sábio, reinando dentro de um jardim de infância humano”.
Jardim de infância!
E no lado de cá?
- Também nós acreditamos – diz ele - no Estado da Providência, na paz universal, na igualdade do homem, nos seus eternos direitos humanos, na justiça, na verdade e (não proclamemos alto demais) no Reino de Deus sobre a Terra.
Aí, em 1983, os responsáveis pelo Nobel deram novo solavanco no Muro de Berlim e na União Soviética, premiando Lech Walesa, um dos fundadores e líderes do sindicato Solidarność (Solidariedade). Três anos antes, Walesa estivera à frente do poderoso movimento grevista dos trabalhadores do estaleiro de Gdansk, que se alastrara para outras empresas polacas, do que resultaram várias conquistas trabalhistas. Mas em 81 foi imposta a lei marcial na Polônia, o Solidariedade passou a ser considerado ilegal, a maioria dos líderes foi presa, inclusive Wałesa, e o país passou a ser governado com truculência jamais vista pelo general Wojciech Jaruzelski Foi nessas circunstâncias, com angústia, que assumi uma função (embora sem importância) na direção – toda petista, com exceção de mim e do presidente Luis Nelson - do Sindicato dos Bancários da Paraíba. A luta dos companheiros – com minha modesta participação - derrubara o pelego que controlara a categoria por muitos anos, mas me senti tão depressivamente inútil, na minha nova posição, ante a crise mundial das esquerdas, que me ofereci para pintar a tal Ceia, para o que obtive aprovação unânime da diretoria. A ideia me acudira quando eu almoçava no nosso restaurante, num dia de mais pasmaceira que os outros - muito distante das campanhas salariais -, e olhei para a parede vazia à minha frente. Ela me lembrou a do “ristorante” do convento da igreja de Santa Maria delle Grazie, de Milão, que Leonardo fora contratado para preencher com sua célebre “Última Ceia”. A isso se acrescentou o que Jung dissera em “O Homem e seus Símbolos”, e a leitura que eu fazia, naqueles dias, da “História da Filosofia Ocidental”, de Bertrand Russell, onde ele traçava igual comparação entre marxismo e cristianismo, Cristo e Marx, sendo substituidos a Igreja e o Reino dos Céus pelo Partido e por uma Classe Operária que, certamente, como ele, demandaria o Paraíso. E eis que na noite de 09 de novembro de 1989... o Muro de Berlim.... desaba!
Assisti a essa queda pela TV, sentindo-me como no início do “Laranja Mecânica”, de Kubrick, quando a cena abre para um grupo de jovens mal-encarados que bebe ao som da tão suntuosa quão pungente “Música para o Funeral da Rainha Mary”, de Henry Purcell, Ah, sim: flores, muitas flores em Berlim; aplausos, muitos aplausos em Berlim; champanhe, muita champanhe; e tome golpes de picareta e marreta. Mas a minha marcha fúnebre prosseguiu quando vi, no ano seguinte, a enorme estátua de meu idolatrado Lênin sendo desarraigada do aramado de ferros do pedestal e içada por um guindaste, no porto de Gdansk, na Polônia, num ato aplaudido por operários do Solidariedade, ansiosos pela retomada de suas orações à virgem negra de Chestoshowa, proibidas pelo antigo regime. Eu me senti... desmoralizado. Desmoralizado meu eterno discurso para os filhos, sobre a utopia que nos propúnhamos; desmoralizada minha peça “O Vermelho e o Branco”, montada em 68, lá em Pombal, mobilizando toda a estudantada da cidade... e severamente proibida, em seguida, pela Censura Federal. Desmoralizada a “Cantata pra Alagamar” que eu escrevera para a música de Kaplan, enaltecendo a luta campesina pela reforma agrária, através dos ditames gandhianos da não-violência. Desarticulada aquela minha sensação de que, fizesse o que fizesse, haveria um irmão mais velho – a União Soviética - bem mais forte do que eu, para me defender nos possíveis choques e mostrar, com sua incrível experiência e inesgotável sabedoria, que EU estava certo. Mas que fazer agora, quando era revelado que durante os vinte e oito anos de existência do Muro da Vergonha oitocentos e nove pessoas tinham sido mortas ao tentar transpô-lo pra fugir do comunismo, enquanto cerca de setenta e cinco mil alemães orientais eram presos tentando o mesmo?
Claro que, antes disso, um imenso mal-estar me vinha toda vez que eu via, de um lado, uma meia Berlim de primeiro mundo toda iluminada e, do outro, uma cidade atrasada e velha, triste, pobre e apagada, ao que eu anotava, a lápis, para mim mesmo: “Por que Moscou nem ao menos tenta passar uma imagem de fartura e modernidade, por que não faz ali um cenário, não nos engana?”
Estes últimos vinte anos foram o da difícil cicatrização do corte feito na cidade de Berlim, na Alemanha, no mundo reunificado. Até algum tempo atrás, comentava-se o fato de que apenas dois por cento dos casamentos ocorridos na capital, agora dividida somente pelo Rio Spree, foram entre alemães do lado oriental com outros, do ocidental. Foram injetados mais de um trilhão de dólares na antiga RDA – República Democrática da Alemanha – mas nem isso, nem os incentivos fiscais e subsídios concedidos atraíram iniciativa privada suficiente para a equiparação dos dois lados. Nos anos 90 ainda havia muito desemprego. Mas agora, depois de tanto empenho, estão eliminadas todas as diferenças tecnológicas e econômicas entre as duas bandas do país e a terra dos germanos voltou a ser uma só. A Deutshland!
Ficou-me, no entanto, a sensação de um fracasso particular. Como Pound – que militara com a intelligentsia de Mussolini na segunda grande guerra – tive vontade de dizer “ao ser flagrado”: Eu. Fui. Um. Estúpido. Ah, é tanta gente feliz com Mickey e Minnie, o Elvis Presley e Michael Jackson, Woody Allen e Tarantino! Cara, não gosto de ver Bono Vox, do U2, feliz com tanta “benevolência do mundo”. Mas que fazer?!...
O fato é que amanhã, segunda-feira, 09 de novembro de 2009, nas comemorações do 20º. Aniversário da Queda do Muro, no Portão de Brandenburgo, Lech Walesa derrubará a primeira pedra – de 2,5 m de altura - de um dominó gigante que, ao longo de um quilômetro e meio, acompanhará o antigo traçado entre o Reichstag e a Potsdamer Platz, diante da chanceler alemã Angela Merkel, dos chefes de Estado e do Governo da União Europeia, dos Estados Unidos e da Rússia, além do ex-líder soviético... Mikhail Gorbachev.
Que é que se pode fazer?
C´est la vie.

-W. J. SOLHA

CARTILHA: CURTINDO A VIDA SEM DROGAS

Se possível, divulguem esta cartilha:

"CURTINDO A VIDA SEM DROGAS"

É um trabalho direcionado à juventude e tem como objetivos:

- Orientar os jovens sobre os males que as drogas causam a sua vida e a vida da sociedade;

- Chamar a atençao do governo e da sociedade, sobre a real necessidade de lutar contra as causas que levam tantos jovens ao mundo das drogas;

- Levar o povo a conscientizar-se qeu as drogas causam um grande mal a vida humana;

- Alertar os jovens sobre a necessidade de lutar contra a cultura de morte;

Esta cartilha fora lançada no último sábado(11Julho2009), na cidade de Santa Cruz(PB), quando a Polícia Federal proferia uma palestra sobre drogas e seus efeitos.


Vamos juntos lutar contra a cultura de morte ,que ora impera na sociedade hodierna.


Padre Djacy Brasileiro



01. Amar, defender e proteger a vida

O consumo de drogas lícitas e ilícitas gera conseqüências irreparáveis aos dependentes como: desintegração familiar, violência, abandono, vazio, medo, insegurança, perda do sentido da vida, prisão, depressão, doenças diversas(como AIDS) e morte prematura.


Vendo essa triste realidade que afeta tantas famílias, tantos jovens, pense: minha vida é muito importante, ela provém das mãos de Deus, é única e passageira. Deus criou-me para ser feliz. Por isso, devo amá-la, defendê-la e protegê-la. Não vou fazer da minha vida um inferno e nem frustrar meus sonhos e projetos de vida. Quero ser feliz, para isso, não preciso de drogas.



02. Evite o primeiro gole ou a primeira tragada

Jovem, por amor a sua vida, a sua família,seus amigos e sua comunidade, não caia na “onda” de pessoas quando lhe falarem: vamos curtir a vida numa boa, experimentando de tudo aquilo que o mundo nos oferece. Cuidado! O primeiro gole, a primeira tragada é a porta de entrada para o mundo triunfal do vicio com suas trágicas conseqüências. Para sair desse mundo devastador e cruel é muito difícil.



03. Diga não às drogas

Após uma profunda reflexão sobre o valor inestimável da VIDA, comece a amar-se, dizendo por pensamentos e palavras um Não a qualquer convite que o(a) induza ao consumo de qualquer tipo de drogas(cocaína, merla, bebida alcoólica, crack, maconha, etc.) ou a qualquer proposta de ganhar dinheiro fácil(como intermediário ou “aviãozinho”). Caso aceite uma dessas propostas(ou as duas ao mesmo tempo), vai colocar em risco sua vida e a vida de outras pessoas. Consequentemente, poderá responder criminalmente e sua vida ficará comprometida.



04. Viver com responsabilidade

Como jovem você tem todo o direito de curtir a vida numa boa, numa legal, porém, com muita maturidade, responsabilidade, prudência e respeito a si e aos outros. Haja sempre com a cabeça no lugar. Pois, afinal, aproveitar a vida não significa liberdade fora do limite, ou seja, fazer o que bem entender. Tome consciência disso e assim, estará evitando cair no abismo da libertinagem com suas tristes e prolongadas conseqüências.


Faça boas amizades. Veja quem são seus amigos. Se os são de confiança, se merecem sua amizade. Junto com eles, faça planos, converse, sonhe, curta a vida, divirta-se, passeie e nunca esqueça das virtudes cristãs, tais quais: oração, amor, respeito, responsabilidades, honestidade e moderação.


Diz a Bíblia: “quem encontrou um amigo encontrou um tesouro”.



05. Cuidado com os estranhos

Caso você esteja em algum ambiente como clube, porta de escola, praça, estádio, cinema, shopping, praia, calçada, e de repente aparece algum estranho oferecendo-lhe bala, cigarro, bebida, ou outras coisas quaisquer, não aceite e saia imediatamente daquele lugar. Sua vida pode estar correndo perigo.



06. Não fugir da realidade da vida

Nunca fuja da realidade da vida, por mais dura que seja, refugiando-se no mundo das drogas. Encare a vida como ela é: estudando, namorando, trabalhando, passeando, praticando esporte, divertindo-se, conversando, engajando-se em algum trabalho de sua comunidade, de sua igreja. Refugiar-se nas drogas não é solução, é desgraça pessoal, familiar e social.



07. Abrir-se para o diálogo

Caso você amigo(a), esteja passando por momentos difíceis na vida: doença, solidão, desespero, tristeza, incompreensões, preconceito, humilhação, discriminação, violência no lar, notas baixas nas provas escolares, exclusão social, baixa auto-estima, carência afetiva, desemprego, abra-se para a oração, para Deus e depois converse amigavelmente com seus pais, irmãos, professores, seu líder religioso. Procure orientação psicológica, apoio moral e espiritual. Desabafar, pedindo socorro e orientações a alguém de sua confiança, é uma das melhores saídas para amenizar seus sofrimentos e tirá-lo do caos da vida. Não se acanhe, não tenha vergonha de abrir-se para uma conversa franca, amigável. Uma luz surgirá no túnel de sua vida.



08. Não destrua sua juventude

Jovem, drogar-se como meio viável de solução dos seus problemas ou como mero prazer é encurtar a vida, é morrer lentamente.

Você é lindo (a), criatura bendita de Deus, então, não destrua esta beleza, sua força, sua energia, seus sonhos entregando-se cegamente ao consumo de drogas. Abra os olhos para a vida; vale apena viver, por isso não deixe o mal se apoderar de você.

Drogar-se, jamais!.



09. Drogas: sinônimos de morte

Pare! Pense. Você será feliz envolvendo-se com drogas? Sua vida irá melhorar?

Seus problemas serão solucionados?

Você não acha que drogas geram dependências e por isso causam grandes prejuízos na sua vida?

Conheça os efeitos maléficos das drogas no seu organismo, no seu psiquismo, na sua vida familiar e social. Correr para as drogas é correr para os braços da morte.



10. Seja consciente e participativo

Recusando-se terminantemente a envolver-se com drogas torne-se consciente e participativo. Como cidadão(ã), liberte-se da alienação política e Lute pelos seus direitos inalienáveis. Cobre, reivindique de seus governantes políticas públicas, que favoreçam qualidade de vida para si e para todos de sua comunidade, como: cuidado integral à saúde, escola acessível e de qualidade, oportunidades digna de trabalho e renda, alternativas de lazer saudável, moradia, saneamento básico.


Vale a pena lembrar o que diz a Embaixadora da Unesco e do Instituto faça parte, Milú villela: “Jovens sem educação e trabalho estão condenados ao subemprego, à sub-cidadania e, por tabela, a uma espécie de sub-vida, marcada pela ausência de perspectivas e ambições positivas”.


Lute por uma sociedade mais justa, fraterna, igualitária, abraçando causas sociais, como a luta contra a injustiça social, a fome, a miséria, o desemprego, a violência, a repressão policial, a desigualdade social, o preconceito, a discriminação, a corrupção nas esferas dos poderes constituídos deste país. Se algo fizer, sua vida terá mais sentido.



11. Seja otimista

Nesta sociedade tremendamente marcada pela cultura de morte, pelo relativismo ético-moral e religioso; onde a vida humana não é amada, respeitada e valorizada em virtude da ideologia anticristã do ter, do poder, do prazer, do consumismo, do materialismo, do endeusamento do corpo perfeito e da inversão de valores, auto-afirme-se, criando em si sentimento de otimismo, de fé em si mesmo(a),acreditando na sua inteligência, aceitando-se como veio a este mundo, mentalizando idéias positivas como: vou vencer, vou conseguir, vou ser feliz!

Nada de complexo de inferioridade, de pessimismo, de derrotismo. Você é muito importante. Afinal é imagem e semelhança de Deus. Então lute, saindo do comodismo, colocando suas idéias, seus planos em ação.



12. Fé e coragem na caminhada da vida

Caro jovem, na luta pela vida, coragem, força, ânimo, esperança e muita fé em Jesus que disse: “eu vim para que todos tenham vida, e a tenha em abundância” .



13. Seja um autêntico jovem cristão e acredite no amor de Deus

Você não é perfeito, nem tão pouco anjo. É um ser frágil, com suas limitações, seus erros e pecados. Mesmo assim, faça o possível para ser um(a) jovem exemplar na vida cristã, renunciando ao mal e a tudo aquilo que pode levá-lo(a) ao mundo do vício.

Uma coisa é certa: Deus o(a) ama mesmo quando se afasta dele. A sua misericórdia é infinita.

Não se auto-condene, ou não se deixe amargurar ou desesperar-se quando ouvir: Deus vai condená-lo(a), Deus vai amaldiçoá-lo(a).

Não acredite em tais palavras ou em profetismo de mau agouro. Deus é amor. E é missão da Igreja cristã anunciar um Deus complacente, misericordioso, amoroso que liberta, que salva.



14. Odeie as drogas e ame sua mãe terra que está morrendo

Caro jovem, o planeta terra está sofrendo ,morrendo lentamente. Na sua agonia, pede socorro. A cada dia a sua situação agrava-se com as mudanças climáticas. Veja só. “O aquecimento global está por toda parte. Não há um País que não sinta essa mudança hoje. As temperaturas já não são as mesmas, os furacões começam a chegar ao Brasil, o nível do mar sobe, tudo isso em decorrência do aquecimento global”. Então, ajude a salvá-lo. Faça na sua comunidade trabalho educativo, de conscientização sobre a gravidade do problema. Em vez de estar a procura de drogas, que contribuem com a destruição da sua mãe terra, engaje-se na luta contra a poluição, a devastação ete. Seja um exímio defensor das causas ecológicas. Assim, você estará fazendo um grande bem à humanidade e salvando sua mãe terra.



15. Conheça histórias comoventes

Conheça, através de pesquisas, conversas informais, internet, reportagens, histórias tristes, dramáticas vividas por tantos jovens e seus familiares por causa do consumo de drogas. Tire lição de vida e aprenda a viver: “Droga, quem afinal é você que está se entregando e não vê que a vida oferece outras coisas”(Roberto Carlos).



16. Conheça alguns grupos de apoio às vítimas das drogas.

Conheça, valorize e incentive os trabalhos de grupos ou instituições, que visam libertar os jovens do vicio como: AA (grupo de alcoólicos anônimos), casas de apoio e de recuperação de jovens drogados, etc.

Na sua comunidade, há alguma instituição que visa ajudar os dependentes de drogas, quais?.



17. E agora, qual seu compromisso?

Leu a cartilha?

Gostou?

Achou importante?

Chamou a sua atenção?

E agora, qual vai ser seu compromisso daqui para frente?

Não seria interessante, buscar as causas que levam tantos irmãos jovens ao vício?

Para você que acaba de ler esta cartilha, quais seriam as saídas para quem já estar no mundo das drogas?

O que o governo, as escolas, as igrejas, as associações, as ONG, as famílias devem fazer como saída para evitar que tanto jovens entrem no mundo maldito das drogas, com suas nefastas conseqüências?

Comente tudo isso com seus familiares, colegas de escola, namorada(o), amigos.



ALGUMAS DROGAS E SEUS EFEITOS *

As drogas podem ser classificadas como depressoras, estimuladoras ou perturbadoras. Abaixo estão as mais freqüentes no Brasil.


A) Depressoras

Álcool: é uma droga lícita e seu uso é socialmente estimulado. Seus efeitos sobre o comportamento dependem da quantidade ingerida. O álcool provoca diversos problemas de saúde como a gastrite, a cirrose hepática, dormência nas pernas.


Inalantes ou Solventes: são produtos voláteis usados em atividades industriais (ex.: cola de sapateiro), comerciais e domésticas. Os inalantes evaporam à temperatura ambiente e podem ser “cheirados”. Têm propriedades anestesiantes e tranqüilizantes, induzem à euforia e ao delírio, provocam a sensação de desequilíbrio. São tóxicos para o sistema nervoso, fígado e coração. A longo prazo, provocam também perda de peso e lesões no cérebro.



B) Estimuladoras

Anfetaminas ou "Bolinhas": obtidas em laboratório, são produtos sintéticos. Podem ser comprimidos ou injetáveis.

São drogas ilícitas, exceto para uso médico, como anorexígenos. Estão contidas nos moderadores de apetite. Trazem sensação semelhante à da cocaína. Após os efeitos, surgem angústia, pânico, medo, idéias de perseguição, cansaço intenso, depressão, perda de apetite, suor, irritação de pele, entre outras.


Cocaína: é um dos mais potentes excitantes do sistema nervoso central. Em estado natural, a coca da região dos Andes é mascada para disfarçar a fadiga, a fome e a sede. Quimicamente potencializada, a coca torna-se um pó branco capaz de estimular o estado de alerta, reduzir o sono e acelerar o pensamento. Seu uso pode causar lesões no septo nasal, alteração do ritmo cardíaco, provocando taquicardia e palpitações. Seu uso continuado provoca graves danos à pessoa.


Crack: é o nome dado à cocaína transformada por meio de soda cáustica ou bicarbonato de sódio, para se tornar própria para fumar. Pode atingir grau de pureza de até 90%, com a potência maior que a cocaína em pó. Com muita facilidade cria dependência. Inicialmente, o usuário tem a sensação de confiança em si mesmo, de poder e excitação. Após seu uso, segue-se um período de depressão, paranóia e outros sintomas. A pessoa pode tornar-se violenta e suicida em potencial. É conhecida como a “droga da morte”.


Merla: produzida a partir da pasta básica da cocaína com o acréscimo de querosene, gasolina, metanol ou ácido sulfúrico, é uma droga de baixo custo e rápida dependência. Provoca emagrecimento acelerado, problemas respiratórios, perda de dentes, feridas, insônia e outros sintomas físicos. No nível psicológico, traz sentimentos de perseguição, medo e paranóia.


Nicotina: aspirada pelo fumo do tabaco, causa inúmeros malefícios cardiológicos e respiratórios. A nicotina produz dependência física. A condição de droga lícita favorece seu uso, embora já tenha sido citada como causadora de 24 doenças.



C) Perturbadoras

Maconha: é o nome popular de um arbusto de origem asiática. Suas folhas são secas e transformadas em cigarro: o “baseado”. A longo prazo e intensamente usada, provoca o aumento do apetite, transpiração excessiva, tremores e ansiedades, aumento dos batimentos cardíacos e estados alterados de consciência.


Ecstasy: droga sintética, é uma mistura de anfetamina e alucinógenos, feita em laboratório e consumida em forma de comprimido ou pílulas. Deixa a pessoa extremamente excitada, provoca euforia e desejo de contato físico. Passado o efeito, a pessoa sente náuseas, pânico, cansaço e fadiga. Em usuários crônicos, pode provocar depressão, demência e delírio.



Santa Cruz(PB), 11 de julho de 2009.

Autor: Padre Djacy P. Brasileiro.


Fonte: Manual da Campanha da Fraternidade 2001 – CNBB.

Lema: Vida sim Drogas não.

Fone: (83) 3536-1119 / 9911-3141.

E-mail: padredjacy@hotmail.com

CHICO DE ERNESTO: O MALANDRO EM APUROS

Uma das grandes maravilhas da invenção humana, na segunda guerra mundial, foi o avião de propulsão a jato. Ouvíamos falar, entretanto não tínhamos a menor idéia do que viesse a ser essa fantástica máquina voadora. No pós-guerra, quando surgiram os primeiros filmes, enredados no segundo conflito entre as nações, os heróis da aviação nos chamavam atenção pela destreza com a qual pilotavam aquelas modernas naves de guerra, de elevado poder de destruição, a ponto de nos fazer esquecer as proezas de Tarzan, em suas aventuras nas supostas florestas africanas.


Era o “ás” disso daquilo outro e haja japonês morto nos combates aéreos. Mesmo assim, nos primeiros filmes do gênero bélico os aviões a jato, pouco apareciam. Por se tratar de uma arma estratégica, portanto, eram guardados a sete chaves, para evitar que os russos as copiassem. Coisas do inicio da “guerra fria”.


No Brasil existia uma base americana, localizada no rio Grande do Norte, onde algumas unidades da espécie estavam estacionadas. Vez por outra essas máquinas cruzavam os céus do nordeste em direção a outras bases instaladas no continente sul americano. Mas, nunca cruzaram os céus de Pombal. Mas, um dia aconteceu. Era um dia limpo, sem nuvens, pra melhor dizer, estava um céu de brigadeiro. De repente, não sei bem se foi em 1950 ou 1952, quatro dessas naves apareceram no nosso espaço aéreo a uma altura visível aos olhos de todos pombalenses.


O horário em que o fato aconteceu foi entre meio dia e treze horas da tarde. Muita gente ainda estava sentada à mesa, a palitar os dentes e a jogar conversa fora. Não sei dizer o dia, mas foi a maior manifestação de desespero e pânico coletivo que jamais presenciei. O povo em estado de desespero, corria rua acima, rua abaixo, sem saber onde se esconder para fugir da destruição coletiva prestes a acontecer.


Inicialmente, passaram dois aviões que deixaram no ar dois rastilhos de fumaça, em linha reta, geometricamente perfeitos. Na rua do comércio alguém gritou: o mundo está se acabando! O grito ecoou por toda rua. Em fração de minutos o povo corria em todas direções na busca de uma explicação para o inusitado fenômeno. Abraçavam-se os pais, os filhos, netos, para que todos morressem juntos. Outros pulavam as janelas e saiam correndo, sem direção, pelas ruas da cidade em busca de familiares para que todos viessem morrer em casa. Parecia o dia do juízo final.


Quando tudo estava, mais ou menos tranqüilo, irromperam no horizonte mais dois aviões, fazendo a mesma barulheira, deixando no espaço mais dois rastilhos de fumaça branca. Não deu pra segurar. Muita gente chorava copiosamente no meio da rua, na certeza de era mesmo o fim do mundo. Inimigos abraçavam-se em busca do perdão, mútuos. Homens confessavam as suas mulheres os casos de amor fora de casa e queriam o perdão, pois não desejavam chegar no outro mundo com a alma sobrecarregada de pecados.


Um caso emblemático foi o de Chico de Ernesto. No momento crucial do ocorrido, confessou a esposa que tinha um caso com uma mulher lá no cabaré. A mulher perdoou e ainda cobriu-lhe de beijos e caricias, cena típica de um derradeiro momento. Esse momento afetuoso não acontecia, entre os dois, há muito tempo. De repente as coisas começaram a voltar a normalidade. Restaram apenas as conversas do povo na rua, cada um querendo explicar o que realmente acontecera.


No outro dia, por vota de dez horas da manhã, na coluna da hora, no rescaldo dos acontecimentos, formou-se um grupo para opinar sobre o que era mesmo aquelas coisas estranhas. Faziam parte do grupo, Bilino e Joquinha de Dona Neca, Rubens Medeiros, Peixinho, Eron, Agamenon de João Teodório, Zé de Tó, Zé Maria Assis, Jefinho Trigueiro, entre tantos outros. Todos opinavam, sobre os estranhos objetos, porem, cada um com um ponto de vista diferente.


Rubens dizia que se tratava de discos voadores que estão a nos visitar. O restante ficou no meio do caminho entre o religioso e o desconhecido. Joquinha, que escutava pacientemente a opinião de cada um dos presentes, resolveu dar o seu pitaco.


- Assim falou: vocês não sabem de nada, o que está acontecendo é obra dos russos. Eles acabaram de ganhar a segunda guerra e agora estão querendo dominar o mundo, portanto estão mapeando toda terra pra quando for preciso atacar, já sabem tudo sobre o território brasileiro.


O ambiente ficou quente. Todos sabiam que Joquinha tinha uma admiração muito grande pelo regime comunista russo. A partir desse momento ninguém se entedia mais. Todos falavam ao mesmo tempo, mas não tinham uma opinião formada para rebater a tese levantada por Joquinha. Aos poucos o grupo se desfez, restando apenas, Bilino, Zé Maria Assis e Jefinho Trigueiro. Eis que chega Chico de Ernesto e começa a contar o drama que estava vivendo por ter revelado a mulher que tinha uma amante no cabaré, justo, no momento do desespero, quando os aviões a jato quebravam a barreira do som, nos céus de Pombal.


Zé Maria, bonachão como sempre, aconselha: Chico você diz pra sua mulher que a sua confissão foi uma demonstração de amor e sinceridade, num momento em que todos tinham a certeza que iam morrer.


- Retrucou Chico: Zé Maria eu já disse pra ela que aquela minha fala não passava de uma brincadeira, num momento de desespero.


Ô Chico, você é louco, como é que pode descontrair um ambiente com uma conversa maluca dessas? Repreendeu Bilino. E continuou: como foi que ela reagiu?.


Respondeu Chico com a cara de arrependimento: olha, a nega ta uma fera e não sei como acalma-la. Vejam só: quando comecei a me explicar, ela me chamou de enganador, porque, segundo ela, enquanto estava a pensar, naquele momento de aflição, como era que toda família ia chegar lá no céu e ficar frente a frente com Deus, Eu, um cabra safado, cabarezeiro, estava a pensar na minha quenga! Dá pra agüentar?.


Por último, Jefinho completou: Chico você não tem nada de malandro, você não passa de um otário, um cavalo, porque não era pra revelar o seu maior segredo pra sua nega, nem mesmo no último momento da sua vida. È bom que você leve uma pisa da sua nega. Bem feito!.


Chico abriu um sorriso amarelo, baixou a cabeça e disse: É isso mesmo, eu sou um cavalo, como disse Jefinho. Tem nada não pior é dor de dente que dá e passa.


O malandro acreditava num retorno em breve espaço de tempo, assim continuou a falar: Vejam vocês, o que resultou dessa estória d’eu revelar meus segredos, justo, no momento que estava a pensar que ia morrer todo mundo. Antes tivesse morrido mesmo, porque não vou agüentar a vida inteira a minha mulher dia e noite sempre a repetir as mesmas coisas. Pra piorar a situação, ela amolou o facão rabo de galo e me ameaça com a seguinte proposta: olhe aqui seu sem vergonha, se não revelar o nome da sujeita, fique sabendo que nesta casa você jamais botará os pés! Continuou Chico: ela quer ir até o cabaré, a qualquer custo, pra dar uma pisa na pobrezinha que não tem nada a ver com tudo isso que aconteceu.


Realmente o mundo não se acabou, ao contrário do que muitos esperavam diante do aparecimento daqueles objetos voadores tão estranhos. Mas, para o Maribondo, como Chico gostava de ser chamado, a sua paz dentro do lar acabou-se. A mulher proibiu a sua presença na cama e pôs a Mãe para dormir ao seu lado, enquanto Chico dormia no chão, em cima de um papelão, com a cabeça apoiada, num travesseiro recheado com penas galinha. O malandro passou a viver uma situação de permanente estresse, de tal sorte que não podia sequer ouvir o ronco do avião Teco-Teco de Antônio Pão Doce, quando sobrevoava os céus de Pombal. O que lhe vinha na lembrança era a triste cena daquele barulho infernal vindo lá do céu, que o fez pensar que ia morrer juntamente com toda família e de quebra ainda teve que revelar um segredo guardado há muito tempo, principalmente a quem não devia faze-lo.


Essa estória, em parte já conhecia, mas, foi Bilino Queiroga que me contou, com mais detalhes, há muito tempo. Agora estou repassando para vocês leitores. Chico de Ernesto quando vinha a João Pessoa, hospedava-se na casa de Bilino. Em sendo meu compadre, vez por outra, fazia-me presente a sua casa, principalmente, nos finais de semana, para saborear uma cachacinha acompanhada de sarapatel de porco, preparado pela comadre Lili.


Bilino era um exímio contador de estórias. Essa de Chico tem um desfecho final, que poupei aqui neste texto. Trata-se de um equivoco idílico entre ele e a sogra. O malandro não suportava mais o castigo a que estava submetido. Assim sendo, depois de tomar umas e outras, preparou um ataque decisivo, só que capturou a presa errada. O final desta historia quem nos pode contar muito bem, nos seus mínimos detalhes, é Antônio de Maria Dalva ou então João Maria.

Até breve...


João Pessoa(PB), 28 de Novembro de 2008.
Ignácio Tavares



*O texto acima serve para seu entretenimento. As opiniões expressadas neste são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam, necessariamente, as opiniões do portal

PF prende secretário de agricultura de Pombal, advogados, fazendeiros e gerentes de banco na operação “Inapto”

Uma operação deflagrada pela Polícia Federal na madrugada desta sexta-feira (06), nos municípios de João Pessoa, Pombal e Sousa, culminou na detenção do secretário de Agricultura e Meio Ambiente da prefeitura de Pombal, Filemon Benigno, do fazendeiros Paulo Gomes Vieira, o advogado Marcos Roberto Formiga de Almeida, além de um ex-gerente do Banco do Brasil, conhecido como Wlamir. Ao todo, o esquema desviou, aproximadamente, R$ 5 milhões do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), ligado ao Ministério da Agricultura.

Foram cinco mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão. Encontra-se foragido Orlando Formiga, irmão do advogado Marcos Formiga. A assessoria de comunicação da Polícia Federal informou que as investigações iniciaram em 2007, a partir de denúncias advindas do Banco do Brasil e Banco do Nordeste.

Os acusados serão submetidos a interrogatório ao longo desta sexta-feira. A documentação apreendida será submetida a perícia por policiais da PF. A operação, denominada “Inapto”,é uma alusão ao esquema do grupo, que aliciava “laranjas”,. cujos valores das transações financeiras variavam entre R$800 e R$ 12 mil.


A Fraude


De acordo com a Polícia Federal, as análises dos processos de financiamento e as investigações policiais comprovaram a elaboração de Declarações de Aptidão (DAPs) ao Pronaf falsas, assim como pessoas sem perfil para obter o financiamento.


Pessoas usadas pela quadrilha, “laranjas”, foram identificadas, assim como diligências de campo e auditorias do Banco do Brasil e Banco do Nordeste, foram pródigas em comprovar o esquema criminoso.


O ponto crucial da investigação se deu pelo fato de que um dos encabeçadores do esquema estaria ameaçando funcionários do Banco do Nordeste, além de estarem aliciando os laranjas que se dirigiam ao Banco para denunciar o esquema, haja vista a condição de devedores em que se encontram os aliciados.


Em decorrência das fraudes, os bancos decidiram adotar critérios mais rígidos para a concessão dos financiamentos, além de que os créditos do Pronaf estariam suspensos, haja vista a inadimplência exorbitante, o que decorre do esquema criminoso hoje desarticulado.


“Espera-se que com o desbaratamento da quadrilha possa a população rural carente voltar a ter acesso aos créditos do Pronaf, a fim de minimizar as dificuldades vividas no sertão nordestino e impulsionar a economia local”, declarou a Polícia Federal em nota enviada à imprensa.



Eliabe Castor. com informações de Mônica Rodrigues, da Correio Sat e PF

Ontem foi Maranhão. Hoje é Cícero

Aqui e acolá a história nos prega algumas peças. E a que estamos prestes a vivenciar novamente tem tudo a ver com um dos momentos mais disputados na política da Paraíba: a inesquecível disputa pelo controle do PMDB, que ficou conhecida como o episódio do Clube Campestre em 1998.

A guerra no PMDB de ontem, hoje pode ser intitulada de “guerra do ninho tucano”. E mais uma vez pode colocar antigos aliados políticos num verdadeiro caldeirão de intrigas e disputas, num processo de escolha que deve definir quem tem hegemonia nas hostes do PSDB paraibano.

No passado a guerra se deu dentro do PMDB. No ringue estavam os grupos liderados por José Maranhão e Ronaldo Cunha Lima.

Hoje, a disputa pode ser travada entre Cássio Cunha Lima e Cícero Lucena. A diferença é que só muda a sigla que está sendo cortejada.

Em pouco mais de dez anos é a segunda crise profunda de disputa interna que vive o grupo “Cunha Lima”.

Em 1998, o dilema era mostrar para José Maranhão e o seu grupo que quem mandava no pedaço era Ronaldo e companhia limitada. Maranhão aceitou a disputa e venceu a parada, como diz a gíria popular e continuou sendo a principal referência do PMDB.

Hoje, os últimos episódios mostram claramente que tudo pode se repetir e pelo andar da carruagem, Cícero e Cássio começam a viver os momentos finais de uma relação que já não anda bem das pernas.

Cássio, agora quer o controle do partido, diante da resistência assumida de Cícero em querer disputar o Governo do Estado, pelo PSDB. Idéia que não agrada Cássio, defensor de uma aliança com o PSB e o conseqüente apoio ao projeto de candidatura do prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho.

Sem perspectiva de entendimentos, já que Cícero não abre nem pra um trem carregado de dinamite, Cássio sabe que precisa tomar as rédeas da situação e a única saída é mesmo tentar “arrancar” o controle do partido para si e começar a dar as cartas no jogo da sucessão.

Mas nem tudo é um “mar de rosas” para os “cassistas”. “O menino de Campina Grande” terá que disputar no voto, convencendo a cada tucano da certeza de suas idéias. Além do mais, também deixará claro para todos que no seu projeto não havia mesmo espaço para o seu amigo histórico e sempre leal de todas as horas, o senador Cícero Lucena.

Cássio também corre outro risco perante a opinião pública: o de deixar claro, onze anos depois, que José Maranhão, na época da confusão histórica pelo controle do PMDB, foi, talvez, vítima de um episódio bem parecido com o cenário que está sendo desenhado hoje e que pode colocar no centro das atenções o senador e presidente do PSDB, Cícero Lucena.

Nilvan Ferreira

Cássio e Cícero vão bater chapa

A aparente normalidade interna no PSDB esconde uma guerra pronta para explodir e fazer voar pena pra tudo quanto é lado nesta Paraíba. A irredutível convicção do senador Cícero em não abrir a candidatura a governador nem por baixo de pau e a decidida opção do ex-governador Cássio pela candidatura do prefeito Ricardo Coutinho não podem conviver juntas no mesmo partido.

Cícero está cada vez mais disposto a comprar a briga, estimulado, inclusive, a cada dia, pelas declarações de “aliados” em favor de Ricardo. E Cássio cada vez mais consciente de que precisa antecipar o anúncio da aliança com o prefeito da Capital para não chegar atrasado no processo.

São dois cenários que sinalizam para uma guerra iminente, prevista por muitos, menos por Cícero e Cássio. Um porque acreditava que teria o apoio. O outro porque acredita na renúncia. Como nem uma nem outra coisa está pra acontecer, somente o rompimento revela um desfecho provável.

De sua parte, o ex-governador poderia ter resolvido a bronca logo quando voltou dos Estados Unidos. Mas, como já falamos sobre o assunto, Cássio preferiu evitar o rompimento traumático naquela época em que as definições partidárias poderia tirá-lo do PSDB junto com toda a turma, tornando-se, junto com outros tucanos, aves sem rumo partidário.

Ficando no PSDB Cássio manteve i partido forte para conferir apoio a quem quer que seja, apostando claro numa eventual sensibilização por parte de Cícero. Agora não tem mais jeito. A guerra se travará em ninho tucano. E será difícil fazer previsões dos vencedores. Na verdade, em guerra entre “amigos”, ambos perdem. Até os que, formalmente, vencerão.

Especialmente, Cícero. Ora, bater chapa com Cássio e ganhar dele e de todos os outros que defendem a candidatura de Ricardo não significa futuro próspero para o senador. Quem dará efetivo apoio a uma eventual candidatura de Cícero após perder dele numa luta fratricida? Entre os cassistas, ninguém.

Vão todos fazer suas campanhas calados, omissos e distantes, culpando Cìcero de intransigência e tudo mais. Isso porque a equação é simples: Cícero vai brigar exatamente com a figura que deseja e precisa como apoiador para ver sua candidatura decolar.

Por outro lado, ganhar para Cícero numa briga interna fará com que Cássio vá apoiar Ricardo com todo o rancor cicerista, pronto, inclusive, a se entusiasmar mais pela campanha de Maranhão do que por qualquer outra coisa.

Situação semelhante há outros episódios políticos na Paraíba. Não acha?


Os problemas de Barbosa

A vida não é realmente fácil para o suplente de deputado estadual Ricardo Barbosa. Recém filiado ao PSB, o ex-tucano terá problemas em manter o mandato caso tenha a oportunidade de assumir uma vaga na Assembleia Legislativa. Dentro do PSDB, já é ponto pacífico de que o partido irá reivindicar a suplência de Barbosa em caso de posse imediata.


Proposta recusável

Corre nos bastidores a informação de que o senador Cícero Lucena (PSDB) rejeitou de pronto uma proposta de composição com o prefeito Ricardo Coutinho (PSB) cujo acordo resultaria na indicação de uma pessoa do senador para figurar como vice-governador na chapa do prefeito da Capital.

HELDER MOURA - A volta da guerrilha

A militância de oposição anti-cicerista voltou com carga total, para alegria do prefeito Ricardo Coutinho. Nos últimos dias, pela ordem, Zenóbio Toscano, Efraim Morais, Domiciano Cabral e, agora, Manuel Ludgério e Romero Rodrigues, se insurgiram, de forma impiedosa, contra o senador Cícero Lucena.
O mais curioso é que o movimento é tão mais intenso quanto mais próximo é o personagem do ex-governador Cássio Cunha Lima. Pode ser só coincidência, mas a impressão é que essa orientação do fogo amigo (já nem tão amigo assim) parte dele, com o objetivo de desmontar o velho companheiro.
Lembra, em todos os detalhes, o que aconteceu à ex-prefeita Cozete Barbosa, em Campina Grande. Quando interessava ter seu apoio, Cozete foi convidada pra ser candidata a vice, mas após assumir a Prefeitura de Campina, quando ela se dispôs a disputar a sua reeleição, foi impiedosamente detonada.
O método é o mesmo. Vários integrantes da infantaria desfecham os pequenos ataques para enfraquecer o “adversário”. Quando a “vitima” experimenta sinais de enfraquecimento e irritação, então vem o golpe de misericórdia, com o próprio líder do grupo anunciando rompimento. Foi assim com Cozete.
Pode não ter o mesmo desfecho com Cícero. Mas, tudo leva a crer que a operação tem os mesmos elementos de guerrilha. Em algum momento, Cozete não suportou o ataque dos cassistas e também abriu fogo, dando o mote para o rompimento. Com Cícero, um velho companheiro, talvez não seja assim.
Pelo sim, pelo não, Cícero mandou avisar aos insurgentes: alguns podem ficar sem legenda pra disputar as eleições do próximo ano, caso insistam nessa operação cavalo de troia. Talvez por isto mesmo, alguns mais previdentes como Zenóbio e Ludgério já mandaram as esposas para outros partidos.

Apoio inesperado
O apoio à candidatura do senador Cícero Lucena veio, ontem, no Correio Debate rádio, de onde menos se esperava: o deputado Zé Aldemir, devidamente recuperado dos problemas de saúde, discordou do presidente de seu partido, o senador Efraim Morais, e afirmou que “Cícero tem todas as chances de se eleger governador da Paraíba em 2010”.

Inelegibilidade
A tese defendida, ontem, pelo deputado Manuel Júnior de que o ex-governador Cássio pode estar inelegível para 2010 encontrou eco no advogado e secretário Roosevelt Vita.

Inelegibilidade II
Segundo Roosevelt Vita, “a matéria é controversa, porque o Supremo ainda não se manifestou e, no Superior Tribunal Federal, as opiniões ainda estão dividias a esse respeito”.

Inelegibilidade III
Arremate: “Há ministros que acham que a inelegibilidade começa no início da denúncia, e há os que acham que inicia com o fim do mandato. Por isto, há riscos para Cássio”.

Inelegibilidade IV
Vita lembra que a Lei Complementar 64, de 18 de maio de 1990, traz artigo que prevê o início da inelegibilidade de três anos partir do “último dia de sua permanência no cargo”.

Sena acumulada
Ainda repercute, nos bastidores, um diálogo meio ríspido entre o ex-governador Ronaldo Cunha Lima e o empresário Pedro (irmão do senador Cícero) Lucena, em um evento social.

Azedume
Na verdade, nunca foi superado o azedume pelo encontro de Ronaldo com o prefeito Ricardo, em seu apartamento, sem ter avisado antes do senador Cícero. Deixou algumas sequelas.

Corretíssimo
Muito interessante a iniciativa da Cut na Paraíba de acionar o TCE, para bloquear as contas de todas a Prefeituras que estão atrasando o pagamento dos salários dos seus servidores.

Adesões em massa
Não é por nada, não, mas na região de Cajazeiras, dos 21 municípios mais próximos, somente dois prefeitos ainda não aderiram formalmente ao governador Zé Maranhão. É peso.

Dentro e fora da lei
Foi interessante o embate entre os deputados Manuel Ludgério e Raneiry Paulino, ontem, na Assembléia. Ludgério acusou o Governo Maranhão de “graves problemas na educação, perseguição a servidores e fazer mais empréstimos, em apenas oito meses, do que Governo Cássio, em seis anos”. Raniery: “Pelo que sei, o Governo fora-da-lei, do ex-governador fora-da-lei foi quem inventou empréstimo compulsório para os servidores receberem os próprios salários e inventou o servidor CPF, que não precisava concurso, não precisava trabalhar e ainda recebia salário só com o CPF, então foi um Governo desrespeitoso com os servidores e os paraibanos”.

Os pareceres de Juracy Pedro
Contado por Tavinho Santos. Alguns dias depois de ser nomeado procurador do Estado da Paraíba, Juracy Pedro Gomes se encontrou casualmente com o vereador Tavinho Santos.
O vereador perguntou com estava o novo trabalho. Ele: “Tem pouca coisa pra fazer”. Tavinho: “O quê, por exemplo?”
Juracy: “Bem, esta semana chegaram dois processos pra eu dar parecer”. Tavinho: “E qual foi o parecer?” Juracy: “Num parecer, eu dei um deferimento favorável e no outro... eu dei deferimento a favor!”.

Contato: heldermoura@correiodaparaiba.com.br

“Hoje Comigo, Amanhã Contigo”

O planeta gira, as águas dos mares se movimentam, o dia chega, a noite vem e o relógio não pára, e assim caminhamos na trajetória da vida. A todo instante através de ações ou mesmo de omissões, interagimos com nossos semelhantes. O importante neste aspecto é termos a consciência de que sempre devemos buscar algo de positivo, não só para nós, mas também para nossos irmãos.

Costumamos ser egoístas e, na realidade, na grande maioria das vezes agimos sem nos dar conta dos estragos que podemos causar aos outros. Uma ação ou uma inércia nossa, pode muito bem provocar ingratidões. Pode gerar situações desconfortáveis, espalhar perseguições, ferir brutalmente corações amigos.

Por isso, antes de agirmos ou de covardemente nos omitirmos, devemos refletir pelo menos por uns dez segundos, procurar alcançar efetivamente os efeitos que podemos causar aos nossos semelhantes.

É preciso entender que se praticarmos o bem, indiscutivelmente, colheremos bons frutos, mas se o foco for voltado para atos que gerem algo de negativo a alguém, sem dúvida que, mais cedo ou mais tarde, experimentaremos o gosto amargo que impiedosamente obrigamos esse alguém a suportar.

O homem tem que compreender que no materialismo a felicidade mostra-se palpável, mas ao mesmo tempo frágil e facilmente devorada pelo monstro do consumismo, que hoje se apresenta mais feroz do que nunca.

Cada um de nós tem participação fundamental na construção do futuro da humanidade. A solidariedade e o amor são pontos preponderantes para que o ser humano, no presente, prepare o seu futuro.

Não é a toa que há um dito popular que sentencia: “Hoje comigo, amanhã contigo”. Ora, é aquela velha história: nada melhor do que uma noite meio e novo dia para recomeçar.

Se pararmos um pouco, logo perceberemos que o mau que ontem fizemos a alguém, hoje ou no futuro receberemos malfazejos na mesma moeda. Muitas vezes atravessamos situações difíceis e hipocritamente passamos a questionar até a Deus: o que fizemos para merecer tantas dificuldades?

É em momentos como esses, de extremas dificuldades, que o ser humano, ao invés de lançar lamentos ao ar, reclamar da sorte, deve sim, buscar no silêncio da sua própria alma a solução para prosseguir na caminhada, pois todas as respostas que procuramos estão dentro de nós mesmos.

Emmanuel nos ensina: “Não olvides que a própria noite na Terra é uma pausa de esquecimento para que aprendamos a ciência do recomeço, em cada alvorada nova”.

E continua: “Não nos iludamos com respeito às nossas tarefas. Somos todos chamados pela Benção do Cristo a fazer luz no mundo das consciências – a começar de nós mesmos -, dissipando as trevas do materialismo ao clarão da verdade, não pelo espírito da força, mas pela força do espírito, a expressar-se em serviço, fraternidade, entendimento e educação”.

Onaldo Rocha de Queiroga - Juiz de Direito da 5ª Vara Cível da Capital
CONTATO: onaldo@tjpb.jus.br

A CRUZ DA MENINA de POMBAL

Sobre a obra:

A série Nossa História, Nossa Gente tem a proposta de levar ao conhecimento da população pombalense e dos amigos que visitam a cidade, um pouco da nossa história, resgatando toda a beleza do nosso patrimônio físico cultural. Baseando-se na síntese de um assunto, diz respeito a fatos notáveis ocorridos no município, daí para o aprofundamento da pesquisa por nossos historiadores, também, a difusão via trabalhos escolares, visando consolidar os conhecimentos históricos da nossa terra.

Sobre o autor:

Verneck Abrantes de Sousa

Engenheiro Agrônomo nasceu na cidade de Pombal-PB, filho de José Benigno de Sousa e Elisa Abrantes de Sousa, casado com Berta Leonia, pais de Alana Alcântara Formiga de Abrantes. Publicou os livros:

A Trajetória Política de Pombal – 1999.

Um Olhar Sobre Pombal Antiga – 2002.

Participou da revisão do livro O Velho Arraial de Piranhas (Pombal), de Wilson Seixas, com Evandro da Nóbrega e Jerdivan Nóbrega de Araújo - 2004.

A Cadeia Velha de Pombal - Manifesto em Defesa do Patrimônio Histórico, com José Tavares de Araújo Neto - 2004.

Belarmino de França - Um Trovador do Sertão, com Irani Medeiros - 2006.

É assessor Regional da Emater, Sindicalista e Conselheiro do Crea-PB.

Para:

Alberto Assis Bandeira – Beca.

Maria do Socorro (de Heron) Formiga.

Miguel Ferreira da Silva

Genival Severo



Agradecimento – Sedith Medeiros Paixão.

- Diana Maria de Oliveira Assis.
Fotografia

Marcos-Foto Almeida

Revisão

Oton Amorin
Gráfica







Ano - 2006


Apresentação

“A fome age não apenas sobre os corpos das vítimas da seca, consumindo sua carne, corroendo seus órgãos e abrindo feridas em sua pele, mas também age sobre seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta moral. Nenhuma calamidade pode desagregar a personalidade humana tão profundamente e num sentido tão nocivo quanto a fome, quando atinge os limites da verdadeira inanição. Excitados pela imperiosa necessidade de se alimentar, os instintos primários são despertados e o homem, como qualquer outro animal faminto, demonstra uma conduta mental que pode parecer das mais desconcertantes”. Josué de Castro.

Em função do lapso de mais de cento e vinte e nove anos, desde sua ocorrência e, principalmente, pela inexpressiva existência de referências bibliográficas sobre o tema, creio que descrever o caso de antropofagia, ocorrido na cidade de Pombal, na seca de 1877, foi o maior desafio até agora enfrentado pelo competente pesquisador Verneck Abrantes, desde que se imbuiu no Projeto “Nossa história, nossa gente”. Neste novo desafio, que busca o resgate de um fato que foi determinante na história das secas nordestinas, propositalmente o autor o intitula de “A Cruz da Menina de Pombal” para diferenciar de um outro marco igualmente denominado, existente na cidade de Patos-PB, que, além da tradição cristã sertaneja de marcar com cruz os lugares sagrados onde ocorreram martírios contra a vida humana, têm em comum o registro de tragédias que vitimaram crianças do sexo feminino, ligadas diretamente a problemas sociais, resultantes das degradantes secas ocorridas no sertão paraibano.

Com respeito aos óbitos, intrinsecamente relacionados aos efeitos das secas no semi-árido nordestino, o historiador Marco Antonio Villa, autor do livro “Vida e Morte no Sertão: Histórias das secas no Nordeste nos séculos XIX e XX” estima que cerca de três milhões de pessoas morreram no Nordeste de 1825 até 1983. Somente na grande seca de 1877/1879, ele calcula que tenham morrido cerca 500 mil pessoas, ou seja, 4% da população nordestina.

Antes de ter a repercussão política na alta corte do Império, como não poderia deixar de ser, o caso de canibalismo ocorrido em Pombal foi registrado no principal meio de divulgação da época, que era a poesia popular. Certamente muito destes registros se perderam, vezes que a poesia popular é notadamente de cunho eminentemente oral, declamada ou cantada, no improviso, “de repente”, facilmente dissipada com a ação do tempo.

José Américo de Almeida, em "A Paraíba e seus Problemas", registra versos de dois jovens poetas populares: Nicandro Nunes do Nascimento e Bernardo Nogueira, que falam das agruras causadas pela seca de 1877, inclusive, fazendo referência ao fato ocorrido em Pombal, dos quais reproduzo dois decassílabos e parte de um terceiro que, erroneamente, fala em duas mulheres, quando cita o fato dramatizado por Donária dos Anjos e a Menina Maria:

Foi-se a abelha, foi-se a caça,

A quem se pede nega,

Não há ceifa, não há rega...

Como é que o povo passa?

Do cabrum ha pouca raça,

Uma gallinha não ha

Como o povo viverá

Nesta terra? E os animaes?

Mas, se Deus sabe o que faz,

Deus o remédio dará.



Xique-xique, mucunã,

Raiz de imbú e colé,

Feijão brabo, catolé,

Macambira, imbiratã,

Do pau pedra a carimã,

A paneira e o murrão,

Maniçoba e gordião,

Comendo isso todo o dia,

Incha e causa hydropisia,

Foge, povo do sertão!



A fome foi tão canina

Que, se mais saber tu queres,

No Pombal duas mulheres

Comeram uma menina.

Essas histórias trágicas, como a protagonizada por Donária dos Anjos e a Menina Maria, entre outras, nos remetem à reflexão de um tempo de miséria, fome e degradação humana, que ao longo dos anos veio influenciar grandes pensadores, notadamente Josué de Castro e Celso Furtado, na elaboração de teorias científicas, destinadas à implementação de uma política efetivamente voltada para a convivência com as secas na região do Nordeste brasileiro, priorizando, sobretudo, o respeito à vida e à dignidade humana.

José Tavares de Araújo Neto



A CRUZ DA MENINA

No sertão da Paraíba existem dois fatos distintos, com a mesma denominação: A Cruz da Menina. Dois acontecimentos trágicos de violência contra a criança, duas histórias infortunadas, de torturas e mortes, mas, completamente diferentes no tempo e no espaço. Verificando isso, podemos afirmar que, o primeiro martírio ocorreu na fatídica seca de 1877, na cidade de Pombal, onde se constata um caso insano de antropofagia no sertão paraibano. A segunda historia ocorreu na vizinha cidade de Patos, no ano de 1923, quando pais adotivos mataram sua filha de forma violenta, por ignorância ou pura maldade humana. São fatalidades marcadas por grandes sofrimentos, contra crianças indefesas, e que ao longo dos anos vem sendo referenciadas por sentimentos cristãos. Apesar dos atos terem ocorrido há muitos anos, eles chegam aos nossos dias manifestados por promessas e graças alcançadas por devotos de várias localidades, os quais vêm mantendo seus inabaláveis desígnios de fé nas duas crianças martirizadas. No momento, abordaremos com exclusividade, A Cruz da Menina de Pombal.

A CIDADE EM 1877.

Em 1877 fazia apenas 15 anos que Pombal tinha passado ao status de cidade. Isolada e com acesso exclusivamente por caminhos de terras, a época era dos carros de bois e cascos dos cavalos pelas veredas do sertão. Os homens venciam léguas a pé, para chegar ao seu destino. Mesmo assim, Pombal surgia como a cidade mais estruturada do sertão paraibano, destacando-se as edificações: atual Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Cadeia, a Casa do Mercado, o Cemitério, a Casa da Câmara, um Sobrado, a pequena Rua do Comercio e Rua do Rio, com suas casas conjugadas, duas ou três moradas rústicas que mais tarde daria formação a Rua de Baixo e outras construções residenciais isoladas. Em volta de tudo isso, a vegetação nativa da caatinga se estendia ao longe, parecendo perder-se no horizonte sem fim. Para se ter uma idéia, o Cemitério estava construído no meio do mato, considerado muito longe do centro populacional. Assim, era Pombal em 1877, edificada em uma bela planície, uma cidade pequena, graciosa, pacata, especialmente rural, onde as famílias preferiam viver na tranqüilidade e na lida das fazendas a monotonia do aglomerado urbano, só fazendo maiores deslocamentos para a cidade quando havia os dias de feira, novenário ou datas festivas. Essa tranqüilidade foi quebrada ao surgir inesperadamente, a estiagem de 1877-1879, três anos seguidos de uma terrível escassez de chuvas de inverno, que teria dizimado cerca de 4% (mais de meio milhão de vidas) da nossa população nordestina. Isto ocorreu devido à total falta de preparo das autoridades para enfrentar o problema. A morte por fome converteu-se em personagem principal, de um espetáculo macabro, impressionante, onde se viam famílias mortas pelos caminhos inaptos do sertão, um holocausto, equivalente a muitas guerras. Foi esse período conhecido como “seca grande”, que motivou o Império a tomar as primeiras medidas para “combater” os efeitos das estiagens no Nordeste. Essa “seca grande” também deixou uma triste história para a cidade de Pombal.

A CRUZ DA MENINA DE POMBAL (MARIA 1872 + 1877)

Suplício e cena hedionda de antropofagia lembra A Cruz da Menina de Pombal, a qual está registrada no inquérito processual com apenas um nome: Maria, uma referência comum à mãe de Jesus Cristo nos sertões nordestino. Pois bem, essa Criança Mártir, vem se perpetuando no tempo e no espaço, como um desígnio dos céus, especialmente quando se observa que já se passaram 129 anos da sua morte, sem, no entanto, se conseguir apagar a sua lembrança, caracterizando-se como um verdadeiro marco histórico e religioso para os seus conterrâneos pombalenses. As narrações que se faziam da sua breve e desventurada passagem pela vida, vinha sendo repassadas de boca em boca, até que, no início dos anos de 1960 oficializaram-se os fatos, momento em que o historiador Wilson Seixas encontrou nos arquivos do cartório do 1º ofício da nossa cidade, parte do processo contra a mulher Donária dos Anjos, que no período da famigerada seca de 1877 foi presa e quando interrogada, alegou em sua defesa que para não morrer de fome, matou a criança e comeu-lhe a carne.

“É um caso de antropofagia, cuja cena se passou nesta cidade de Pombal, em 27 de março de 1877, o que justifica, de certo modo, a indignação e a repulsa que deve ter causado aquela desoladora cena no meio da população local”, comentou Seixas.

O Jornal estadual O Publicador, de 24 de abril de 1877, noticiou:

“A 27 de Março próximo findo a retirante Donária dos Anjos encontrou na casa do mercado da cidade de Pombal a menor Maria de cinco annos de idade, levou-a com o maior carinho para sua casa, próxima ao cemitério; ahi chegando, decapitou a mesma menor, enterrou a cabeça e comeu a carne do corpo da sua victima! Presa, Donária confessou este horroroso crime.

Está sendo processada pelas autoridades da cidade”.

O inquérito com os fatos verdadeiros, a fim de apurar a responsabilidade do ato criminal e insanidade mental da jovem que praticou o crime, assim foi descrito:

“O Promotor Público da Comarca de Pombal, usando da faculdade que lhe confere a Lei, vem perante V.Sa., denunciar a Donária dos Anjos, pelo fato que passa a expor: chegando a denunciada, com a sua vítima, em seu antro, matou-a por meio de sufocação, decepou-lhe a cabeça, reduziu o corpo a diversos pedaços de carne, cozinhou parte deste, que comeu, guardou outros em uma moita onde foram devorados pelos cães. Num riacho que passa a pouca distancia do Cemitério, enterrou, à sombra de uma oiticica, a cabeça de sua desditosa vítima, que foi exumada”.

A Menina Maria, com apenas cinco anos de idade, com certeza estava procurando algo para comer, em frente à Casa do Mercado, localizada na antiga Rua do Comércio, a qual estava desabastecida por falta de víveres. Em sua distração, Maria estava a brincar com outras crianças, quando foi levada para o local do crime, com a promessa de receber algum alimento para saciar sua fome.

No rigoroso interrogatório que o Juiz mandou proceder, a ré Donária dos Anjos, ainda declarou sobre o seu ato de loucura:

“Que era natural do termo Piancó e ali residia, mas que se achava nesta cidade, quando foi presa, para onde se tinha retirado por causa da seca. Respondeu ter 18 anos de idade e que cometeu o crime oprimida pela grande fome que a afligia, e que se achava arrependida de o ter praticado”.

Da Menina Maria, foi preservada sua cabeça, mãos e pés (“por serem amargos”). O destino final e a história de vida de Donária dos Anjos, é incerto, sabe-se que foi condenada e permaneceu presa por um tempo indeterminado na Cadeia Velha de Pombal, hoje Casa da Cultura. Depois, debilitada e com sintomas de loucuras, devido às conseqüências dos infelizes anos de fome que a afligiu, passou a viver emocionalmente perturbada pelo remorso do horrendo crime que praticou, depois, com o tempo foi solta, momento em que retornou ao município da sua terra natal, aonde naturalmente veio a falecer, marcada pelo resto da vida pela barbárie cometida.

A seca de 1877-1879 reduziu os sertões da Província no mais deplorável estado, foi algo de monstruoso, relatórios da época, entre outros fatos, registram:

“A miséria vai invadindo todas as classes da sociedade.

Dizem-me que tem morrido à fome muitas pessoas; em nossa casa tem entrado cadáveres ambulantes que só tem a pelle e os ossos.

Há pais que por sua miséria tem abandonado seus filhos, de sorte que as ruas vivem cheias de meninos e meninas no estado mais pungente que se pode imaginar. Há mulheres que vivem nuas e morrendo de fome...

Deus se compadeça desta terra, cheia de horrores e de desgraças.” (...)

INTERCESSÃO.

A inesperada escassez de chuvas de inverno, iniciada no ano de 1877, continuava com suas irregularidades em 1879. Fome, miséria, morte, o imobilismo das autoridades públicas que nada ofereciam para mitigar a situação, fez um grupo de devotos se voltarem para os poderes dos céus. Contam que esse grupo saiu da Igreja em procissão noturna, com velas acesas, rezando, cantando benditos e ladainhas pelos arruados da cidade, depois tomaram os caminhos na direção da Cruz da Menina, em solicitude para a volta das chuvas de inverno. Lá chegando todos se ajoelharam, momento em que rezavam e pediam a intercessão da Menina Maria para minimizar os efeitos da trágica seca, que se alastrava por todo o sertão. Era uma noite escura do final de dezembro de 1879, surpreendentemente, em meio às preces iniciou-se uma forte chuva com relâmpagos e trovões, apagando todas as velas, o que não impediu dos devotos continuarem contritos em suas preces, naquele instante, já uns impressionados com o fenômeno, outros ligeiramente assustados, alguns emocionados, chorando, sem entender aquela bendita chuva repentina. As águas caindo do céu, em meio aos relâmpagos e trovoadas, traziam o vento noturno de longe, que passava forte entre galhos e folhas de uma frondosa oiticica ali próxima, balançando a grande árvore, como quem dando uma resposta às preces dos piedosos religiosos, ao mesmo tempo, parecendo anunciar o prenúncio de um bom inverno, o que realmente aconteceu a partir do mês seguinte, janeiro de 1880. Ressalta-se que a repentina chuva, depois amenizada em forma de neblina, se prolongou por grande parte daquela inesquecível noite. O fato deixou impressionado a todos que estavam ajoelhados ao pé da Cruz de Maria implorando a bênção das águas, especialmente quando lembraram que a Menina, de forma trágica, havia dado sua vida para salvar outra vida, agora, naquele instante, ela misericordiosa, parecia ter intercedido a Deus compassivo, a ofertar, pela força da natureza, novas esperanças a aquelas criaturas sofridas, aflitas e desesperançadas do nosso sertão nordestino. Essa manifestação é considerada como à primeira graça alcançada ao pé da Cruz da Menina, para glória e fé dos devotos, que dias depois, começaram a conviver com a terra molhada, com o esplendor do verde da natureza em toda sua plenitude, ocasionada pela volta das precipitações pluviométricas e do bom inverno que se iniciava.

Alguém interpretou as águas da chuva como sendo lágrimas do sacrifício da Menina Maria, os relâmpagos, a luz de um novo amanhecer, os trovões, o despertar de todas as esperanças, sem os sofrimentos vividos até então.

HOJE, o tempo intercala um período de 129 anos do martírio da Menina, um falecimento trágico, onde as condições climáticas desfavoráveis da grande seca de 1877 decorreram a fome, a miséria, levando ao extremo de ceifar uma infância em flor de forma tão violenta. Apesar da morte, do suplício, da cena repulsiva de antropofagia, isso não impediu o perdão espiritual da criança, especialmente quando se verifica que por sua intercessão tem ocorrido manifestação de conforto emocional e atos de benevolência em favor daqueles que a procuram por meio de orações, desde os primórdios de 1880, conforme relatos de muitos devotos. Uma segunda dádiva é quando testemunhamos que mais de um século depois, o tempo não conseguiu apagar a sua imaculada memória, como uma bênção de Deus, o seu reduto se mantém um paraíso de simplicidade, a pureza de uma criança, fé e graças concebidas, a exemplo das narrações prestadas por algumas mulheres, quando em visita ao local:

M.S.A, 56 anos de idade, moradora do bairro da Estação, doméstica, tem no coração Nosso Senhor Jesus Cristo e nas orações diárias, a Cruz da Menina, ela comenta: “Para alcançar uma graça é preciso ter fé, pedir com resignação, rezar com amor, eu fui merecedora e guardo isso no coração. Conheço outras pessoas que foram agraciadas ao pé da Cruz da Menina. Tem gente que chega aqui, vão ao Pedestal e colocam a mão, em prece de agradecimento, ficam rezando baixinho, cabeça baixa, os olhos fechados... já vi mulheres chorando. Eu acredito que isso é para agradecer uma graça alcançada. Algumas pessoas vem apenas rezar, nada pede. A Menina morreu martirizada, então elas vem rezar porque tem a lembrança do sofrimento da criança. Quem visita o lugar, eu acredito que a Cruz da Menina passa um sentimento de bem estar, compaixão e graça. Ela me conforta, por isso eu a tenho nas minhas orações diárias”.

A moradora S.M. da S., 60 anos de idade, doméstica, moradora do bairro dos Pereiros, devota, proclama a todos os cantos o seu amor a Deus e lembra a Menina com fé, não sabe como expressar sua gratidão pelas benevolências recebidas, ela diz: “Eu vivia uma vida de aflição, aperreio e cheia de desengano, os remédios que eu tomava não adiantavam de nada, era mesmo um tormento, nervosismo. Com muita fé fiz uma promessa junto à Cruz da Menina para me tranqüilizar, aos pouco fui me acalmando, hoje não sinto mais nada, sou feliz com a vida e com as pessoas, não sei como agradecer. Eu acredito que a Cruz da Menina fortalece a nossa fé, é um lugar pra pessoa rezar, fazer orações, lembrando da dor e do sofrimento que ela passou. Também rezar para os pobres, o conforto da nossa família, as pessoas que a gente gosta, outras que estão em sofrimentos, dessa forma todo mundo fica em paz com a vida. Tem gente que chega aqui e acende uma vela, coloca uma flor, faz uma oração e vai embora. É uma forma de gratidão pelas graças concebidas”.

São vários os depoimentos, mas selecionamos apenas dois, por questão da composição do espaço e, notoriamente, por serem expressivos.

A verdade é que A Cruz da Menina Maria tem uma grande importância histórica e religiosa para o nosso Município, um Relicário que deve ser urgentemente preservado. Impressiona que passados mais de 129 anos da cruel fatalidade, o lugar ainda se mantém fora de uma estrutura aprimorada, está exposto ao sol, vento, chuva e a degradação de populares.

LOCALIDADE.

A Cruz da Menina encontra-se nas proximidades da antiga Estação do Trem, também, do Cemitério Nossa Senhora do Carmo, no Bairro da Estação, distando 750 metros da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

O crime ocorreu na localidade onde está erguido o Pedestal, próximo de um riacho que antigamente passava ali, (hoje servindo como galeria de captação de águas poluídas), se destacando em uma de suas margens, frondosa arvore de oiticica, na qual ficou “arranchada” e depois foi presa à desditosa Donária dos Anjos. No local onde sepultaram a Menina Maria, nossa Criança Mártir, os moradores amontoaram pedras e colocaram uma Cruz, que era sempre renovada quando apresentava desgaste, até que, em 1948, “dona” Dalva Carneiro Arnaud – irmã de Ruy Carneiro – fez uma promessa com a Menina, cinco dias depois alcançou a graça, então, sensibilizada e agradecida, mandou construir o Pedestal em alvenaria com a Cruz de madeira no alto, tendo o cuidado da construção ser no exato local onde foram enterrados os restos mortais da infortunada criança, indicado pelas pedras que vinham sendo amontoadas de gerações por gerações, desde os primórdios de 1877. A Cruz de madeira, exposta ao desgaste do tempo, vêm sendo substituída ao longo dos anos.

SITUAÇÃO ATUAL

Está a Cruz da Menina em uma área de aproximadamente 150m2, circundada por uma calçada em paralelepípedos, um espaço livre, sem nenhuma proteção de acesso. No entorno do Pedestal existem pequenos canteiros de flores e árvores plantadas, em desenvolvimento. Em memória da Menina, ainda não existe uma placa que registre um pouco da sua história ou a data do trágico fato ocorrido. Da construção, o Pedestal da Cruz conserva suas características originais, onde é comum, em sua base, os moradores do lugar depositarem rosas e ramalhetes de flores colhidas na redondeza, colocadas ali por agradecimentos ou zelo. Também, observa-se, quase que diariamente, velas que foram acesas por pedidos alcançados ou na esperança de uma solicitude a ser concebida.

De automóvel ou caminhando, o acesso a Cruz da Menina é bom durante todo os meses do ano.

DATA REFERENCIADA

Dia 27 de Março, é o aniversário de morte da Menina Maria, dia consagrado a sua trágica história de vida, ressurgida em preces e graças alcançadas por seus devotos ao longo dos anos. Que essa data seja uma eterna lembrança da nossa pequena conterrânea mártir, um dia de momentos de orações em sua memória, para gloria do Deus Pai.

Fonte de Pesquisa.

A Paraíba e Seus Problema – José Américo de Almeida – 1ª Edição – 1923.

O Velho Arraial de Piranhas (Pombal) – Wilson Seixas – 1ª Edição – 1962.

Conversando com Coronel Arruda – 1988.

Conversando com Zélia Carneiro Arnaud Seixas e Claudia Fontes – 2005.

Conversando com moradores das proximidades da Cruz da Menina – 1988/2005/06.

Síntese Histórica das Três Datas de Pombal-PB



Fundação

Em 1695, o capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo encontrava-se nos sertões das Piranhas, no lugar conhecido como Arraial do Pinhancó (hoje cidade de Pombal), na tentativa de fundar uma povoação. O grande impedimento eram os índios tapuias, das tribos Tarairiús - Coremas e Paratis, que habitavam a região. Teodósio, em 1697, viajou a capital da Província e solicitou ao governador Manoel Soares de Albergaria, soldados, mantimentos, armas e munições para expulsar os índios do lugar. Atendido, Oliveira Ledo retornou e consegue “bom sucesso” frente aos indígenas, e funda em 27 de julho de 1698, a Povoação de N. S. do Bom Sucesso do Pinhancó; há 308 anos.

Vila e Emancipação Política

Em 04 de maio de 1772, foi à Povoação do Pinhancó elevada à categoria de vila, com a denominação de Vila Nova de Pombal, em homenagem a cidade portuguesa de mesmo nome. Na mesma data, ocorreu a criação da Câmara de Vereadores e sua Emancipação Política, sendo indicado para administrar a vila o capitão-mor, Francisco de Arruda Câmara. O nome Vila Nova de Pombal, diz respeito à Carta Régia de 22 de julho de 1766, que orientava os administradores de vilas a denominá-las com nomes de localidades de Portugal. É engano pensar que o nome Pombal é em homenagem ao Marquês de Pombal, inclusive, no século XVIII, ainda não estava em moda esse tipo de homenagens aos governantes. O ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marques de Pombal, foi quem orientou El-Rei Dom José I assinar a Carta Régia. Na época, foram criadas várias vilas, a de Pombal veio primeiro que todas as outras, porque era a mais importante, estando sobre extensíssimo território; há 234 anos.

A Cidade

Em 21 de julho de 1862, a vila foi elevada à categoria de cidade, com a denominação de Cidade de Pombal, por sugestão do Dr. Augusto Carlos de Almeida e Albuquerque, sancionada pelo Presidente da Paraíba, Francisco de Araújo Lima. Na época, as edificações residências não passavam de cem casas, formando três ruas: a do Comercio (hoje Coronel João Leite), a Rua do Rio (hoje Coronel José Fernandes) e a de São Benedito, situada ao sul, dando formação ao antigo largo do Bom Sucesso. Pombal tinha ainda: A Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, depois denominada de Nossa Senhora do Rosário, Casa do Mercado, um Cemitério, a Casa da Câmara e a Cadeia; há 144 anos.

Portanto, em 2006 Pombal completa:

308 anos de Fundação

234 anos de Vila e Emancipação Política

144 anos do seu aniversário como Cidade

Verneck Abrantes – ano 2006.

Resgatando nossa história - Série: Nossa história, nossa gente.

Nº 01 – A Cadeia Velha de Pombal

Nº 02 – A Cruz da Menina de Pombal

Nº 03 – A Cabocla Maringá

Nº 04 – A Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Pombal

Governador anuncia investimentos em saúde para Patos e Pombal

Maranhão assinará dia 23 ordem de serviço para a retomada da construção da maternidade de Patos

No próximo dia 23 de novembro, o governador José Maranhão assina, em Patos, a ordem de serviço para a retomada da construção e ampliação da maternidade daquela cidade, obra orçada em R$ 3,9 milhões. “Nesse mesmo dia estaremos assinando também o compromisso para ampliação do Serviço de Hemodiálise do Hospital Regional de Patos”, anunciou Maranhão na manhã desta terça-feira no programa de rádio Palavra do Governador.

Atualmente existem 15 máquinas de hemodiálise. Serão implantadas mais cinco máquinas, totalizando 20 unidades. Além disso, o Governo também vai inaugurar a unidade de tratamento de água para a hemodiálise. Ainda no dia 23, o governador assinará a humanização do atendimento de emergência no Hospital Regional de Patos.

A agenda do governador José Maranhão também inclui visita no mesmo dia 23 a Pombal para assinar a ordem de serviço de ampliação do Hospital Regional de Pombal, obra com previsão de investimentos da ordem de R$ 2,5 milhões. “O hospital está precisando, efetivamente, desta ampliação para oferecer um serviço mais eficiente qualitativa e quantitativamente, revelou Maranhão.

Os benefícios para a Maternidade de Patos e o Hospital Regional de Pombal estão incluídas no programa do Governo Maranhão de reformar, ampliar ou concluir 30 hospitais que tiveram as obras iniciadas na segunda gestão do governador Maranhão e paralisadas no governo passado.

Josélio Carneiro, da Secom

“Matinê no Cine Lux”, por Antonio Dantas Maniçoba

Eu e os de minha geração que vivenciamos a infância em Pombal, tínhamos aos domingos como lazer, invariavelmente, tomar banho no Rio Piancó pela manhã e assistir às matinês à tarde, com direito a saborear um delicioso picolé de morango na sorveteria que ladeava o Cine Lux.

Era conveniente que chegássemos cedo, não só devido às grandes filas que se formavam nas bilheterias, mas também para garantirmos um bom lugar, este estrategicamente escolhido atrás de uma cadeira onde estivesse sentado um baixinho. Como se sabe, nosso cinema tinha cadeiras de madeira maciça e o piso apresentava pequena inclinação. Sentar atrás de um “galalau” era perder o filme na certa.

Costumávamos, eu e o mano Queço, irmos sempre conferir os cartazes dos novos filmes que seriam exibidos, para selecionar quais seriam interessantes para assistirmos. Na época não havia essa facilidade de agora, onde as sinopses informam tudo. Tínhamos que interpretar o que as pequenas fotos nos cartazes queriam dizer sobre os filmes.

Nossa preferência versava sobre faroestes e filmes de Tarzan, passando pelos épicos. Infelizmente o leque de opções não era grande, mas nos deliciávamos com filmes como O Dólar Furado, Meu Nome é Pecos, Spartacus e outros mais do gênero. Aprendemos, porém, que se um filme era produzido pela MGM (a do leão rugindo), ou pela CONDOR FILMES (a do condor batendo asas), já era um indicativo de uma boa matinê.

Lembro que nos filmes da Condor, quando iniciava a apresentação da película, sempre algum gaiato de plantão começava a gritar Xô, Xô, Xô, e o condor (símbolo da produtora) batia as asas para alçar vôo, fazendo a platéia sorrir da gozação.

Muitas vezes só se dispunha de filmes ruins, como aqueles faroestes mexicanos com o Miguel Aceves Mejia, que invariavelmente terminava com este cantando a melosa “La Malagueña”. O mano Queço saía das sessões injuriado: “Como pode um faroeste terminar em música? A gente quer ver é muito tiro e perseguições!”. A verdade é que me deliciava com os falsetes da voz do inesquecível Miguel.

Mas tínhamos de assistir o que seu Afonso Mouta colocava nos domingos à tarde. Afinal, ir a uma matinê no Cine Lux era sempre mais prazeroso que o próprio filme em exibição.

Hoje, em minhas constantes passagens por minha terra natal, olho o que restou do antigo cinema e minha alma é invadida por um misto de melancolia e saudosismo. Quem foi o responsável pela eliminação de um marco na infância de toda uma geração de pombalenses?

Antonio Dantas Maniçoba, natural de Pombal, é professor da UFMA, Msc Eng Elétrica e Bel em Direito, residindo atualmente em São Luís-MA.

SENADOR RUY CARNEIROR SUA HISTÓRIA SUA VIDA


PARTE I de IV

Ruy Carneiro nasceu no alto sertão da Paraíba, na cidade de Pombal, filho de João Vieira Carneiro, rábula e Maria Carvalho Carneiro; Dona Sinhá que teve, alem de Ruy, mais dez filhos, nas horas vagas tocava violão. Até os 10 anos de idade, o inquieto jovem Ruy não se interessou pelas canções de sua mãe ou pelas causas do seu pai. Sentia-se irresistivelmente atraído pela igreja de Nossa Senhora do Rosário, pela Cadeia Pública de Pombal e pelas águas do rio que corria por trás da sua casa, onde apreendera nadar.
Religioso, de manhã cedo, aos primeiros raios de sol, o menino Ruy já estava na portada Igreja, esperando que a zeladora abrisse as portas para que ele pudesse fazer suas primeiras orações.
Na Festa do Rosário, Ruy ajudava a transportar o andor que conduzia São Benedito, noutros momentos lá estava ele, na porta velha cadeia, conversando com os presos. Foi neste clima bucólico da cidade do interior, que o menino Ruy Carneiro cresceu e de onde só saiu aos 17 anos para estudar, primeiro em Campina Grande e mais tarde em João Pessoa. Ele dizia que queria conhecer mar.
Casado, sem filhos, com Alice de Almeida Carneiro, esposa exemplar, a quem dedicou ao mais profundo respeito e afeto e a mais completa admiração. Dona Alice, como era chamada foi, para Ruy Caneiro uma pilastra. A mulher por trás do homem e do político. Não se pode lembrar Ruy Carneiro sem levar em conta esta grande mulher, da qual falaremos ao final destas anotações.
Ruy Caneiro fez seus primeiros estudos na cidade de Pombal e em Catolé do Rocha, onde foi aluno venerado do professor Celso Mariz. Depois freqüentou colégios em Cajazeiras, Campina Grande e João Pessoa, onde concluiu o curso secundário no Liceu Paraibano. Freqüentou a Faculdade de Direito do Recife e se diplomou em 1927, data que coincidia com o Centenário da Fundação do Curso Jurídico do Brasil.
Em todas as transições da vida republicana, de que foi testemunha ou personagem desde 1927, quando se bacharelou, até quando morreu, Ruy vivenciou grandes dramas e duras realidades, atendendo, sempre, à intervenção oportuna e por isso mesmo captando, em seu Estado, as impulsões do "inconsciente coletivo" para transformá-las, se possível, em parte da história.
Também formado em jornalismo, curso concluído antes de tornasse bacharel em Direito, ainda moço militou na imprensa paraibana, chegando a dirigir um jornal da família.
Aprendera com o pai, João Vieira Carneiro, o conhecido "Joca", rábula na velha Pombal, o gosto pela vida partidária, fazendo política ao lado de José Queiroga, o chefe da corrente "Epitacista", em oposição aos "Perreristas".
O velho "Joca" Carneiro adquiriu um jornal de 4 páginas, o Correio da Manhã, que mal sobrevivia na capital, entregando-o ao seu genro, o Jornalista Rafael Corrêa de Oliveira. Ruy Carneiro estudava no Lyceu Paraibano os preparatórios para ingressar na Faculdade de Direito do Recife, mas, atraído pela imprensa, adiava sua decisão. Assistindo, certa. feita, a convite de Salviano Leite, à eleição do Centro Acadêmico da Faculdade, empolgado pelo que viu, resolveu voltar a estudar. Ingressou na tradicional Escola, onde se formaria em 1927, na turma do centenário da criação dos cursos jurídicos no Brasil. Formado, continuou jornalista, substituindo Rafael Corrêa de Oliveira, seu cunhado, que assumira uma função no Executivo Federal. Impôs ao Correio a sua linha e ligou-se ao grupo mais intelectualizado da cidade liderado por João da Matta, conhecido advogado e fundador do Partido Progressista da Paraíba, falecido, prematuramente, acidente automobilístico.
Apoiado, por uma turma de jovens idealistas paraibanos, e como Diretor do seu jornal, fez a campanha da Aliança Liberal se engajando na Revolução de 1930, como ajudante de ordens do então Capitão Juarez Távora e em seguida do então Tenente Juracy Magalhães como lº Tenente, até o término da Revolução, quando foi desmobilizado e voltou à Paraíba, à direção do seu jornal Correio da Manhã.
Logo engajou-se Ruy nas conspirações da Aliança Liberal apoiando o Presidente João Pessoa, que dominava a rebelião de Princesa, acolitada pelo Poder Central e chefiada por José Pereira. Lançado o nome do grande paraibano, na chapa de Getúlio Vargas, como candidato á vice-presidente da República, o jornal de Ruy Carneiro se atirava à campanha, sob a liderança de José Américo, então Secretário do Interior e Segurança, que assumira o comando civil, enquanto Juarez Távora conspirava na tropa, como chefe militar da sedição no Nordeste.

SENADOR RUY CARNEIRO
PARTE II de IV


Deflagrado o movimento, Ruy foi convocado pelo Tenente Juracy Magalhães como seu ajudante-de-ordens, com ele marchando até a Bahia. Vitoriosa a Revolução, regressa à Paraíba.
Nessa época em 1931, transferiu-se para o Rio de Janeiro em virtude de ter sido convocado pelo Ministro José Américo de Almeida para assessorá-lo como Oficial de Gabinete no então Ministério da Viação e Obras Públicas.
Getúlio convoca Juarez para o Ministério da Viação que o jovem Capitão aceita, provisoriamente, por instâncias de Osvaldo Aranha. Empossa-se, vai à Paraíba, para, em nome de Vargas, convidar José Américo a ocupar aquela Pasta, como representante do Norte e do Nordeste.
Ruy Carneiro ocupa o lugar de Oficial de Gabinete do Novo Ministro da Viação e Obras Públicas, até 1934, quando Marques dos Reis, igualmente seu amigo, assume a Pasta, conservando o Chefe de Gabinete do antecessor. Os cinco anos de exercício dessa alta função de confiança fizeram com que Ruy Carneiro expandisse o seu círculo de relações na Capital da República, familiarizando-se com as figuras mais expressivas da política nacional.
Depois da Revolução Paulista, convoca-se a Constituinte de 1934. O Partido Progressista da Paraíba inclui o nome de Ruy Carneiro na chapa de Deputados Federais e, apesar de ausente da campanha, este obtém a primeira suplência, assumindo o mandato em 1935, com a renúncia de Isidro Gomes.
Getúlio Vargas fecha o Congresso em 1937 e Ruy, sem a Câmara, resolve retornar à Paraíba.

Ruy Carneiro era um sertanejo típico, na maneira afável com que a todos recebia em sua casa, na simplicidade de atitudes, no coração aberto às confidências, o que lhe garantiu sempre a preferencia do eleitorado paraibano, era católico praticante e conhecido por sua profunda devoção a Santo Antônio. Por 28 anos seguidos compareceu no dia 13 de junho à festa do padroeiro de Piancó. Deixava suas atividades até mesmo no exterior para não faltar com o compromisso que assumira consigo mesmo e com o seu padroeiro.

Desde os seus verdes anos e durante toda sua existência ocupando as mais importantes funções administrativas, a parlamentares e políticas, o Senador Ruy Carneiro sempre teve eminente uma lema ”servir sempre, sem saber a quem”.
Pela maneira de ser, ganhou o título de “Escavo Branco da Paraíba”. Em todas as ações, procurava., com a sensibilidade que possuía, alcançar em primeiro lugar as necessidades do povo mais simples e humilde, em quem confiava lealmente. Por essa confiança inquebrável é que o slogan de sua última campanha política era “FORTE É O POVO”
Ruy Carneiro honrou todos os cargos que ocupou exercendo com dignidade e zelo da coisa pública sempre fazendo administrações voltadas para atender ao homem, principalmente o sofrido povo sertanejo que o aprendeu a amar, o que era demostrado nas multidões que o acompanhava nos comícios, fosse na capital do Estado fosse nos mais distantes recanto da Paraíba.
Ruy Carneiro era um homem de um espirito publico incomparável, isto foi demostrado através das suas atitudes nos cargos em que ocupou. Foi chefe de gabinete do Ministério da Viação, quando José Américo de Almeida ocupou a pasta, e nesse cargo continuou na administração do Ministro João Marques dos Reis, que também o levou para secretário da Presidência do Banco do Brasil em 1937. Dessa importante instituição creditícia foi também advogado. Exerceu, ainda, a Superintendência da Organização Henrique Lages, a Diretoria da Companhia Nacional de Navegação Costeira, a Superintendência do Banco Lar Brasileiro, e foi membro do Conselho Acionário dos Diários Associados.

SENADOR RUY CARNEIRO
PARTE III de IV


Ruy Caneiro nasceu dentro de uma família de políticos. Seu irmão Janduhy, eleito Deputado Federal em oito sucessivas legislaturas, e que muitas vezes presidiu as Comissões de Saúde e de Orçamento da Câmara Federal onde também foi relator de importantes matérias. Era primo do brioso orador o Doutor Alcides Carneiro, que por suas oratória ficou conhecido com o “O Patativa do Norte”, primoroso tribuno parlamentar Jurista.
Diante dele, não resistiam as barreiras partidárias. Sua personalidade envolvente atraía correligionários e adversários. Nunca sustentou condições adversas ao diálogo. Foi sempre um homem aberto ao diálogo e nesse aspecto guardou até o último de seus dias o estilo de sua formação política.
Na campanha presidencial da UDN, em I945, o Brigadeiro Eduardo Games e Carlos Lacerda chegaram a João Pessoa, à frente de numerosa comitiva. Empenhavam-se os udenistas em promover grande concentração popular. Ruy, oferecendo todas as garantias aos adversários, a despeito da tensa disputa eleitoral, disse a Carlos Lacerda: "Faça o comício aqui, na Praça. João Pessoa, e utilize estas sacadas do palácio como sua tribuna”.
Pouco depois o grande orador e jornalista diria, no Rio de janeiro: "A Paraíba é um oásis de democracia:'.

Ruy Carneiro foi escolhido Deputado Federal em 1934, pela legenda do Partido Progressista (PP), agremiação criada depois da Revolução, exerceu as atividades parlamentares até 1937, quando o golpe do Presidente Getúlio Vargas fechou o Parlamento.

Nesta época ele estava integrado a vida bancária. Novo ambiente, novas amizades e responsabilidade. De lá vai buscá-lo Getúlio, em 1940, a fim de substituir Argemiro Figueiredo, como Interventor na Paraíba.
A Presidência do Banco do Brasil, concordou com o seu afastamento provisório, a fim de assumir o Governo do Estado da Paraíba para o qual fora nomeado pelo Presidente Getúlio Vargas, cargo que exerceu até 16 de setembro de 1945, quando solicitou exoneração a fim de voltar às suas atividades no Banco do Brasil, tendo sido substituído na interventoria da Paraíba, pelo Dr. Samuel Duarte, que ocupava o cargo de Secretário do Interior e Segurança Pública do seu governo.
À frente do Governo do Estado da Paraíba, como Interventor Federal, teve ensejo de demonstrar suas qualidades de administrador, pelo acervo de obras que realizou na Capital e no interior, valendo destacar a orientação do seu Governo no setor econômico, que a despeito das obras realizadas, reforma do ensino pelo Professor Lourenço Filho e Dr. Pedro Calheiros Bonfim, o orçamento do Estado sempre se manteve equilibrado dando saldo positivo durante toda a sua administração, salvo em 1942, em conseqüência da Guerra Mundial, que não permitia a exportação dos produtos do Estado, e da seca que naquele ano ocorreu no Nordeste, sendo uma das maiores de todas as épocas.
No seu governo Ruy Carneiro , a Paraíba viveu um período de paz, de ordem administrativa, de desenvolvimento econômico e cultural, dentro das reduzidas possibilidades econômica que o erário permitia. Ruy Carneiro montou uma equipe competente, que soube muito bem administrar, elevando bem alto o nome da Paraíba, pela dignidade, pelo civismo, a ela devotada.
Neste período foram ampliadas escolas urbanas, construídas escolas rurais, 106 de uma só vez; foi também no governo de Ruy Carneiro que pela primeira vez os alunos das escolas paraibanas tiveram o direito a merenda escolar. Naquela época, havia a precariedade em instalações escolares, não só de material didático como de elementos acessórios. As escolas sequer dispunham de relógios para orientação de professores e alunos; a bandeira brasileira era pintadas nas paredes para culto cívico da criançada; para a prática esporte não havia nem uma bola de pano; farda escolar era o grande problema para a meninada pobre que não podia confeccioná-la; e, como problema maior, a evasão escolar provocada pela fome das crianças.




SENADOR RUY CARNEIRO
PARTE IV de IV


Foi que, com a ajuda da primeira dama dona Alice Carneiro, então Presidente da LBA, o governo de Ruy Carneiro começou criando recursos para a merenda escolar nos grupos escolares. Criou campos de voleibol, gabinetes dentários, doou relógios e bandeiras às escolas, mudando o cenário precário da educação no Estado.
Ao presidente Getúlio Vargas foi ele extremamente fiel, até a última hora, uma vez que a mais forte característica do seu temperamento era a fidelidade aos amigos, que quando tinham defeitos, ele procurava desconhecer, mas cujas virtudes sempre encontrava chances de exaltar.
Após deixar o Governo, em setembro de 1945, e antes de voltar às suas atividades no Banco do Brasil, assumiu a Presidência do Partido Social Democrático por ele e seus amigos organizado naquele Estado, cargo que ocupou ininterruptamente até o ano de 1965 quando após a Revolução foram os Partidos dissolvidos.
Já afastado do Governo da Paraíba, em 1946 foi condecorado com a Medalha de Esforço de Guerra, pelo Marechal Mascarenhas de Morais, Comandante da FEB, considerando a colaboração prestada pelo Senador Ruy Carneiro, na direção dos destinos do seu Estado, durante o período da Guerra.

Em 1950, elegia-se pela primeira vez Senador, tendo tomado posse da mesa em 10 de março de 1951 ocupando a Vice Presidência da Comissão de Legislação Social e da Comissão Especial de Estudos dos Problemas das Secas do Nordeste, além de ser membro das Comissões de Constituição e Justiça, de Serviço Público Civil, de Estudos dos Projetos de Reforma constitucional numero 1 e 2, em 1958, de Estudos dos Projetos das leis de Consolidação do Trabalho e de Estudos da Lei do Inquilinato.
Reeleito senador em 1958, sempre pelo partido Social Democrático, que presidia na Paraíba, assumiu a Presidência da Comissão Permanente do Polígono da Seca. Em 1966, desta feita como presidente do novo partido político, o Movimento Democrático Brasileiro, conquistou novamente o mandato senatorial, quando assumiu a segunda vice presidência do Senado Federal, de 1971 a 1972, e, em 1973, era vice presidente da Comissão do Distrito Federal e membro das Comissões de Assuntos Regionais e de Finanças.
Em 1974 o povo paraibano outorgou, pela quarta vez, o mandato de senador, fato inédito na história daquela casa do parlamento brasileiro, o que motivou uma sessão das mais comovedora, toda ela dedicada a manifestações elogiosas dos seus dignos e eminentes pares. Na legislatura de 1975 / 1979 ele era e suplente de Mesa Diretora do Senado, membro titular da Comissão de Finanças e suplente da Comissão de Legislação Social.
No exterior, Ruy Carneiro exerceu várias missões do Executivo, além de participar de delegações do Poder Legislativo.
Em 1953, foi Delegado do Brasil à Conferencia da União Interparlamentar em Washigton. Em 1957. Delegado do Brasil na 46º Conferencia Interparlamentar em Londres; em 1961, membro da Delegação que visitou os Estados do Arizona, Colorado, Califórnia e Oklahoma, a convite do governo dos Estados Unidos; no mesmo ano, representou o congresso brasileiro na Reunião da 16ª Assembléia das Nações Unidas; em 1964 foi designado pelo Líder do seu Partido, Senador Filinto Müller, para compor o Grupo Brasileiro à Conferência da União Interparlamentar, realizada em Copenhague - Dinamarca.; em 1970, participou do Grupo Brasileiro à Conferência Interparlamentar em Haia, tendo sido em 1971, membro da delegação do Brasil à V Assembléia do Parlamento Latino Americano, em Caracas na Venezuela, entre os dias 22 e 27 daquele mês. Ao regressar desta missão, o Senador paraibano em pronunciamento ao Plenário, discorreu sobre os trabalhos realizados naquela Assembléia do Parlamento Latino-Americano, sob a atuação da Delegação Brasileira.
Dos seus quase 50 anos de vida pública, trinta foram dedicados ao Parlamento, embora houvesse também exercido, mais de uma vez, funções executivas. Era homem de diálogo, com trânsito fácil em todos os partidos porque, na verdade, só tinha um compromisso: com o regime democrático representativo em com o aperfeiçoamento da vida pública.
Cumprindo um terço desse que seria seu último mandato, perdeu a esposa e pouco demorou a seguir-lhes os passo, reunindo-se àquela que além da política, fora a maior inspiração da sua vida.
No dia 20 de julho de 1977 a Paraíba, cobria-se de luto pela dolorosa perda do seu extraordinário líder, buscando consolo à sua dor, avivando na lembrança os gestos de grandeza humana praticados em vida pelo seu imbatível condutor.
Ruy Carneiro fez da vida pública um sacerdócio, e durante os seus quarenta anos de serviços à causa pública serviu com devoção, comandou sem arrogância, lutou com coragem, combateu com lealdade e, por isso, sempre venceu por méritos.
Religioso, chegou a ser místico e, embora jamais deixasse de acreditar na força e na consciência do povo, nunca prescindiu das bênçãos dos Céus, por ele sempre invocadas na grandeza da sua fé., adorno de sua formação cristã.
Não se tem noticias na historia da Paraíba de um cortejo fúnebre que tenha levado tanto gente a acompanhá-lo. Nem mesmo no sepultamento do Presidente assassinado, João Pessoa, se via tanto clamor nas ruas da capital paraibana.
Foi esta a forma encontrada que o povo da Paraíba encontrou para dizer, pela última vez, como pombalense era uma pessoa querida neste Estado.

JERDIVAN NÓBREGA DE ARAUJO

DA MORTE NÃO ESCAPA NINGUÉM

“Orai e vigiai, pois, não sabeis nem o dia e nem a hora”. Disse Jesus. Como é notório, todos chegaremos ao final de nossa existência, querendo ou não. É uma realidade transcendental pela qual todos passarão: ricos, pobres, agricultores, doutos, analfabeto , famosos, latifundiários, presidentes, generais, papas. Não escapa ninguém. Graças a Deus. Jesus, nas suas palavras supracitadas, queria dizer o seguinte: a morte é inevitável, por conta disso, preparem-se.
Infelizmente, neste mundo muitas pessoas vivem como se não fossem morrer. A cada dia que passa se preocupam mais e mais com status, beleza física, poder em todos os aspectos, notoriedade e com seus bens materiais. No tocante aos bens terrenos, vivem obcecadas, sempre pensando adquirir mais, ganhar mais, lucrar mais, para isso, passam por cima da ética, da moral, explorando os pobres,roubando , praticando todo tipo de corrupção. Para essa gente gananciosa, orgulhosa, vaidosa, vale a sentença bíblica: “Vaidade das vaidades tudo é vaidade”.Para esses semi-deuses, o que importa é o viver no aqui e agora. O pior, é que esse comportamento ilusório é praticado por pessoas que se dizem cristãs. São pessoas que muitas vezes freqüentam a Igreja ou o templo, rezam, lêem a Bíblia, se confessam , recebem a Eucaristia e louvam a Deus. Mais que hipocrisia desses cristãos. Jesus para eles diz: “Nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor será salvo”.
Nas missas de exéquias, faço questão de chamar a atenção dos cristãos para a brevidade da vida. E cito muitas expressões bíblicas, tais quais: “Não temos morada permanente neste mundo”; “Não dura muito o homem rico e poderoso; é semelhante ao gado gordo que abate”; “morrem os sábios e os ricos igualmente”; “morrem os loucos e também os insensatos, e deixam tudo que possuem aos estranhos”; “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”; “nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, num abrir e fechar de olhos” ; “nós porem, somos cidadãos do céu”; tudo aqui é efêmero....assim, penso preparar meus fiés para o último instante da vida e seu encontro definitivo com o Pai.
Percebo que muitas pessoas não levam em consideração a morte que virá, vivendo como se não fossem mortais.Coitados desses pobres humanos. Assim, vivem encasteladas no seu orgulho, vaidades, egoísmo, prepotência, apegada exacerbadamente aos bens materiais. Tanta gente de nariz empinado, que só pisa no chão por que é o jeito. Basta estar num carro novo, importado, ou morar numa mansão para empinar o nariz e desconhecer seus semelhantes, sobretudo quando se trata de pessoas pobres. Meu Deus do céu, pra que tanta besteira, tanto orgulho dessa gente granfina, que fede tanto quanto o pobre, o desvalido. Se o pobre tem dor de barriga, o granfino também tem. Tenho ojeriza a essa gente com esse comportamento anticristão, desumano. Dessa raça, quero distância. Tenho nojo.
Para que tanto orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ambição. Quantas pessoas, pelo fato de ganhar bem, morar em mansões, possuidoras de diplomas, de anel de ouro, ter bons empregos, ocupar cargos importantes na sociedade mal falam como os pobres, com os humildes, os pequenos, os descamisados ou excluídos dos seus direitos inalienáveis. Muitas vezes essa gente, que vai morrer, apodrecer, feder tem até nojo de pegar na mão dos seus seu semelhantes, pelo fato de serem pobres. Há patricinha ou mauricinho, que quando está no seu carro importado, mais parece um robô: empina o nariz, endurece a cara, e mal olha para as pessoas. Parece que não é mortal. Besteira das besteiras, tudo é besteira. Um dia a morte pega esses granfinos e sua carne vai apodrecer para a felicidade dos germes. Duvido que seu dinheiro, sua beleza física, seu anel de doutor venha em seu socorro. Essa gente pensa que não morre, que não tem julgamento por parte de Jesus, que disse: “Ai dos que maltratam os pobres”.
Uma coisa eu digo e sem medo de errar. O cemitério é o lugar onde todos moram bem coladinhos: pobres, ricos, doutos, gente importante de narizes empinados. Pensem num lugar, onde todos são iguais? Agora, o negócio não é no cemitério é na outra vida. Certamente, os pobres terão prioridade na casa do Pai. Lembremo-nos da famosa parábola do famigerado rico e do pobre Lázaro, contada por Jesus. Então, reflitamos, antes que seja tarde..
A morte é justa e vem para todos indistintamente. É o que diz o Salmo 48(49):
“Ninguém se livra da morte por dinheiro. Nem a Deus pode pagar o seu resgate; A isenção da morte não tem preço; não há riqueza que a possa adquirir, nem dar ao homem uma vida sem limites e garantir-lhe uma existência imortal. Morrem os sábios e os ricos igualmente; morrem os loucos e também os insensatos; e deixam tudo que possuem aos estranhos”.
Quero ver os figurões, os granfinos, os importantes, os mandões, os não me toquem, os narizes empinados escapar dessa. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. E eu não estou nem aí.

Padre Djacy Brasileiro

Transpor ou não? Eis a questão

Transpor significa mudar o curso do rio, o Rio São Francisco conhecido também como “velho Chico”, nasce em São Roque na Serra da Canastra em Minas gerais e sua foz é no Oceano Atlântico. O objetivo da transposição é que os estados como Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte também usufrua desse maior bem Água. É uma questão que precisa ser tratada com muito cuidado. De um lado está o governo defendo o desenvolvimento da agricultura irrigável. De outro os ambientalistas que defendem a permanência do rio como está, por ter este o seu curso no Semiarido inteiramente sobre regiões que apresentam como regra, afluentes com caráter temporário. Esse aspecto traria como conseqüência, uma redução de sua vazão no período de estiagem. Tese que não se sustenta porque as águas do Velho Chico vão para o mar. A opinião da Igreja Católica é contrária ao projeto. D. Luiz Cappio acredita que o governo está deixando cada dia mais claro as suas intenções. "Havia antes uma cortina de fumaça e propaganda enganosa, pois se alegava que o objetivo era dar água à população. Hoje, vê-se que o objetivo é favorecer o agro e o hidronegócio, a carcinocultura (produção de camarão) e o uso industrial".

Após explicação do assunto pela professora de Filosofia, Sociologia e Geografia, houve um debate entre todos os alunos do 2º ano “A” do ensino médio da EEEFM Joselita Brasileiro (Igaracy) e em seguida produziram textos argumentando se com a transposição das águas do Rio São Francisco, haveria melhoras no nordeste brasileiro?


As opiniões são bem variadas.

Será bom, pois irá trazer mais benefícios que problemas, e por que não tentar mudar a vida de pessoas que sofre com a falta de água? Mônica da França

Isso é um meio de desviar dinheiro usando o nome do rio. E quem garante que esse projeto chegará ao fim, ou seria apenas mais um dos projetos intermináveis do nosso país? Flávia Gomes

Melhoras haverá de qualquer forma, infelizmente, nem todos desfrutarão da mesma forma. Fábio Izael

Com a transposição das águas do Rio São Francisco não vai resolver o problema da seca no sertão. Pode haver outros meios de combater a seca no nordeste brasileiro. Josefa Geania

O valor da obra é alto... Vinte por cento do valor será dividido entre engenheiros e políticos. Emanuel Silvestre

A transposição vai ajudar a melhorar o nosso nordeste e minimizar a pobreza e a seca do grande sertão. Dayane Elioneide

É uma forma de levar mais água, e como água é vida, não podemos deixar faltar água. Edimael Carneiro

Esse projeto não trará tanto benefício, porque ele desgastaria muito o solo e causaria grande impacto ambiental. Rosineire Barbosa

Não haverá muitas melhorias no nordeste porque os mais privilegiados serão as pessoas de melhores condições financeiras e os menos favorecidos (pobres) ficarão de lado. Eliene Araújo

Causará sérios danos a natureza e beneficiarão alguns e não todos os nordestinos. Francinete Pereira

Vai melhorar muito o nordeste com a geração de empregos e acabar com a falta de água. Maria José




Texto: Fabiana Carla Gomes Barboza

Ricardo Noblat - Correio Braziliense trata das estratégias de Lula para 2010

ESTRATÉGIAS DE LULA

Brasília (Fato a Fato) - Artigo do Correio Braziliense, publicado no blog do renomado articulista Ricardo Noblat, mostra as estratégias de Lula para a campanha de presidente da República em 2010. A crônica é assinada pelo jornalista Alon Feuerwerker.
O detalhe que falta conhecer
O Palácio do Planalto torce para que Serra e Aécio não se entendam, e que um deixe o outro ao relento. Não é uma aposta no vazio. Nas duas últimas eleições, o PSDB esteve fraturado. Será diferente desta vez?

Por Alon Feuerwerker:

O otimismo exultante de Luiz Inácio Lula da Silva quanto a 2010 tem uma base real e um elemento de cálculo. O prestígio do presidente e a força política do governo são a base real. O elemento de cálculo é a necessidade de manter o pique e o clima até começar a “novela”, a programação eleitoral no rádio e na tevê.

A euforia em torno da candidatura de Dilma Rousseff é essencial para a travessia do deserto, para manter soldada a megacoalizão governista e assim evitar que pedaços venham a reforçar o outro lado. Se tudo correr bem para Lula, a oposição vai comer poeira no horário “gratuito”, numa proporção de 1 para 2. Terá metade do tempo dado ao governismo. Uma desvantagem e tanto.

Daí que nas últimas semanas Dilma tenha feito uma blitz. Aparições, reuniões, declarações. O script completo do candidato. Entre os comandantes da campanha, a esperança é subir uns pontinhos, de preferência abrindo vantagem confortável sobre Ciro Gomes. Uma folga suficiente para enterrar de vez os sonhos da candidatura no PSB.

Já a oposição vive a contagem regressiva para a escolha do nome, assunto que deve mesmo estar resolvido daqui até o fim do ano. O PSDB quer entrar janeiro com os exércitos em posição para a batalha. A oposição tem bons nomes e realizações a apresentar. Falta por enquanto o discurso. E falta a fórmula definitiva para enfrentar um desafio descrito originalmente nesta coluna em 3 de junho (“Barbas de molho”): como juntar o capital político que detém em São Paulo e Minas Gerais?

Porque, na essência, a aritmética continua a mesma desde então. Se o PSDB abrir uma vantagem de 2 para 1 em SP e MG, e se ganhar no Sul, cenários possíveis, o PT precisará tirar toda a diferença no Norte e Nordeste, considerando que o Centro-Oeste deve registrar equilíbrio. Um cenário de risco para a candidatura Dilma. Inclusive porque as áreas potencialmente mais inclinadas à oposição votam mais, registram menor absenteísmo.

Claro que os números podem flutuar. O PT pode ir melhor em SP e MG do que as previsões. E o PSDB não necessariamente vai ser massacrado no Nordeste. Em eleições, é prudente fazer uma separação clara entre análise e torcida. É preciso saber então se o PSDB terá tal capacidade de aglutinação interna, essencial também para a arregimentação externa.

No cenário ideal para José Serra, Aécio Neves aceitaria ser o vice. No mundo dos sonhos de Aécio, um Serra candidato à reeleição garantiria os votos paulistas para somar ao caminhão de apoio que espera receber em Minas.

O Palácio do Planalto torce, naturalmente, para que ambos não se entendam e que um deixe o outro ao relento. Não é uma aposta no vazio. Nas duas últimas eleições, o PSDB esteve fraturado. Será diferente desta vez?

HELDER MOURA - De voar pena

O noticiário de bastidores do final de semana prolongado trouxe uma informação que, se for verdade, poderá provocar um apocalipse no ninho tucano, que já anda em alta temperatura. Trata-se da possibilidade do ex-governador Cássio Cunha Lima bater chapa contra seu velho companheiro o senador Cícero Lucena na convenção do PSDB.Pelo menos é o que noticia o site Paraiba.com: “ O ex-governador disse, em conversas com correligionários e amigos, que poderá bater chapa na convenção estadual do PSDB em março do próximo ano, caso o senador Cícero Lucena, presidente da legenda no Estado, insista em manter a sua candidatura ao Governo nas eleições de 2010”.Como a informação, até o final da noite de ontem, não tinha sido desmentida, resta a impressão de que tem de fato um fundo de verdade. E, sendo verdadeira, pode ser realmente a consolidação da chamada operação cavalo de troia, em que o ex-governador ficando no PSDB tentará implodir, de dentro para fora, a candidatura de Cícero ao Governo.Alguns ciceristas, ouvidos ontem pela Coluna, admitiram ter conhecimento dessa informação e um deles inclusive chegou a observar: “Acontece que, além de ter o apoio da nacional do PSDB, Cícero está se prevenindo contra esse tipo de embate, por saber com quem está lidando”. Ou seja, o clima começa a ser de animosidade explícita.É um embate em que todos perdem. O ex-governador Cunha Lima, pode até não ficar sem legenda para disputar o Senado, mas corre o risco de comprometer sua candidatura, na medida em que tenta desgastar Cícero. Mesmo com todo favoritismo. Cícero também perde, pois tem a candidatura permanentemente questionada pelo fogo amigo. Aliás, nem tão amigo assim.

Tião detona Cunha Lima
O ex-deputado Tião Gomes até admite que o prefeito Elson Cunha Lima, seu adversário de três décadas, apoie a reeleição do governador Maranhão: “Apoio não se rejeita, não é?” Porém, arremata: “Mas, ele só foi se ajoelhar para Maranhão porque está cassado e quer escapar. Mas, ele tem DNA Cunha Lima, que é o DNA da traição e vai trair logo que tiver oportunidade”.
É tese
Tem uma tese nova na praça, pela qual o ex-governador Cássio Cunha Lima pode não ter deixado o PSDB, por haver dúvidas se ele continua com os direitos políticos cassados.

É o que dizem
Alguns juristas entendem que a inelegibilidade, para casos de cassação, começa a contar a partir do julgamento e não na data em que foi denunciado. Polêmica vai dar o que falar.

É obstinado
Já o deputado Artur Cunha Lima tem encontro em Brasília, nesta terça, com o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes. Vai defender eleições indiretas para governador.

É peso
O núcleo cassista espera, que enquanto o Supremo não julgar esse caso da Paraíba, alguns aliados podem ficar receosos de aderir a Maranhão, que já atraiu 37 prefeitos da sua base.

É moda
Em menos de 15 dias, residências de dois policiais federais e um músico foram invadidas por bandidos em João Pessoa. Os bandidos não apenas fizeram o rapa, como torturaram as pessoas.

É Vital
O cantor e compositor Vital Farias deve tentar a sorte novamente nas urnas de 2010, após trocar o PSol pelo PCB. Vital deverá disputar, mais uma vez, a senatória. Já está afinando o violão.

É Radical
Se Vital voltará a ser candidato, Antônio Radical, outro personagem emblemático de nossa política, vai estar de fora das disputas, pelo menos momentaneamente. Ele acaba de deixar o PSTU.

É demais
A notícia vazou em telejornais da Record e da Band. Da descoberta de uma quadrilha fraudando a Mega Sena utilizando truques como a mudança no peso das bolinhas. Tem gente bilionária.

Sobre transparência
Do leitor Carlos Harlen (carlosharlen@yahoo.com.br), de Sousa: “Fiquei indignado e perplexo ao ver no site da prefeitura de Sousa uma matéria ao qual o presidente do TCE, o senhor Nominando Diniz, parabeniza o prefeito pela sua transparência com os gastos e coisas publicas, e em nome da verdade dos fatos é preciso informar que apos 10 meses de gestão apenas duas gazetas do município foi divulgada, informar ainda que ate o mês de agosto no Sagres não está disponibilizado nenhum dado do fundo municipal de saúde ou da secretaria de saúde do município, e apenas da media e alta complexidade já foram injetados na prefeitura mais de R$ 10 milhões, e somente pouco mais de R$ 1 milhão foi repassado ao Estado, aonde esta o “restante” do dinheiro? Onde está a transparência, senhor Presidente?”

O teste pra ser político
Salviano Leite chegou do Rio de Janeiro, cismou de ser candidato a prefeito e foi se aconselhar com o coronel Neco Viana, tio do deputado Judivan Cabral. Neco foi impiedoso: “Acho que o senhor não leva jeito...”
Salviano: “E por que?” O coronel: “Dizem que você assaltou o seu vizinho”. Salviano se levantou: “É mentira!” O coronel: “Também dizem que sua mãe prevaricou!” Ele se exasperou: “Eu mato quem inventou essa calúnia!”
Então, o coronel arrematou: “Está vendo? Eu sei que você não assaltou o vizinho, nem sua mãe prevaricou. Se aceitasse isso calado, tinha passado no teste...”.

Contato: heldermoura@correiodaparaiba.com.br

Enquanto FHC agride Lula no Globo, Serra faz um dos piores governos em São Paulo.

O que está acontecendo com a tucanada? Perderam as estribeiras? Dessa vez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disparou sua fúria de inveja e dor de cotovelo contra o nosso Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Jornal O Globo na edição de domingo (01/11). Vários jornalistas estão considerando o artigo do ex-presidente como sua carta-testamento, devido seu falecimento político.


FHC disse que as decisões de Lula são uma enxurrada, esdrúxulas, sem sentido. Que Lula quer um poder sem limites, que comete transgressões, atropela a lei e os bons costumes. Que Lula quer a Bomba Atômica para entrar no Conselho de Segurança. Disse que ele tem um estilo que pouco tem a ver com nossos ideais democráticos. Foi tanta baboseira que está sendo motivo de chacota pelos blogs na internet.


Do outro lado da decadência política está o seu amigo fidedigno José Serra. Pois bem! De acordo com levantamentos divulgados pela imprensa, José Serra está “fazendo” uma das piores administrações que o Estado de São Paulo já teve. Até o ex-secretário de educação da época do governador Alckmim, Gabriel Chalita, criticou o descaso com a educação em São Paulo, e praticamente foi expulso do PSDB. É isso que você quer para o Brasil? Confira os dados:

Carga tributária

Em 2002, cada contribuinte paulista pagou R$ 1.732,89 em impostos estaduais. No ano passado, pagou R$ 2.268,75.



Privatizações

O Governo Serra acelerou o crescimento do programa de privatizações. A venda de patrimônio público, que alcançou R$ 4,3 bilhões no período 2003 e 2006, somará R$ 10,4 bilhões ao fim do período 2007/2010.

Gastos com terceirizações



As despesas com serviços terceirizados aumentaram de R$ 6,74 bilhões em 2000 para R$ 10,1 bilhões no ano passado.



Aumento da dívida pública

A dívida do Estado de São Paulo aumentou de R$ 130 bilhões, em 1997, para R$ 168 bilhões, em 2008.

Tolerância com grandes devedores

Os valores devidos pelos grandes contribuintes cresceram 150% – de R$ 37,2 bilhões, em 1997, para R$ 92,6 bilhões, em 2008.



Calote nos precatórios



O calote aos precatórios cresceu de R$ 10,7 bilhões, em 2002, para R$ 19,6 bilhões em 2009.



Redução de investimentos

Os governos tucanos previram a aplicação de R$ 8,3 bilhões na construção de moradias, no período 2001 a 2008. Aplicaram R$ 5,2 bilhões – R$ 3,1 bilhões a menos.



Os gastos com educação, que representavam 16,40% do orçamento em 2003, passaram a representar 12,69% do orçamento em 2008.



A participação dos gastos em Segurança no orçamento paulista caiu de 10,59% em 2002 para 7,67% em 2008 – mesmo nível de 10 anos antes.



A participação dos gastos com Saúde caiu de 10,42%, em 2004, para 8,98% em 2008.



Investimento em propaganda

As despesas com publicidade do governo aumentaram de R$ 88 milhões, no ano 2000, para R$ 180 milhões no ano passado.



Promessas

Serra prometeu criar 50.000 vagas para o ensino médio. Criou 26.900. Prometeu atender 31.650 famílias com urbanização de favelas. Até agora atendeu 11.935. Prometeu construir 40 unidades para a Polícia Técnica entre 2008 e 2010. Construiu 13.

Fonte: Brasília Confidencial

RUA DO COMERCIO: MEU MUNDO, MINHA VIDA

Nasci e me criei na Rua Coronel João Leite, para os antigos, Rua do Comércio Velho. Nesta rua, em passado distante, funcionou o centro comercial da cidade. Com certeza era um prédio rústico, possivelmente, localizado onde hoje é o Ideal Clube. Nos finais de semana centenas de pessoas acorriam àquele espaço para comprar e vender produtos de primeira necessidade.


Devia ser um enxame de gente em busca do que comprar. Uns, com dinheiro no bolso suficiente para comprar as suas cestas de consumo, outros, com certeza sem nada, portanto, postavam-se a apelar para a caridade pública, a fim de obter algum para poder comprar o mínimo de mercadorias pra mitigar a fome. Infelizmente, se naquela época a pobreza já marcava presença no espaço social local, hoje, multiplicada no tempo, serve de massa de manobra, em época de eleições, pra a alegria dos políticos sem escrúpulos.


Entre a segunda e a terceira década do século XX, não sei dizer bem, o mercado velho cedeu lugar à empresa geradora e distribuidora de energia, há muito tempo reivindicada pelo povo da terrinha. Com certeza a energia elétrica foi a primeira manifestação de progresso registrada no limiar do século passado em nosso sublime torrão. A partir desse momento surgiram no comércio local os primeiros produtos típicos dos grandes centros consumidores, tais como, geladeiras, rádios, vitrolas, entre outros, que atendiam ao sonho de consumo de um pequeno nicho de mercado representado pela classe média local.


Ouvi muitas histórias sobre fatos ocorridos, na velha rua. Esses fatos aconteceram muito antes de por os meus pés no seu sagrado solo. O que mais me chamou atenção foi um acontecimento macabro que chocou a população, há mais de cem anos. Uma mulher conhecida por Donária dos Anjos, juntamente com uma amiga, protagonizou o primeiro caso, talvez o único, de antropofagia no meio urbano.


Os relatos sobre esse episódio evidenciam que essa mulher conseguiu atrair uma criança, que estava sozinha a vagar pelo mercado, até a sua casa, com o propósito de mata-la e transforma-la em alimento a fim de saciar a fome, por ocasião da devastadora seca de 1877.


Falaram-me ainda, sobre a morte de Maria Pequena, esposa de Zé Venâncio, o "Belo Antônio" da nossa família. Tomada pelo ciúme, diante dos constantes assédios ao seu marido, pelas moças elegantes da cidade, a indigitada companheira não suportou o tranco e pôs fogo às vestes encharcadas de querosene, que lhe causou uma morte instantânea e dolorosa. O nosso parente, homem elegante e bonito, de rara inteligência, sem sombra de dúvida, nunca mais foi o mesmo, depois deste triste episódio corrido no interior da sua casa.


A história da velha rua expõe também o seu lado alegre e festeiro. Num curto espaço de tempo, foi sede do bloco carnavalesco Lira de Ouro, sob o comando do animado Otávio Gadelha. Este bloco competia com outros que desfilavam pelas ruas da cidade por ocasião das festividades carnavalescas. O Lira de Prata, sediado na Rua Estreita, era comandado por Pedro Junqueira, Zé de Júlia, doutor de Mestre Chico, Severino Plácido, entre tantos outros. Havia também o bloco dos Piratas Negros, puxado por rapazes e moças da Rua Nova, sob o comando do saudoso Jovem Assis.


Nos antigos carnavais, era assim: os blocos desfilavam pelas ruas da cidade a cata de aplausos da multidão que se acotovelava nas calçadas para assistir aos desfiles. Não resta dúvida que, naquela época, os folguedos davam vida as folias de rua, por ocasião das festividades em homenagem ao Rei Momo, ao som de marchinhas, ranchos e frevos que perduram aos dias de hoje. Tudo isso aconteceu, lá pelos idos dos anos trinta e quarenta. Esta foi rua do comércio que não conheci. Não vivi a época daquelas histórias tristes e de alegria transbordante, manifestada pelos habitantes da velha rua, por ocasião das festas coletivas que contagiavam toda cidade. A minha geração desponta pra vida, mais ou menos no começo dos anos cinquenta.


Foi a partir dessa década que comecei a perceber a importância da velha rua, principalmente, quando construíram a Escola Normal Arruda Câmara, o Grupo Escolar João da Mata e ainda o Posto de Puericultura e o Posto Médico, que antecederam ao hospital Sinhá Carneiro. Todavia, a construção dessas importantes obras, fez com que as atenções da população voltassem, para nossa rua. Quando a Escola Normal foi instalada, um fato novo passa a mudar a paisagem do nosso dia-a-dia. Aos poucos, centenas de jovens, para nossa alegria, passaram a cruzar diariamente a velha rua.


As normalistas, como eram chamadas, com vestes azul e branco passaram a ser o foco das atenções dos jovens que marcavam ponto, quase todos os dias em frente as nossas casas. Todos ficavam de tocaia a espera de um sorriso ou um aceno, mesmo que fosse discreto, o que seria uma porta aberta para um futuro relacionamento.


Quase sempre a resposta era a indiferença, mas, vez por outra havia um breve aceno, através de um sorriso frio e um tímido olhar de soslaio. Era difícil naquela época uma jovem entregar-se ao assédio de um rapaz, às vezes pouco conhecido. Se não houvesse alguém que intermediasse uma possível aproximação, a conhecida "corta jaca", nada feito. Na impossibilidade da ajuda da amiga intermediária, íamos a luta e continuávamos a insistir na busca do flerte, condição necessária para engatinhar uma aproximação afetiva. Era muito difícil, mas valia a pena.


O Grupo Escolar João da Mata, ao contrário da Escola Normal, por ser uma unidade educacional de ensino público, era um ambiente democrático, pois ali compareciam jovens a quase todas famílias da cidade sem distinção de classe, de renda, cor e religião. Vinha gente da rua Nova, dos Pereiros, da Rua da Cruz, da Rua do Rio, enfim de todos os recantos da cidade. Era uma festa nos dias de aulas. Quando ingressei no Grupo Escolar, na primeira série, passei a fazer parte de uma diversidade de classes sociais, que caracterizava muito bem o perfil socio-econômico da cidade naquela época.


Demorei apenas um semestre na primeira série, pois era regra no Grupo Escolar que os cinco alunos que conseguissem as melhores notas, no fim do primeiro semestre, podiam matricular-se na série seguinte. O ambiente era alegre e divertido. Lembro-me das amigas mais próximas, entre as quais minha estimada Cessa Lacerda e sua irmão Neves e Zoraide Roque, que costumeiramente ficávamos a conversar nos intervalos sobre os temas discutidos no decorrer das aulas.


No ano seguinte passei para terceira série e pelas mesmas razões, no segundo semestre matriculei-me na quarta série. No ano seguinte fiz a quinta série. É tanto que no fim de 1954, já estava preparado para fazer exame de admissão ao ginásio. Passei com muita folga e em 1958 já era concluinte do curso ginasial. Foi a primeira festa solene da minha vida, em que se faziam presentes cerca de quarenta concluintes. A velha rua fez-se representar por seis moradores: Luis Camilo, José Severo, Carlos Alberto Soares de Oliveira, o Carrinho, Mordecai Tavares Formiga, Dário Gouveia e Ignácio Tavares.


Concluído o curso ginasial, cada um tomou o seu rumo. A partir desse momento meus laços afetivos com a velha rua já não eram os mesmos, pois, fiquei naquela gangorra de idas e voltas a Capital do Estado, até que um dia, cá me fixei definitivamente. É verdade que foi na velha rua, que o meu coração bateu acelerado, pela primeira vez, ao trocar olhares com priminha que morava na vizinhança. Pelas circunstâncias da vida tive que deixar a velha rua para trás, mas, mesmo vivendo à distância ela jamais saiu de dentro de mim. Ela me viu nascer crescer e dar os primeiros passos em busca de um mundo novo, porem, desconhecido e de difícil acesso.


Assim sendo, deixando para trás a brisa do aracati para me deliciar do clima ameno do Atlântico. O novo mundo que busquei era outro. Ao chegar, percebi que a estrutura social, com a qual tinha de conviver, era bem dividida e fechada, principalmente, para os jovens que vinham do sertão em busca de um pequeno espaço onde pudesse galgar alguns degraus na fechada pirâmide social. As portas eram estreitas, mas foi possível abri-las através da lei do maior esforço. Essa é outra história a ser contada, não sei quando.


João Pessoa(PB), 10 de Novembro de 2006.

Ignácio Tavares



*O texto acima serve para seu entretenimento. As opiniões expressadas neste são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam, necessariamente, as opiniões do portal

Dia de Finados: Memórias de vidas

A celebração do Dia de Finados é um importante momento para que os vivos possam recordar a vida de seus parentes e amigos falecidos, e retirar dela as boas lembranças, os bons ensinamentos. Na minha concepção o Dia de Finados também tem esse objetivo. Infelizmente ainda tem gente que demonstra preconceito ou fundamentalismo religioso contra o dia dedicado a lembrança dos finados.


Porém, a celebração aos entes queridos é uma prática comum em praticamente todas as culturas, da indígena à africana, do oriente ao ocidente, dos cristãos aos não cristãos. Para conhecermos um pouco mais das festas dedicadas aos falecidos, transcrevemos da Wikipédia alguns exemplos de celebrações ao redor do mundo:


Muitas culturas ao redor do mundo têm tradições similares a respeito de um dia especial para visitar as sepulturas dos familiares falecidos. Muitas vezes, estas tradições estão inclusas em festas, algumas com comidas e bebidas, além de orações e recordações sobre os que já morreram.


No México, o Dia dos Mortos é uma celebração de origem indígena, que honra os defuntos no dia 2 de novembro. Começa no dia 1 de novembro e coincide com as tradições católicas do Dia dos Fiéis Defuntos e o Dia de Todos os Santos. A UNESCO declarou-a como Patrimônio da Humanidade.


O Bon Odori (em japonês O-bon ou simplesmente Bon ), é um feriado budista japonês em honra aos ancestrais mortos. Este festival tem se tornado um reunião familiar na qual as pessoas dos grandes centros voltam à suas cidades de origem para visitar e limpar as sepulturas de seus ancestrais. Tradicionalmente inclui danças típicas. Este festival já existe no Japão por mais de 500 anos.


O Festival de Ching Ming ( īng míng jié) é um festival tradicional chinês que acontece normalmente por volta de 5 de abril no calendário Gregoriano. Juntamente com o Festival do Duplo Nove (Chóngyángjié ou Chóngjiǔ) no nono dia do nono mês do calendário chinês, é uma época que os chineses cuidam dos túmulos de seus ancestrais.


Em algumas culturas da África, visitas às tumbas dos ancestrais deixando comidas, presentes e pedindo por proteção fazem parte de importantes rituais tradicionais. Um exemplo são os rituais que ocorrem antes do início da temporada de caça.

Nazismo. Alerta Paraíba! Ricardo, a política e a mídia. Alerta Paraíba!


CRÔNICA: 31/10/2009 Todos os prefeitos, os corruptos principalmente, divulgaram na imprensa paga a realização de grandes projetos. Muita enganação. Dá pra conferir nos jornais e revistas, no rádio e na televisão. Ricardo Coutinho é um deles. Ele paga com o dinheiro da prefeitura, portanto rouba do povo, para falarem bem dele, dizerem que ele é diferente. Não é diferente coisa nenhuma. É igual a uns e pior do que todos.





─ Ricardo é temperamental, psicótico, sofre de um mal conhecido como desvio da personalidade, um trauma que guarda por ter sido pobre quando jovem. Agora quer entrar na nobreza das famílias ricas da Várzea do Paraíba que assassinaram camponeses, incendiaram moradas humildes. Trata mal e agride cruelmente os que o cercam e com ele par-ticipam do processo político administrativo. Diz que é para realizar sua obra. Nero, o tirano romano fazia assim. Assassinou a própria mãe.





─ Ricardo segue na marcha corrupta de organizar apoios para sua candidatura ao governo. Como sempre, roubando dinheiro público para beneficiar aliados. A maioria, todos, são corruptos, indiciados em in-quéritos policiais, processados pela justiça pública. Vejam os nomes, paraibanos! Por aí se vê... É preciso defender a democracia, a honra dos paraibanos.





─ Disse antes, repito e repiso que, a provável coligação que ele financia com o dinheiro da prefeitura para sua campanha eleitoral, outra vez, nada mais é do que um “cano de esgoto que recolhe todos os detritos morais da política paraibana”. É preciso defender a paz, a honra dos paraibanos.





─ Continuo na minha luta em defesa da ética e da democracia traídas por Ricardo. Adolf Hitler também se dizia amante do seu povo e do seu país. Mas torturava, exterminava grupos humanos e sociais. Levou o mundo à guerra mais cruel da história. Confiram, ele é o retrato de Ricardo.





─ O povo dita palavra de ordem - proibir a candidatura de corruptos. Só os que têm o nome limpo devem disputar o voto do cidadão. Ricardo tem o nome sujo, não pode. Pessoalmente ele é de uma maldade doentia. Faço estas alusões e ele não tem coragem de me contestar. Topo o debate o confronto de teses e opiniões.






─ A sua carantonha, a sua boca torta, os seus dentes de vampiro, a sua raiva doentia, surda e bravateira não me intimidam. Não me protejo com capangas alugados. A democracia me vacinou contra essa doença insidiosa que marca o caráter de Ricardo.




VIVA A PARAÍBA ÉTICA E DEMOCRÁTICA! FORA OS NAZISTAS!

Por Eilzo Matos - advogado, escritor e ex-deputado estadual

REVISTA ISTOÉ EDIÇÃO 2086

Corrupção nanica, estrago gigante
Como a roubalheira que assola a vasta maioria dos municípios brasileiros traz tanto - ou mais - prejuízo ao País quanto os grandes escândalos...

"Tenho medo que meus filhos vinguem a morte da irmã"
Um ano depois de perder a filha, morta pelo ex-namorado, a mãe de Eloá conta que a família ainda tenta superar a tragédia...

A rebelião dos ministros do TCU
Como a atuação do emissário do Planalto, o desconhecido Walton Alencar Rodrigues, provocou a ira de toda a corte...

A jogada de sereno
Envolvido no Mensalão, petista começa campanha para deputado e surpreende o PMDB pelo poder financeiro...

As dores do ministro
Com problemas de saúde, o rigoroso Joaquim Barbosa deve abrir mão da presidência do TSE em 2010, para alívio de muitos políticos...

Cadê a direita?
Pela primeira vez, o Brasil terá uma eleição sem um candidato para defender as ideias conservadoras...

O príncipe do PAC
Em seis anos, o jovem empreiteiro Fernando Cavendish fez um milagre: ampliou 14 vezes o seu volume de contratos com o governo...

Portas fechadas
Fundação Sarney não resiste a escândalos. Mas ela serve para que mesmo?...


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Prefeituras de São Domingos e Lagoa foram as únicas na região de Pombal que reduziram despesas com cargos comissionados

Reportagem publicada neste domingo (1º) pelo Jornal da Paraíba, relata que a choradeira dos prefeitos paraibanos após as sucessivas diminuições dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) desde janeiro deste ano e as arrecadações locais parecem não refletir a realidade enfrentada pela maioria das administrações municipais.

Conforme a matéria, assinada pelo jornalista André Gomes, das 223 prefeituras que estão com informações atualizadas no Sistema de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade (Sagres) do Tribunal de Contas do Estado (TCE), 168 aumentaram o número de cargos comissionados em apenas oito meses. A despesa com a folha das prefeituras que contrataram nesse período chega a R$ 10.451.929,27.

Entre as dez prefeituras que mais contrataram, Santa Rita aparece com o maior aumento na folha de pessoal entre janeiro a agosto, mês da última prestação de contas dos municípios e que está à disposição no Sistema Sagres.

Com apenas 362 comissionados em janeiro, o município pulou para 886 pessoas no quadro de pessoal em agosto. O impacto na folha chega a R$ 374.322,61. Em janeiro, o valor correspondia a R$ 237.890,07 passando para R$ 612.212,68 em agosto.

A prefeitura de Taperoá também contratou bastante nos oito meses analisados no Sagres. Em janeiro, eram apenas 45 comissionados e em agosto já havia mais 274 pessoas, passando a um total de 319 funcionários em cargo de comissão no município.

A folha de pessoal da prefeitura excepcionalmente para pagar a esses servidores saltou de R$ 37.795 em janeiro para R$ 226.823,93.

O argumento da confiança adotada pelos prefeitos é a lógica principal para a contratação de cargos de livre provimento. Baseado nessa prerrogativa, as prefeituras paraibanas contratam cada vez mais funcionários para compor os quadros da administração municipal.

É o caso de Cuité de Mamanguape: contratou 213 novos comissionados em oito meses. Em janeiro havia na prefeitura 53 servidores em cargos de confiança e em agosto já eram 266 contratados. O impacto na folha: R$ 149.882.

Ainda figuram a relação dos dez municípios que mais contrataram as administrações de Bayeux com a contratação de 139 novos cargos comissionados, Matinhas com 114, Aroeiras com um aumento de 111 servidores, São José de Piranhas com 108, Bananeiras com 107, Caldas Brandão com 95 comissionados e Sapé com a contratação de 90 novos funcionários em apenas oito meses de administração.

O secretário de Comunicação da Prefeitura de Santa Rita, Marcelo Moura, informou que apenas o secretário de Finanças, Carlos Alberto Leite, poderia se pronunciar sobre as contratações realizadas pela administração municipal, mas o secretário não foi localizado para comentar os dados que estão disponíveis no Sistema Sagres do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O prefeito de Taperoá, Deoclécio Moura, também foi procurado pela reportagem, mas não foi localizado para comentar o aumento da folha de pessoal por cargos comissionados.

NA CONTRAMÃO, ALGUMAS GESTÕES CORTARAM GASTOS:
Pelo menos, 23 prefeituras diminuíram o número de servidores contratados para cargos comissionados. Nesse caso, o presidente do TCE, conselheiro Nominando Diniz, revelou que os gestores agiram de forma correta enxugando a folha para não ultrapassar os limites permitidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Cajazeiras aparece como a que mais economizou. Em janeiro eram 216 comissionados e, em agosto, a prefeitura só mantinha 124 servidores. Com essa diminuição, o prefeito Léo Abreu (PSB) enxugou a folha em R$ 113.868,74.

Patos também economizou. Em janeiro, a gestão do prefeito Nabor Wanderley (PMDB) era composta por 245 contratações de comissionados e em agosto já eram 180, ou seja, a prefeitura demitiu 65 funcionários. Com isso a economia gerada foi de R$ 97.544,73.

As prefeituras que diminuíram os gastos com a demissão dos comissionados são: Araçagi, Arara, Belém, Boa Vista, Bom Sucesso, Borborema, Cabedelo, Catolé do Rocha, Curral Velho, Emas, Igaracy, Itatuba, Juazeirinho, Mãe Dágua, Maturéia, Montadas, Nova Floresta, Triunfo, Várzea, Lagoa e São Domingos, governadas pelos prefeitos Adeilza Soares e Dêmys Borges (ambos na foto da capa).

Outras prefeituras, de janeiro a agosto, não aumentaram e também não diminuíram o número de servidores comissionados. Esses municípios são: Água Branca, Alcantil, Cacimbas, Caiçara, Campo de Santana, Coremas, Cruz do Espírito Santo, Parari, Paulista, Riachão do Bacamarte, Santa Helena, Santa Inês, São Francisco, São José de Princesa, São Sebastião de Lagoa de Roça e Serra Grande. Já os municípios de Imaculada e Barra de São Miguel não possuem servidores contratados por cargo comissionado.

TCE DECIDE DETERMINAR “CONCURSOS SANEÁVEIS”:
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) vai determinar a realização de concurso público para as prefeituras paraibanas. Segundo o presidente do TCE, conselheiro Nominando Diniz, já está em discussão no Comitê Técnico do tribunal uma resolução específica para gestão de pessoal que vai desde admissão de comissionado, contrato por interesse público e aposentadoria.

A determinação deve ser apresentada aos gestores públicos até o final do ano. “Estamos fazendo isso, porque no próximo, não vamos mais aceitar essas distorções na contratação de pessoal”, afirmou.

Apesar de revelar não existir um número limite para servidores comissionados, Nominando Diniz disse que esse tipo de contrato não pode substituir as funções de carreira, como a de médico e agente de limpeza, por exemplo, porque se trata de uma atividade de governo.

“O comissionado é um cargo de apoio à administração e não pode servir para substituir um concursado num cargo de carreira e por isso, o TCE está observando os casos de cada uma das prefeituras paraibanas”, revelou.

Quanto às choradeiras dos prefeitos, o presidente do Tribunal de Contas revelou que é necessário observar a receita de cada prefeitura. De acordo com ele, em muitos casos a receita vem caindo e a folha apenas aumentando e se for assim, os gestores não podem falar em crise.

“O TCE está atento por meio do sistema eletrônico de cruzamento de informações. Os prefeitos sabem que estamos levantando os dados para verificarmos essas distorções. Este ano ainda estamos trabalhando na orientação, mas no ano que vem, começaremos a punir por cada erro cometido”, disse.

FONTE: André Gomes - Jornal da Paraíba
FOTO: LIBERDADE FM

Ex-deputado e avô de Felipe Leitão compara Ricardo Coutinho a Hitler em artigo na net

O escritor, ex-deputado e ex-secretário de estado, membro da Academia Paraibana de Letras e avô do vereador do PRP de João Pessoa Felipe Leitão, fez duras críticas ao prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho, em artigo publicado em seu "Blog Prosa Caótica". Eilzo diz em sua coluna que o prefeito Ricardo agora quer aliar-se ao grupo da Várzea, responsável segundo Matos, por assassinatos de camponeses. O Imortal da Academia Paraibana de Letras chega a dizer que Ricardo Coutinho além de temperamental é psicótico e tem desvio de personalidade. Para Eilzo, Ricardo ao pagar com dinheiro da prefeitura de João Pessoa a imprensa para falar bem dele, ele [ Ricardo Coutinho] rouba o povo.

Eilzo afirmou que Ricardo segue uma marcha corrupta para arregimentar apoio para sua candidatura ao governo do estado, reafirmando que como sempre roubando o dinheiro do povo.

Continuando com sua metralhadora ligada, Matos disse que "Adolf Hitler também se dizia amante do seu povo e do seu país. Mas torturava, exterminava grupos humanos e sociais. Levou o mundo à guerra mais cruel da história. Confiram, ele é o retrato de Ricardo".

Até o fechamento da matéria o Prefeito da capital não havia se pronunciado sobre o referido artigo.


Da Redação.

com expresso pb

RELATO DE PRÓCULA - POR SEVERINO COELHO

O romancista autor, com sua narração especial do “Relato de Prócula”, emotivamente, deixa-nos extasiado pelas revelações, apesar de ser o estilo romanesco, expõe de forma teatralizada fatos reais e fictícios, verdades e imaginação, realidade e sonho, vivência e pensamento, religiosidade e descrença, fé e misticismo, seriedade e comicidade, com figuras reais e personagens recriadas, realidade cruel de ambiente com seu estilo intelectualizado dentro de um contexto vivenciado no mundo de uma pequena cidade sertaneja.
É o que sempre defendemos esta perspectiva de construção ante à arte de escrever com o seu poder de idealização, criatividade e transmissão de mensagem. A literatura traz um aspecto de notável importância para aqueles que lidam neste campo da arte, conduzindo como instrumento de uso a expressão de espontaneidade na divulgação de situações concretas e irreais ou somente do fruto de criação ou recriação puramente imaginativa. Esta é a arte dos sonhadores que não perdem a esperança de ver seus sonhos realizados, através da própria obra literária. Com a sua instrumentalidade de trabalho, o escritor W. J. Solha presenteia à comunidade paraibana sua mais recente obra literária intitulada de “Relato de Prócula”. As suas revelações são originárias no âmbito a que se propôs dissecá-las, diferentemente das omissões contidas nas obras de cunho religioso que fizeram de Cláudia Prócula, nos últimos momentos da vida de Jesus de Nazaré, relatando apenas um sonho a Pôncio Pilatos antes da cena do lava as mãos, com se fosse um maneira de intercessão perante o império romano.
Justamente neste trabalho que o autor encampou os fatos realísticos e conseguiu edificar suas ideias imaginárias como se fossem possíveis torná-las palpáveis, numa obra literária, que a princípio, rebrilhou o sentimento de amor que tem a nossa Terra - Pombal. Palco de todos os acontecimentos relatados.A inspiração do autor originou-se no sítio Mundo Novo, na cidade de Pombal, cuja viagem mental se completa na Praça da Independência, na cidade de João Pessoa, logo recebendo os fluidos magnéticos de sua capacidade intelectiva, com o drama do desenvolvimento unificado para enveredar sobre um tema universal. Como Dan Brown que emplacou “O Código da Vinci” na tentativa de desvendar o mistério da santo graal, mas com uma vantagem para o nosso autor que cuidou primeiro dos assuntos paroquiais de Pombal e elevou para dimensionamento teológico e teosófico na descrição dos fatos e das personagens do seu romance.
As pessoas nominadas no romance, são pessoas conhecidas da comunidade pombalense, que faziam e fazem parte do círculo de amizade do romancista, e este, com a habilidade de mestre na arte de escrever, transfigurou-as em personagens do “Relato de Prócula”. Apesar de ser um romance, concebe-se nas suas entrelinhas a narração e a descrição de fatos vividos e presenciados pelo próprio autor, sem a obrigatoriedade de comprovação.
A curiosidade que desperta os neurônios do leitor acopla-se na forma de externar o seu próprio sentimento, criando maravilhosamente um cenário de concretude, com diálogos vivos de encarnação das personagens quando a fantasia criadora do senso criador remete a um cenário de um palco de teatro ou uma tela gigante de uma filmagem cinematográfica. Se, realmente, não foi esta a intenção do autor, terminou deixando esta ilusão de ótica nas ondas cerebrais do leitor.
Analisando por outro ângulo, a narração dos fatos no livro e a própria vida do autor se confundem, como se fossem as premissas de uma autobiografia. Neste contexto, detectam-se dois pontos de rutilância: 1) o amor a Pombal, uma paixão incontida pelo Banco do Brasil, valorização à conquista de amizade; 2) vivência com o mundo da leitura, apego à arte cinematográfica, desenvoltura para a pintura, a música, a poesia, enfim, a arte literária.
A passagem do autor pela cidade de Pombal impregnou-se no seu coração que ficou alocada na parte mais reservada de sua mente: Mundo Novo, Banco do Brasil, Cine Lux, Ginásio de Diocesano, Hospital e Maternidade “Sinhá Carneiro”, Praça Getúlio Vargas, Pombal Ideal Clube, Festa do Rosário, Bar Centenário, Rio Piancó, Feira-Livre, O salário da Morte, ruas e avenidas da cidade interiorana. Encontram-se nas suas próprias palavras a vivência com os costumes da terra pombalina: “Pela feira, em sábados manhã, passando por aquele mundo de sacos de fumo de rolo, exposições de panelas, enxovais de batizados e casamentos, os olhos enchendo-se com a cor de ferrugem dos gibões de couro dos vaqueiros, com o banco dos porta-seios”... “Acordar com o cheiro gostoso do café sendo coado, ouvir os guizos das cabras, chocalhos das vacas, uma zoada de passarinhos em farra nas árvores”...
A leitura do livro “Relato de Prócula” mostra ao leitor, leva e propõe uma viagem cultural quase sem fim no terreno do conhecimento artístico, a nave tem embarcação na Bíblia Sagrada, apresenta aos seus passageiros filósofos e chega ao desembarque com um sorriso nos lábios com o show de chanchadas de Oscarito e Grande Otelo. A título de ilustração, que tal conhecer, “O Gustavo von Aschenbach, de Monte em Veneza; Don Fabrízio Salina, de O Leopardo; a Marquesa de Merteuil, de Ligações Perigosas; o Don Vito Corleone, de O Poderoso Chefão; o Salieri, de Amadeus; o Roger Verbal Kint, de Os Suspeitos; a Gelsomina, de La Strada; a Capitu, de Machado de Assis; a Diadorim, do Guimarães Rosa; o Zelig, de Wood Allen; o Hannibal Lecter, de O Silêncio dos Inocentes; o Neto, de Bicho de Sete Cabeças; o Pistoleiro, de o Invasor; o Randle, de Um Estranho no Ninho; o Ethan, de Rastro de Ódio”...
O “Relato de Prócula” é um livro que questiona os mistérios do universo, no aspecto religioso e da forma como eles foram traduzidos e repassados de geração a geração, em nome da fé, com o timbre especial para as questiúnculas de Pombal, que recomendamos ao bom leitor, desprovido do carimbo da censura, afastando do fanatismo religioso desenfreado, que compre a sua senha, logo ingresse no ônibus desta viagem espacial.



João Pessoa, 01 de novembro de 2009.



SEVERINO COELHO VIANA

JOSÉ BENIGNO DE SOUSA – SEU LELÉ

A nossa família, do ramo e da nossa avó paterna, como é comum em famílias judaicas, dispensava um respeito todo especial ao seu patriarca, que funcionava como uma espécie de líder conselheiro. Desta prática, a informação mais remota que tenho conhecimento, vem desde a chegada dos irmãos João Ignácio Cardoso D’Aarão e Francisco Ignácio à Cidade de Pombal, no começo do século XIX, originários do sítio Jacoca, hoje Conde, do engenho Forte Velho e do engenho Tibiri, localizado no município de Santa Rita.
Quando menino eu me acostumei a ouvir minha avó, e depois meu pai e meus tios, se referirem ao patriarca e líder “Pai D’ Airão”, e depois “Pai Benigno” que viveram no inicio e no final do XIX respectivamente. Acredito que eles, meus tios, não os tenham alcançados, mas de tanto ouvi-los falar, fortaleceu em mim a imagem homens rígidos que exerciam no seio famíliar as suas devidas autoridades, de forma que não se tomavam decisões sem antes ouvi-los.
Outros patriarcas e líderes surgiram no seio da nossa família e, do último, eu me lembro muito bem. Ouvi dele conselhos no meu tempo de adolescente e também ouvi, por diversas vezes, o meu pai dizer coisas como: não tomo nenhuma decisão sem antes ouvir Lelé; Falei com Lelé e ele não concordou etc, etc...
Pois bem, foi Lelé ou José Benigno de Sousa o último dos lideres da nossa família, e o único com quem convivi e aprendi algumas lições de vida, que ainda hoje carrego comigo. Não era homem de chamar atenção em público, mas, era destes que com um olhar já sabíamos que havíamos nos metidos em encrencas.
Na minha adolescência muitas vezes “cortei o caminho” para não cruzar com Lelé, pois sabia que ele veria nos meus olhos que algo de errado eu havia feito. Quantas vezes eu ouvi a frase: “Amanhã quero falar com você ás 09 horas lá na alfaiataria” . Ai de mim se não estivesse na alfaiataria, em dia e hora marcada, para o costumeiro sermão.
Certa vez, na “Outra banda” terra dos nossos avôs, ele pediu que eu plantasse um pé de manga, e disse: “em dez anos ela já vai botar os primeiros frutos”. Respondi que era muito tempo e que não valia a pena. Lelé me levou até a parte alta do sitio mostrou uma frondosa mangueira, ali existente e perguntou se eu sabia por que aquela mangueira era conhecida por todos da família como o “pé de manga de Lelé” . Respondi que meu pai havia dito era por que ele, Lelé, quem a plantou. Ele insistiu: “você já me viu colhendo manga ai?” Respondi que não, ai ele disse: quando eu plantei esta mangueira eu também pensei que ia morrer e não a via botar, mas sabia que alguém um dia ia colher aquelas mangas. Era o espírito socialista, de um homem que se doava para atender as necessidades dos outros. Um líder!
Tenho muitas outras boas lembranças de José Benigno de Sousa ou Seu Lelé, mesmo por que eu tive a satisfação de conviver com ele durante boa parte da minha infância, naquela alfaiataria, onde ele ensinou esta arte ao meu pai, o que nos deu o sustento por muitos anos.
Nascido dia 22 de outubro de 1910, faleceu no dia 12 de janeiro de 1996 aos 86 anos. Era filho de Felemon Estevão de Sousa e Ana Benigno de Sousa, estes meus bisavós.
Lelé casou-se em 1948 com Elisa Abrantes de Sousa, nascendo da união: Eliezer Gandhi Abrantes de Sousa - Engenheiro civil (in memória), Elisane – Assistente Social, Verneck Abrantes de Sousa – Engenheiro Agrônomo, Eliene – Formada em Enfermagem, Maria do Socorro – Universitária em Psicóloga(in memória), José Filho - Economista, Francisco José – Ciências Contábeis, Economista e advogado, e Cândida Abrantes de Sousa.
Exerceu várias atividades: trabalhou na agricultura nas terras da sua mãe, foi “apontador de trabalhadores” na construção da linha do trem, manteve uma alfaiataria por muitos anos como profissão maior. Em 1955 foi eleito vereador e reeleito mais cinco vezes, vivendo a política pombalense por 29 anos de vereança, quando se deu a sua última legislatura, a de 1983 a 1988, já com a saúde precária.
Lelé não fazia campanha ostensiva, limitando-se a conversas nas ruas e visitas a casa dos seus eleitores amigos. Seque fazia “santinhos” ou cartazes. A divulgação da sua imagem era feita pelos seus familiares e pelos que tinham por ele o respeito que se tem por um homem sério e pela própria história da família Benigno Cardoso.
Foi o vereador com mais tempo na Câmara Municipal de Pombal, o pombalense que por mais tempo presídio a S.A.O.B, Sociedade Artística e Operária Beneficente, mais conhecida como a SEDE a mais antiga sociedade beneficente do município, fundada no dia 8 de julho de 1934 pelo músico, Francisco Ribeiro. No final dos anos de 1940, José Benigno – Seu Lelé assumiu a Presidência da Sociedade e permaneceu na mesma por 43 anos.
Na década de 1950, com verbas do governo federal, intermediadas por Dr. Janduhy Carneiro, José Benigno construiu os dois prédios da sua sede própria, e que serviram por muitos anos como instituição de ensino fundamental. Ali funcionou o primeiro cinema da cidade, também, muito utilizada para reuniões da classe operária, encontros para as noites de mágicas do professor Guimarães, festas sociais, local da realização dos grandes carnavais de antigamente e primeira biblioteca pública da cidade de Pombal, com livros de autores brasileiros e da literatura universal. Além a Sede, Lelé construiu um patrimônio físico para Sociedade Artística e Operária Beneficente, a exemplo:
- Construção de unidades residenciais para seus associados.
- Criação e instalação a primeira Biblioteca Pública de Pombal.
- Construção de túmulo no Cemitério N.S. do Carmo para os associados.
- Construção da sede própria e anexo.
- Desenvolveu programas assistências que, até hoje, são inovadores, como o apoio à melhoria de renda dos associados, oferecendo cursos de capacitação e concessão de máquinas de costuras, em sistema de rodízio. Mantinha um serviço assistencial médico e odontológico permanente aos seus associados, bem como ajuda emergencial.
Lelé foi um homem de procedimentos exemplares. Uma lembrança de integridade moral, honestidade e de grandes amizades. Era comum parar os filhos de seus amigos na rua para saber sobre a família ou com intuito de aconselhar-los, a pedidos dos próprios pais desses adolescentes. Cumprimentava todos que encontrava pelo seu caminho, independente da classe social ou idade. Tinha um grande amor pela política, à cidade e ao povo pombalense. Lembrar é homenagear as qualidades íntegras deixadas por ele; é ressaltar os valores humanos da nossa Pombal.
Lelé foi o ultimo líder dos Benignos e Cardosos, responsável pela agregação da família e que nos dias de hoje faz a devida falta, quando em certos momentos da nossa vida se procura a sabedoria de líder, de um guardiã para um bom conselho.

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Jerdivan Nobrega de Araújo

DONA LO-URDES: MÃE E MESTRA


Era um dia de domingo do Rosário, pra melhor dizer, um 4 de outubro de um ano qualquer, da década de cinqüenta. Data do aniversário de dona Lo-urdes, minha saudosa Mãe. Por volta das onze horas da manhã, a banda de música Santa Cecília, capitaneada por Frederico Roque, adentrava a nossa casa ao som de valsas e dobrados para homenagear a aniversariante.


Pouca gente sabe que dona Lo-urdes era versada em teoria musical, pois, foi aluna dos melhores professores de música, da sua época. Foi flautista habilidosa, a ponto de participar de Saraus promovidos por Dr. Mauricio Furtado, genitor do professor Celso Furtado.


Conheci a sua flauta. Bem conservada, permaneceu por muito tempo guardada numa mala envolta numa flanela branca. Por ser de origem alemã, estava a precisar de um pequeno reparo, que não podia ser feito aqui na terrinha. Em certa ocasião, uma pessoa da família lhe falou que, em João Pessoa, havia alguém que seria capaz de faze-lo e com certeza o instrumento voltaria à sua normalidade. Mãe entregou a sua jóia de estimação, envolta na mesma flanela branca, na certeza de que a receberia de volta sã e salva. Enganou-se. Até hoje ninguém sabe que fim levou a velha flauta, que tanta alegria proporcionou a nossa família.


Minha Mãe tocava por música, pois lia quaisquer partituras, independente do gênero musical. Ensinou ao filho Chico, iniciação à teoria musical. Fui também seu aluno, mas nunca me interessei pela aprendizagem da música via teoria. Mesmo assim aprendi um pouco, mas preferi optar pela prática musical por meio da intuição ou de ouvido como se costuma dizer. Foi assim que aprendi um pouco de violão e teclado, digo, na lei do menor esforço.


A minha praia era outra, posto que, ao decidir estudar fui tomado pela a ânsia de conhecer novos mundos através da leitura, portanto, o meu passa tempo predileto era ler tudo que me chegava às mãos. Naquela época, o jovem que lia era bastante assediado por ser considerado bem informado pelos segmentos mais esclarecidos da sociedade. Embarquei nessa onda, fato este que me transformou, até certo ponto, num leitor compulsivo.


Na minha sede de saber li quase todos os clássicos da literatura brasileira, mas não conseguia encontrar o mundo real que tanto buscava. Certo dia, um amigo me passou um livro, uma brochura de bolso, que num primeiro momento me pareceu estranho, cujo título é “A Mãe”. Esta obra redirecionou o meu modo de pensar e enxergar melhor os contornos da sociedade da qual fazia parte. Era uma bela descrição sobre a saga de uma Mãe que encampou os ideais do seu filho, a ponto de engajar-se na luta de rua em defesa da construção de um mundo melhor, tal qual como pensava seu filho, preso em razão dos seus ideais.


O autor da obra era Russo e se chamava Máximo Gorki (1868/1936). Esse livro virou-me a cabeça. Não tinha nada ver com o romantismo de José de Alencar, com realismo do cotidiano de Machado de Assis, nem tampouco com a obra espiritualista de Humberto de Campos. Era tudo que eu estava, há muito tempo, a procurar e não encontrava. Como já disse, depois dessa leitura passei a enxergar o mundo de forma diferente. Como sempre, Mãe, de forma sorrateira, acompanhava todos meus passos, ao verificar as leituras que eu estava a fazer no dia-a-dia.


A sua preocupação era tanta que vez por outra colocava sobre a minha mesa de estudos livros e revistas bem ao gosto dela. Não sei como conseguia, com muita freqüência, um livro-revista conhecida por Seleções, da editora Reader’s Digest, de origem americana, que na verdade era um bem elaborado material de propaganda anticomunista, coisa típica da época da “guerra fria”. Havia um cidadão de nome Drew Pearson, excelente jornalista, que escrevia, na referida revista, os artigos de fundo, de conteúdo ostensivamente anticomunista. Denunciava, numa linguagem coloquial, o que supostamente acontecia além da cortina de ferro. Evidenciava a falta de liberdade individual, inclusive as brutalidades praticadas por Stalin contra seus inimigos, o que sufocava cada vez mais o povo oprimido da União Soviética.


A propaganda contra a União Soviética trazia-me mais dúvidas do que certezas. Nos seus escritos o senhor Drew, dizia que o povo russo não tinha estímulo para viver, pois, Stalin, além de ser um ditador desumano, materialista, sanguinário, era também, um viciado e dependente químico da Vodka. Ademais, culturalmente, era medíocre, portanto, incapaz de tocar para frente o propalado plano de desenvolvimento Econômico, Social e Cultural, com vistas a tornar a União Soviética uma grande potencia militar/industrial em curto espaço de tempo, conforme houvera prometido ao povo russo.


Ora, então me perguntava: como aquele povo sofrido, oprimido conseguiu expulsar o exercito de ocupação da Alemanha, aquartelado nos subúrbios de Moscou, juntamente com mais de cinco dezenas de divisões espalhadas no seu vasto território? Simplesmente dizer que o povo russo vivia aos frangalhos não passava de propaganda enganosa, que tinha como propósito maior alienar cada vez mais a juventude brasileira, nos anos cinqüenta. Era o que me levava a entender.


Desse modo, quanto mais lia Seleções mais me sentia tomado por uma sensação de enganação, frente a realidade política que o mundo apresentava naquela época. O saudoso amigo Lacides Martins, da família Brunet, fazia-me companhia na exploração dessa nova fronteira política/ideológica, portanto, com muita frequência trocávamos opiniões. Fizemos juntos o curso ginasial, onde conseguimos firmar uma amizade que perdurou aos últimos dias de sua existência.


O amigo era estudioso, cheio de vida, de inteligência apurada, ademais, demonstrava muito interesse pelo novo quadro político que se desenhava no país, em particular na segunda metade dos anos cinquenta. Ficamos curiosos ao ouvirmos pela primeira vez a expressão, “política/ideológica”, bastante em voga naquela ocasião. A dúvida foi dirimida quando um amigo que estudava em Recife nos explicou de forma bastante didática e detalhada. Assim conseguimos matar a nossa curiosidade.


Trocávamos idéias e livros. Foi ele quem me passou Vidas Secas de Graciliano Ramos. Da mesma forma lhe repassei algumas obras de Josué de Castro e o Cavaleiro da Esperança de Jorge Amado. A esta altura já estávamos ligados na Revolução Cubana, pois, ele possuía um rádio velho a válvula, que nos permitia acompanhar passo a passo o avanço de Fidel e seu grupo em direção a havana. A torcida era grande. Em 1958, terminamos o curso ginasial, o meu amigo foi estudar em Natal, no Rio Grande do Norte e eu vim pra João Pessoa. Lá em Natal o amigo continuou com seus ideais e em João Pessoa, fiz o mesmo.


Dona Lo-urdes, do alto da sua sabedoria, percebia a minha trajetória política e ideológica. Não reclamava, mas vez por outra me dizia: "cuidado meu filho, tenha muito cuidado". Olhava pra ela e entendia o seu recado. A Mãe Mestra (Mater et Magistra) sabia porque estava a me advertir e eu entendia o que se passava no seu coração. Coração de Mãe sempre bate forte ao visualizar a sua cria, por isso não se engana.


O seu afeto por mim era forte, por isso, sempre foi real e sacrossanto. Por esta e outras razões nunca deixei de ouvir, não digo os conselhos, mas as palavras de sabedoria da minha Mãe, porque ela, verdadeiramente foi a grande Mestra quem me instruiu e me orientou para que eu entendesse melhor às verdades e mentiras que o mundo nos impõe ao longo da vida.


Sem dona Lo-urdes jamais chegaria aonde cheguei. Jamais teria entendido o mundo como um complexo contraditório de interesses conflitantes. Através da sua sabedoria, da sua paz, da tranqüilidade, forjou-me, na exata medida, de quem sou. Ensinou-me que a raiva, o ódio, a ira, a avareza e a inveja impedem o crescimento espiritual do ser humano. Falava tudo isso, através de gestos, ações e na maioria das vezes usava a palavra de um modo simples, de fácil compreensão.


Recebi o seu carinho ao longo da minha vida, pois, perdi meu Pai aos onze anos, portanto coube a ela a difícil tarefa de fazer-me um cidadão preparado para enfrentar os obstáculos da vida. Tenho certeza que, foi Deus que fez descer sobre ela eflúvios do amor filial, fraternal, sincero e puro.


Minha saudosa e querida Mãe, que Deus lhe recompense por te sido uma Mestra exemplar, difícil função, que você desempenhou com sabedoria, galhardia e simplicidade. Beijos e abraços dos três filhos, que ainda estão por aqui, todos ainda de memória viva e sempre a lembrar os momentos alegres que passamos juntos a você, por um longo período de tempo.


João Pessoa(PB), 30 de Dezembro de 2008.

Ignácio Tavares - Filho e dona Lo-urdes


NO TEMPO DO BAR-CURINHA


Quando a família de Curinha veio morar em João Pessoa, o velho amigo preferiu ficar em Pombal, pois a sua paixão por Lea falou mais forte. Esta foi a grande razão que o impediu seguir os passos da família, rumo a capital do Estado. Permaneceu na mesma casa onde a sua família morou por longos anos. Uma casa modesta situada à Rua do Comércio, onde hoje funciona o Bar do Ovo. Foi também neste local que Curinha resolveu se estabelecer no ramo de bebidas e tira-gosto.


Curinha tinha uma legião de amigos que passaram a freqüentar o seu estabelecimento comercial a fim de degustar um bom tira-gosto, regado uma cachacinha ao gosto de cada um. Quando o cliente queria comer os gostosos petiscos sempre ficava atento, pois, o Mestre Cura, com o seu fogão mágico transformava em tira-gosto todo e qualquer ente vivo que lhe caísse às mãos. Sem dúvida o peixe era o atrativo da casa, portanto, sempre estava presente no cardápio de cada dia, assim como a galinha, guiné, entre outros viventes de origem desconhecida.


Os guinés? Como os conseguia, então? Ora, não havia problema. Bem próximo a sua casa, Dona Guiomar tinha uma criação dessa ave, cujo plantel, era mais ou menos em torno de 45 animais. O mestre Cura, os capturava um a um de forma bastante engenhosa. As avesi dormiam em dois pés de pinhas que existiam no muro da casa. Na calada da noite Curinha saia com uma vara e cuidadosamente estendia ao alcance dos pés de pinhas. Instintivamente a ave passava do poleiro pra vara. Assim, com certo esmero, o bicho era puxado e quando chegava próximo ao muro, o bote era fatal, pois, a pobre ave não tinha tempo sequer para disparar o seu barulhento alarme.


Mesmo assim às vezes faltava tira-gosto. Numa certa noite, estávamos sentados no alpendre da casa jogando conversa fora e a tomar umas e outras. Éramos eu, Bebé de Antônio Gomes, Chico Sales, João Rapadura, Luiz Camilo, Arnaldo Ugulino, entre outros. No momento o único tira-gosto que existia era limão. Isso, por volta de uma hora da madrugada. Acontece que Bebé saiu pra fazer necessidade fisiológica, no outro lado do postinho, ao lado da Casa de Curinha. De repente apareceu um vulto humano e escondeu alguma coisa no canto do muro. Essa mesma pessoa partiu em direção a casa onde a gente se encontrava. Quando a figura afastou-se Bebé foi ver o que ali estava escondido.


Um belo achado; duas galinhas. Justamente o que estávamos a precisar, naquele momento, para preparar o tira-gosto. Bebé pegou as penosas e entrou pela lateral da casa sem que ninguém o visse. Deixou as galinhas lá na cozinha, foi lá pra fora, onde a gente se encontrava. Para sua surpresa deu de cara com Cícero de Bem-Bem, que, com certeza era o vulto que havia visto. Ou melhor, era o “dono” das duas galinhas. É importante ressaltar que á especialidade de Cícero era roubar galinhas. Bebé chamou Curinha e falou sobre o achado e de imediato o Mestre Cura recolheu-se a cozinha e começou a preparar o tira-gosto, que, naquele momento estava a nos faltar.


Cícero pegou um copo serviu-se e viu que o tira-gosto era limão. Demorou um pouco e falou: "se vocês me pagarem trago já, já, duas penosas pra gente comer aqui". Bebé se antecipou e falou: “dou-lhe dez cruzeiros pelas duas galinhas”. Ora, Cícero, lépido e fagueiro, saiu em disparada e ao chegar ao local, qual foi a decepção, pois não encontrou mais as duas galinhas que ali havia postas. Voltou desconfiado e falou: “um ladrão safado me roubou”. Em pouco tempo a galinha em fervura começou a exalar aquele cheiro próprio de guisado. Cícero sacou logo que se tratava das suas galinhas e fez a seguinte proposta: “dou vinte cruzeiros se vocês me disserem como foi que conseguiram roubar minhas galinhas”. Alguém falou: “ladrão que rouba ladrão”..., muitos risos.


Noutra ocasião, nesta não me fiz presente, soube através de amigos, Curinha ofereceu um tira-gosto que agradou a todos que se faziam presentes. O tira-gosto era tão gostoso que derrubaram dois tubos e ninguém ficou bêbado. Passados alguns minutos, João Rapadura perguntou: “Ô Curinha que tira-gosto é esse que nós comemos”? O mestre Cura ao exibir um leve sorriso, falou: “Vocês acabaram de comer o gato de Zulima”. Arrematou: “esse gato infeliz vivia por aqui a me atanazar, levei pra o taxo, transformei-o em tira-gosto”. Todos se entreolharam, mas já era tarde, até mesmo pra jogar fora bichano que comeram.


Ninguém reclamava das artimanhas de Curinha. O Bar-Curinha continuava a ser freqüentado, não obstante o freguês, vez por outra, degustar tira-gosto de cobra, preás, camaleões, tejus, cágados, entre outros bichos de identidade desconhecida, sem ao menos saber o que estava a comer. Êta Curinha velho de guerra! O tempo jamais lhe mudará, por isso a sua marca, o seu modo se ser, será sempre o mesmo.


Lembra-se que, Eu, Você e João Rapadura formávamos um trio inseparável? E ainda, nos dias apropriados, vivíamos a vagar pelas oiticicas, ingazeiras da beira do rio, a comer peixe assado, pescado por Biró meu cunhado, regado a uma boa pinga?. Que saudades velho amigo Cura. No meu modo de pensar você, com certeza, é um poeta existencialista, que não se revelou, perdido nas quebradas do sertão.


Digo isso, afirmo e reafirmo, porque o Mestre Cura sempre ignorou “etiquetas formais” típicas dos códigos protocolares das sociedades burguesas. Nunca o vi cantar qualquer coisa. Se alguma vez cantou, foi muito escondido, isso, talvez, pra conquistar o coração de Lea. Nunca foi de estardalhaços, nem tampouco de riso fácil. Até hoje, quando fala, fala somente o necessário. O seu modo de enxergar o mundo, seu indiferentismo ao consumismo desvairado, em voga no tempo presente, e ainda; o seu modo de ser amigo nos revela um grande espírito humano travestido de homem simples. Salve o mestre Cura, meu dileto amigo de todas as horas e de todos os tempos. Um forte abraço.


João Pessoa(PB), 08 de Junho de 2009.


Ignácio Tavares

CONHEÇA POMBAL


VENHA CONHEÇER UM POUCO DA CIDADE DE POMBAL, COM FOTOS ANTIGAS E RECENTES

Médica perde controle em curva, capota veículo, mas sai ilesa do acidente, próximo a Pombal


A médica Maria Amanda Guimarães Carvalho, que reside na cidade de Patos, passou por um susto, na manhã desta sexta-feira (30), próximo a Pombal, mas conseguiu sair ilesa de um acidente, provocado pela perda de controle do veículo que conduzia, quando passava pela nossa cidade, seguindo no sentido Sousa.

Conforme apurou a reportagem da rádio LIBERDADE 96 FM, o acidente foi registrado por volta das 11h15 da manhã da sexta, na altura do quilômetro 411 da BR 230, na primeira curva após o lixão de Pombal, quando a médica, que conduzia um Fiat Pálio, de placas MNV 5494-PB, capotou várias vezes, fazendo com que o carro só parasse, após bater no barranco, às margens da rodovia, ficando com os pneus para cima (conforme mostra a foto ao lado).

De acordo com informações das polícias militar e rodoviária federais de Pombal, a motorista foi socorrida pelo SAMU para o Hospital Distrital local, onde foi medicada, mas sofreu apenas ferimentos na mão esquerda.

LIBERDADE FM E FOTO 2ª CIA PM POMBAL

CINE VITÓRIA: Esqueceram de mim

A história da sétima arte em Pombal ainda não foi contada nos seus mínimos detalhes. È verdade que a presença do cinema em nossa terra não se deve a movimentos culturais, oriundos dos setores mais esclarecidos da população, ou coisa parecida. As coisas aconteceram de modo espontâneo. Tudo começou no início da década de cinqüenta, quando vez por outra, aparecia um cidadão de Catolé do Rocha, conhecido por Waldir não sei de quê, por sinal ainda continua vivo e anunciava que tal dia estaria apresentando ao distinto público pombalense, o filme tal. Alugava um espaço qualquer e fazia sua máquina funcionar, por conseguinte, projetar filmes preto e branco, porem divertidos. Foi assim o nosso primeiro contato com a arte cinematográfica. É verdade que a arte imita a vida, mas o cinema e teatro traduzem, com mais realismo, o mundo em que vivemos, no nosso dia a dia.
Assim sendo, em pouco tempo formou-se o primeiro nicho de mercado de expectadores para primeiras apresentações cinematográficas, cá na terrinha. O senhor Severino Vieira Queiroga(Belino), meu compadre e amigo, de saudosa memória, seduzido pela expectativa de fazer um bom negócio, do ponto de vista financeiro, decidiu explorar o referido mercado. Comprou os equipamentos de transmissão de imagens e assim, instalou o Cine Vitória. Com certeza foi a primeira casa de lazer e entretenimento, por imagens, genuinamente pombalense.
Como não tinha espaço físico próprio, a exemplo do Cine Lux, alugava o edifício da Sociedade Operária Beneficente para exibição das fitas, como costumava dizer naquela época. As apresentações não aconteciam em dias continuados, posto que os filmes eram repassados por empresários de Patos e quase sempre em dias alternados, a exceção dos sábados e domingos, quando a casa era cheia. O Espaço era pequeno, cabendo apenas cerca de cem pessoas. Quando o filme era bom demais, era comum ver pessoas assistindo ao filme, sentadas no chão e às vezes até mesmo deitadas. Em algumas ocasiões vi o meu compadre Belino acordando alguns sonolentos, que dormiam a sono solto.
O anúncio da programação cinematográfica da noite era de forma bastante inusitada. Dois filhos de João Espalha, José e Raimundo, em troca de um ingresso para cada um, percorriam as principais ruas da cidade, carregando um cartaz, que anunciava o título do filme, bem como os artistas, quando eram conhecidos do público e algumas fotos das cenas mais chamativas. Raimundo carregava o cartaz e José batia num surdo, para chamar atenção do público e de vez em quando faziam umas paradas em pontos estratégicos da cidade e convidava a todos para assistirem ao espetáculo cinematográfico da noite.
O número de expectador aumentava cada vez mais. Dessa forma, para atender a crescente demanda, o senhor Belino Queiroga conseguiu, por cessão do poder público, o espaço interno do Grupo Escolar João da Mata, que comportava um número bem maior de expectadores. Havia dois tipos de públicos. Os de mais idade, que preferiam os filmes românticos, temperados com muito amor, do tipo “E o Vento Levou”, enquanto a garotada gostava dos filmes do gênero cômico, do tipo o Gordo e o Magro, filmes de guerra, “bang-bang”, de aventuras na selva, a exemplo de Tarzan, policiais e entre outros assemelhados.
Lembro-me do seriado, do gênero ficção, o Flash Gordon, que tinha como enredo uma história de guerra intergaláctica, que envolvia um ardoroso defensor do planeta terra, (Flash Gordon) e seus comandados, contra o exercito galáctico de malfeitores, liderado pelo comandante Morgan. Apesar dos efeitos especiais serem rudimentares, em se comparando com as técnicas refinadas dos dias hoje, nos divertíamos bastante com as movimentações e combates entre as naves espaciais dos dois exércitos.
Os filmes de bang-bang atraiam centenas de expectadores, principalmente, quando os filmes projetados eram do Zorro, Rock Lane, Roy Rogers e o seu famoso cavalo Trigger e ainda Durango Kid, e tantos outros. A Chanchada nacional não havia chegado á tela do Cine Vitória, portanto os nossos ídolos, admirados e às vezes imitados, eram os “Mocinhos” do cinema americano.
Um dia qualquer, nos anos cinqüenta, o Cine Vitória fechou suas portas, para tristeza de centenas de afeiçoados da sétima arte. Naquela época não havia televisão, portanto a nossa grande diversão era mesmo o cinema.
Não foi a falta de expectador que levou o Cine Vitória encerrar suas atividades. O senhor Severino Queiroga foi nomeado funcionário, com lotação DNER e teve que morar noutra cidade, que o impossibilitou continuar atuando como empresário desse importante setor de lazer. Dessa forma, entra em cena, outro empresário, que atuava no setor de frios. Refiro-me ao senhor Afonso Mouta, proprietário de uma sorveteria, que em tempo percebeu que o momento era oportuno para dar continuidade ao projeto de Belino.
O espaço estava aberto e antes que algum aventureiro, de fora, se apropriasse do mercado, o senhor Afonso Mouta, homem de visão empreendedora, resolveu investir na compra de equipamentos modernos, na certeza de que estaria fazendo um bom negócio. Assim sendo, fundou a Companhia Cine Lux, que por mais de duas décadas, pôs à disposição do publico local, alegria, o lazer e diversão. O resto todo mundo já sabe.
Faz algum tempo que venho pensando escrever este texto, para dar uma contribuição a todos interessados na história do cinema aqui na terrinha. Sem dúvida o Cine Vitória foi, na escala direta, o ancestral do Cine Lux. Com efeito, a história da presença da sétima arte em Pombal, passa necessariamente, pelo velho e esquecido Cine Vitória. Ao consultar os meus arquivos, concluo que não tenho mais nada a acrescentar.

João Pessoa(PB), 29 de Abril de 2007.
Ignácio Tavares - Filho da Terra de Pombal.

Terminam na 6ª inscrições presenciais para o concurso da Prefeitura de Santa Rita

O período de inscrições presenciais, para o concurso público da prefeitura de Santa Rita, na Grande João Pessoa, termina nesta sexta-feira, 30. Inicialmente, as inscrições estavam previstas para se encerrar no inicio de outubro, mas a organização prorrogou o período para atender a demanda.

As inscrições estão sendo realizadas no Ginásio de Esporte, o Renatão, localizado na praça do atleta, s/n, no conjunto Alto das Populares, em Santa Rita (PB). As inscrições variam entre R$ 35,00 e R$ 90,00. O concurso oferece remuneração de até R$ 1.209,51.

O Instituto Cidades também disponibilizou pontos de inscrições em João Pessoa. Os stands estão montados no Shopping Tambiá, no Centro da capital e no Shopping Sul, no bairro dos Bancários, Zona Sul da cidade.

Quem preferir se inscrever via internet, tem até o dia 02 de novembro para realizar a inscrição no certame através do www.institutocidades.org.br. As provas serão aplicadas nos dias 10 e 17 de Janeiro de 2010, nos turnos da manhã e tarde.

Serão convocados de imediato 387 candidatos, no entanto, será formado um cadastro de reserva com 774 vagas para convocação posterior. Porém, a chamada da classificação final corresponderá a um quantitativo referente a três vezes o numero de vagas ofertadas para cada cargo.

Novidades

Os candidatos poderão se inscrever para mais de um cargo, desde que haja compatibilidade de dia e horário.

Uma outra novidade que já consta no novo Edital 002/2009, é o aumento dos vencimentos dos cargos de: Professor Educação Básica II, Supervisor Educacional, Psicopedagogo, Psicólogo, Nutricionista, Orientador Educacional, Professor Educação Básica I. Os docentes aprovados vão receber R$ 1.209,51.


O Edital completo está disponível no www.institutocidades.org.br.


Hyldo Pereira
Assessoria de Imprensa

Juiz vê indícios de crime em obras do Terminal e envia ação contra Ricardo para Procurador Geral de Justiça

A construção do Terminal de Integração de João Pessoa, inaugurado no centésimo dia da administração do prefeito Ricardo Coutinho, apresenta sinais de ilicitude criminal. Foi assim que o juiz Josivaldo Feliz de Oliveira, da 1ª Vara da Cível da Capital, descreveu o processo licitatório feito pela prefeitura da Capital em 2005 para construção do Terminal de Integração.

As declarações do juiz constam de decisão judicial em que ele rejeita ação de indenização por danos morais impetrada pelo prefeito Ricardo Coutinho (PSB) contra o vereador Hervázio Bezerra (PSDB), autor das denúncias contra o prefeito.

Josivaldo Félix de Oliveira alegou que não caberia ação contra Hervázio uma vez que o vereador estava resguardado sob imunidade de opiniões e palavras. E, ao analisar a documentação inserida por Hervázio Bezerra no processo, decidiu por enviar o processo para o Procurador Geral de Justiça a fim de apuração por parte do Ministério Público Estadual.

“Em mais uma análise da documentação acostado aos autos, agora pelo réu, observa-se-á que existem fortes indícios da prática de ilícitos criminais, em tese de responsabilidade do autor, quando da licitação para a construção do terminal urbano de João Pessoa. Tais ilícitos, segundo do demandado, e a documentação acostada, aos autos, o demostram, passariam desde convites a empresas envolvidas na Operação Carta Marcada desenvolvida pela Polícia Federal, em razão de fraudes em licitação; realização da licitação sem que houvesse formada a comissão de licitação; nomeação por Ricardo Coutinho de uma comissão de licitação com efeito retroativo para dar cunha de legalidade em uma licitação que nunca existiu”, declarou o juiz ao sentenciar em favor de Hervázio Bezerra.

Entre os documentos apresentados ao juiz, quando da sua defesa, Hervázio Bezerra comprovou documentalmente que a prefeitura de João Pessoa formou a comissão de licitação dias depois de ter aprovado o certame.

“Não pode o julgador se quedar silente ante as gravesimputações feitas nestes autos, todas acompanhadas de documentação que apontam para crimes, em tese, de ação penal pública incondicionada”, destacou.

PB Agora

FESTIVAL AUMENTA QUE E É ROCK

Já estão à venda os ingressos para a quarta edição do Festival Aumenta que é Rock, que ocorre nos dias 6 e 7 de novembro no Candeeiro Encantado, no Centro Histórico da Capital. Os ingressos antecipados estão com preços promocionais de R$ 10 e podem ser adquiridos na Tribo`s Rock Wear, que fica nos shoppings Tambiá e Sul.

Opção social - Quem preferir adquirir os ingressos na hora do evento, poderá pagar (R$12) ou o mesmo valor do preço antecipado (R$ 10) com o acréscimo de um quilo de alimento. Toda a doação será encaminhada para a Secretaria de Desenvolvimento Social do Município que fará a distribuição para instituições carentes indicadas pelo órgão.

Como nas edições anteriores do evento, este ano estão confirmadas apresentações de bandas referências no cenário nacional como o Devotos, Retrofoguetes e Sick Sick Sinners.

Além disso, nomes bastante conhecidos como Confronto, Decomposed God, Nervochaos, Calístoga e a local Cabruêra fazem parte do headline do festival, que esse ano vai contar também com a presença da banda norueguesa Pulverhund e a despedida da banda Flávio Cavalcanti, que encerra o revival em comemoração aos 10 anos de lançamento do primeiro álbum do grupo.

O local - O evento deste ano vai ocorrer no mesmo palco das edições anteriores: o Galpão 14. Agora rebatizado de Candeeiro Encatado, esta será uma ocasião para os fãs do ex-bar-rock-da-cidade reviverem os dois anos em que o Coletivo Aumenta que é Rock gerenciou o local.

Além dos três festivais, passaram pelo palco do Galpão 14 nomes do Rock Nacional como Dead Fish, Matanza, Cachorro Grande, Cascadura, Jason, Mukeka Di Rato, Torture Squad e Forgotten Boys, além das internacionais One Day (Argentina) e The Nation Blue (Nova Zelândia).

Novidades - Essa semana começa a contagem regrevissa para o FAQER 2009 e uma das novidades do evento deste ano é uma parceria com o Circuito das Praças da Prefeitura de João Pessoa, que vai fazer o aquecimento oficial do festival.

Nos dois dias de evento, uma banda irá abrir os trabalhos do lado de fora do Candeeiro Encantado, no Largo de São Pedro. Na sexta-feira, a banda convidada é o Unidade Móvel, enquanto que no sábado toca a banda Iazul. Os shows começam pontualmente uma hora antes da programação do festival. Na sexta, às 19h, e no sábado às 17h.

Além da parceria com a Prefeitura de João Pessoa, o Festival Aumenta que é Rock conta com o apoio da Grafset, Prefeitura de João Pessoa, Moçada que Agita, Sistema Correio, Revista Cenário Cultural e Arte da Pizza.

Saiba mais sobre o Festival Aumenta que é Rock no nosso blog na MTV.
www.mtv.com.br/aumentaqueerock

Siga-nos no Twitter: www. twitter.com/aumenta
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Hyldo Pereira (83)8866-8635

AFONSO COELHO MOUTA: Um homem a frente do seu tempo

Afonso Coelho Mouta foi um desses homens que vêem oportunidade tanto na adversidade como na necessidade. Nascido no dia 12 de agosto de 1916, na a cidade de Massapê, Estado do Ceará. Era o segundo de uma prole dos oito filhos de Miguel Coelho Mouta e Maria do Carmo Coelho Mouta. Os outros irmãos eram: Raimunda, Francisco, Maria Geralda, Francisco de Chagas, Firmo, Maria do Socorro e Antônio..
Seu Afonso chegou à Paraíba em 1935, para fixar residência, passando a fazer parte dos quadros de funcionários do E.F.O.C. S atual DNOCS na cidade de Coremas, prestando seus serviços na construção da Barragem Mãe D'Água.
Casou-se no dia sete de setembro, do ano de 1940 com dona Clemilde, fato ocorrido na cidade de S. José de Lagoa Tapada.
Perdeu o emprego do DNOCS, no ano de 1946, quando veio morar em Pombal, a convite de seu cunhado Chiquinho Formiga, o qual ofereceu a sociedade de um “Bar” que havia comprado ao comerciante Pedro Junqueira, localizado à rua Ten. Aurélio Cavalcanti, entre a Farmácia Central e a Movelaria Moderna. Fixou residência com a família à rua Cel. João Leite, antiga Rua do Comércio.
Homem de personalidade marcante foi pai de seis filhos: José Cleonso, Galdino, Geraldo Achile, Maria Afonsilde, Maria Gorete e Maria Clemilde
Em 1951, ainda em sociedade comercial mantida com o cunhado, mudou seus negócios para um prédio onde funcionava as “Casas Bandeiras” comprando uma máquina de fazer sorvete e picolés, passando a ser conhecido pelo apelido de “Joaquim do Picolé”. Foi esta a primeira sorveteria existente na cidade de Pombal
Empreendedor e ativo desfez a sociedade e passou a trabalhar por conta própria, continuando com a sorveteria após adquirir uma nova sorveteria e uma fábrica de gelo.
No período do “Bar Sorveteria” ele transportava o “Bar” para um pequeno clube que funcionava no terreno da Brasil Oiticica onde as festas eram realizadas sendo animado pelo Conjunto regido pelo exímio maestro Manoel de Donária.
Os carnavais se faziam em sua própria Sorveteria, pois não havia energia elétrica na cidade, mas seu Afonso Mouta havia adquirido um Motor com Gerador, fornecendo para diversas casas residenciais de amigos. Foi o primeiro fornecedor de Energia elétrica da cidade de Pombal.
Também foi a primeira residência em Pombal a ser instalada uma linha telefônica, que antes só havia na Brasil Oiticica e na prefeitura.
Afonso Mouta acreditava que as suas atividades se desdobravam para subsistência da família, progresso e bem comum de Pombal que considerava seu torrão natal.
Em 1953 alugou outro prédio, o antigo Hotel de Chico Claro, onde permaneceu até 1954 quando vendeu a Sorveteria, a “Pedão”, que passou apenas três meses sob administração do novo dono.
Em 1954 Afonso Mouta compra uma tipografia que recebeu o nome de “Bom Sucesso” e readquiriu a já citada Sorveteria, a qual ficou até o ano de 1956 quando vendeu para comprar o Cinema ao seu cunhado Chiquinho Formiga, juntamente com as máquinas cinematográficas de 16mms..
Em 1958 resolveu ampliar o “Cine Lux” conseguindo colocar pela primeira vez, Cinemascope em Pombal, que também foi à primeira tela "Cinemascope" em um cinema do interior nordestino
Mereceu aplausos por parte da população, ao tornar realidade este sonho que o fez inaugurar em 19 de dezembro de 1958 com o filme “O Cavaleiro da Távola Redonda” cujo fabuloso elenco era constituído de: Roberto Taylor e Ava Garder.
A sociedade pombalense compareceu em massa a esta exibição cinematográfica, tendo recebido convite especial enviado pelo dinâmico proprietário numa demonstração de “marketing” já quando sequer se sabia o que era isto na região.
O Cine Lux também funcionava como casa de show, trazendo artistas de renome da época como Luiz Gonzaga e Nelson Gonçalves. Entre outros.
O seu empreendedorismo de Afonso Mouta foi reconhecido pelo povo de Pombal, sendo-lhes conferido o Título de Cidadão Pombalense, conforme Projeto de Resolução nº4/62, datado de 25/12/62, de autoria do Vereador José Nicácio Amorim o conhecido Zuza.
Aprovado em votação pelos vereadores:1. José Nicácio Amorim2. Valdomiro Bandeira de Sousa3. Francisco Fernandes de Almeida4. Pedro de Castro Formiga5. Pacífico Medeiros, tendo como presidente: José Benigno de Sousa – Lelé. A segunda votação pelos mesmos vereadores aconteceu em 28/12/62.
Promulgada pelo mesmo presidente Lelé, transformada em Lei no dia 04/01/63 ficando Alfonso Coelho Mouta filho da secular cidade de Pombal.
A frente do seu tempo que vivia, Seu Afonso era o único dono de Cinema do sertão da Paraíba a receber as “latas” de filmes através de um raro avião, de propriedade da Sanbra, que pousava no Campo de Aviação da Brasil Oiticica e foi este avião que lhe tirou a vida.
Seu a Afonso Mouta faleceu vítima de acidente numa manhã de 07 de fevereiro de 1964, vitima das hélices do um avião da Brasil Oiticica que, movimentando-se para decolar, o atingiu mortalmente, abreviando a vida deste grande empreendedor da nossa cidade.
Ele chegou a ser socorrido às pressas para o Hospital “Sinhá Carneiro” onde foi submetido a uma cirurgia feita pelo médico Dr. Avelino Elias de Queiroga, não resistindo aos ferimentos, falecendo no dia 08 de fevereiro de 1964.
A cidade de Pombal se comoveu com a prematura morte do Empresário e Pioneiro Afonso Mouta, fundador da primeira sorveteria, primeira fábrica de gelo, do primeiro cinemascope no sertão, primeiro fornecedor de energia elétrica, primeira residência com eletricidade e linha telefônica.
No ano de 1995, a Câmara dos Vereadores de Pombal, através do vereador Francisco Roque Arruda, Fã Arruda, denominou umas das ruas de Pombal com o nome deste grande empreendedor a frente do seu tempo.

Fonte de pesquisa:
Projeto de Lei n 033/95(Francisco Roque Arruda)
Livro Sob céu estrelado de Pombal


Jerdivan Nobrega de Araújo

“O meu retorno a João Pessoa”

Reminiscências 12

Capítulo VI

Desta vez a despedida foi de lá pra cá. Os dois anos e meses que passei em Fortaleza permitiu-me formar um saudável grupo de relacionamento. O time envolvia professores do departamento de economia rural, participantes do curso, entre outros nativos da terra. Depois de tanto tempo na terra de Iracema, estava a retornar à terra que me acolheu como verdadeiro filho.

Trouxe comigo a esperança de que encontraria espaços abertos para por em prática os conhecimentos que acumulei ao longo da minha permanência na Escola de Agronomia. Sonhar não faz mal, em razão disso sonhei até de mais.

Ademais, trazia dois importantes trunfos, quais sejam: os convites pra trabalhar em dois importantes órgãos de pesquisas e estudos especiais: a Embrapa e Ceplac.

Ao chegar, apresentei-me ao Diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, o senhor José Ferreira Ramos, na certeza de que encontraria um ambiente aberto, sobretudo receptivo, posto que, estava a receber de volta um professor que havia concluído o Mestrado em Economia, coisa rara naquela época. Era o ano de 1973, mais ou menos no mês de abril, não me lembro bem.

Enquanto não recebia uma resposta incorporei-me a equipe da CEPA, para participar da conclusão de uma pesquisa que estava em fase de apuração e análise, cujo objetivo era conhecer a realidade socioeconômica do Vale do Mamaguape.

Metodologicamente a pesquisa deixava muito a desejar, razão pela qual encontrei algumas dificuldades para organizar os dados segundo as intenções do estudo. Mesmo assim foi possível fechar o documento, embora até hoje, desconheça a serventia daquele estudo, cujos resultados finais serviriam de subsídio para a elaboração de programas e projetos voltados para o desenvolvimento da região em questão.

Continuei a conversar com o diretor do Centro, o senhor José Ferreira Ramos sobre as possibilidades do meu aproveitamento em regime de T-24, que era na época a maior carga horária que um professor podia assumir no exercício de suas atividades no magistério superior. Respondeu que era muito difícil, portanto não havia possibilidade. Noutras palavras, saquei a seguinte mensagem: não há espaço aqui pra você.

Dessa forma, teria que continuar como T-12 a perceber um salário ínfimo incapaz de influir de forma marcante no meu orçamento familiar. Não me preocupei, pois tinha recursos em poupança que davam pra suportar muitos meses sem trabalhar. Isso, porque nunca fui um gastador compulsivo.

Por outro lado, diante das negativas, por parte do Diretor do Centro, não tive alternativa. Assim então, retomei os meus contatos com a Embrapa e Ceplac. Como os convites dessas duas instituições continuavam em aberto, optei pela Ceplac, por se tratar de uma empresa localizada na região.

Assim sendo, compareci ao setor de pessoal da Universidade, encaminhei o requerimento, solicitando suspensão do meu contrato de trabalho por dois anos, direito este que me era assegurado por ser signatário de um contrato em regime celetista.

Ao ser deferido o requerimento, solicitei que fossem feitas anotações na minha carteira de trabalho, tal qual como havia solicitado, por um período de dois anos, segundo a forma da Lei.

Fui ao Centro, informei ao Diretor da minha decisão. Escutei alguns lamentos, elogios extemporâneos, demagógicos que, naquele momento podiam ser dispensáveis. Em poucos dias parti em direção a Itabuna, onde tinha que me apresentar para fazer os exames de praxe para em seguida assinar um novo contrato de trabalho. Fui recebido como se fosse uma celebridade.

Tive 30 dias de hospedagem, de forma graciosa, na pousada da empresa, com a família, com direito a visita do diretor administrativo da empresa, enquanto não alugava um apartamento. O salário era de primeiro mundo. Nunca pus as mãos em tanto dinheiro na minha vida. Pra completar assinei um contrato com Universidade Santa Cruz, onde lecionei a disciplina microeconomia por algum tempo. Sentia-me um novo rico.

Em sendo a Ceplac um centro de Planejamento e Pesquisa da Região Cacaueira, a possibilidade de desenvolver trabalhos nessa área deixou-me fascinado. Ao mesmo tempo em que fui contratado outros pesquisadores também se apresentaram para o exercício da mesma função.

O Jim, um americano especialista em comércio internacional e Ricardo Taffani, argentino, doutor em economia rural pela Universidade de Viçosa, Minas Gerais. Eu e Ricardo por afinidade na área de trabalho, ficamos na mesma sala.

Foi um momento esplendoroso trabalhar na Ceplac. A empresa pôs a minha disposição motorista, transporte, para que melhor pudesse conhecer a região cacaueira, alem dos seus limites.

Primeira viagem de reconhecimento foi pra região sul. Visitei a zona rural dos municípios de Una, Mombaça, Canavieira, Eunápoles, Santa Cruz de Cabrália, Porto Seguro até Itamaraju, nos limites com o Estado de Espírito Santo.

Em seguida fui pra região norte onde estive nos municípios de Taperoá, Valença, entre outros, com o mesmo propósito da visita que fiz aos municípios do sul, seja, conhecer as condições socioeconômicas dos pequenos e médios produtores das duas regiões.

A primeira região, mais ao sul, prevalecia a pecuária de corte e a extração predatória da madeira, infelizmente, extraída do que restava da mata atlântica. Era uma coisa de cortar coração. O barulho da moto-serra era escutado a distância. Por todos os cantos a serrarias estavam em plena atividade a desdobrar toras e mais toras de madeira a fim de transformar em tábuas, entre outros derivados.

A região mais ao norte o cenário econômico era outro.
A pequena e média produção formava a base econômica da região. O sistema de posse e uso da terra era menos concentrado o que permitiu a formação de uma agricultura fundamentada na pequena e média produção familiar.

Cultivava-se a pimenta do reino, cravo da índia, tubérculos, culturas de subsistências e ainda se praticava uma agricultura de coleta e produção de azeite baseada na amêndoa do dendê. A pecuária era menos intensa do que na região sul.

Depois de conhecer essas regiões, bem como suas respectivas bases econômicas, preparei os relatórios que serviram de partida para futuras discussões, com vistas a buscar alternativas de programas e projetos a fim de reduzir as disparidades econômicas entre a região cacaueira e as áreas periféricas. Foi exatamente para fazer esse trabalho que fomos contratados.

Na Divisão de Sócioeconomia para onde a gente foi designado, já havia um grupo que há muito tempo estava a pensar os problemas da região. Unimos a esse grupo, com vista a agilizar o andamento dos estudos, pois tínhamos em mãos os relatórios que indicavam os setores de maior urgência, em razão dos indicadores de pobreza, considerados preocupantes.

A renda, na sua maior parte, auferida pelas comunidades, na região mais pobre, derivava das atividades de coleta e beneficiamento da amêndoa de dendê para produção de óleo (azeite) comestível.

O Diretor Administrativo da empresa Dr. Vello, nos deu todo apoio de que estávamos a precisar para tocar os trabalhos pra frente. Eu, confesso, estava a viver momentos de euforia. Fui designado para coordenar os trabalhos de campo, assim como para a elaboração do diagnóstico das condições socioeconômica de toda área norte da região cacaueira.

O amigo Ricardo Taffani recebeu a tarefa de fazer um estudo, em caráter de urgência, sobre os custos de produção do cacau. O Jim estava sempre a estudar as oscilações do preço do cacau no mercado internacional. As coisas começaram a caminhar, coisa que não acontecia há muito tempo na Divisão de Sócioeconomia.

Ricardo era uma figura extraordinária. Argentino, mas dominava muito bem a nossa língua. Como trabalhávamos no mesmo ambiente, vez por outra fazíamos alguns comentários acerca dos trabalhos da empresa. Questionávamos porque anteriormente os trabalhas não caminhavam na rapidez que deviam caminhar.

Alguém no ambiente vizinho escutou a nossa conversa, distorceu, levou ao conhecimento do grupo mias antigo, de tal sorte que a coisa espalhou-se qual um rastilho de pólvora. De conversa em conversa, um simples comentário sem maldade, passou a receber versões diferentes daquilo que realmente a gente estava a conversar.

Por conta disso, todo tipo de pressão Ricardo passou a sofrer. O grupo antigo da Divisão sentiu-se agredido por conta de uns comentários que Ricardo nunca os fez. Foi terrível. Tudo não passava de inveja, porque conseguimos botar pra frente projetos que há muito estavam nos escaninhos a esperar pela boa vontade do grupo.

Ricardo viajou a Brasília e se acertou com a Superintendência da empresa, dessa forma foi trabalhar em Brasília, Mas, não era isso que estava a querer, pois pretendia ser contratado pela Embrapa onde seus amigos de curso de doutorado já estavam a trabalhar. O Jim também buscou ouros rumos.

Fiquei sozinho no meio das feras. Assim sendo, comecei a pensar também na minha retirada, porem sem falar pra ninguém, sequer pra minha esposa. Bem próximo ao fim do ano fui ao campo com a equipe para testar os questionários que coletaria as informações para a elaboração do diagnostico. Tudo certo, tal qual como esperava. Terminada essa etapa, solicitei férias para passar o final de ano na Paraíba. O novo governador já havia sido escolhido e todo mundo estava naquela expectativa de quem seria o secretário dessa e daquela pasta.

Encontrei-me com um amigo, que possivelmente assumiria uma secretaria e de cara fui convidado para retornar ao estado na promessa de trabalhar com ele. Expliquei a minha situação salarial na empresa onde estava e diante dos baixos salários que o estado estava a pagar, não seria possível o meu retorno.

Nesse meio tempo a Universidade passou a pagar melhor aos professores, o que me permitiu a negociar um salário no estado, mesmo com alguma perda com relação ao salário que recebia na Ceplac.

Tudo acertado. Retornaria a Cepa, que pagava um dos melhores salários do estado. A partir daí, passei a planejar o meu retorno. Confesso que foi uma decisão difícil. Estava envolvido até a alma na condução do projeto de estudos da economia de umas das regiões mais pobres do sul da Bahia.

Queria ficar, mas, o ambiente, depois da saída de Ricardo e Jim, ficou intolerável. Com certeza a próxima vítima seria eu. Assim, resolvi partir. No próximo texto contarei o resto da minha saga. Até breve.

João Pessoa, 23 de Outubro de 2009

Ignácio Tavares
CONTATO: itavaresarauj@yahoo.com.br

“Palavras e atitudes”

Palavras. Algumas possuem força inimaginável. Podem conduzir multidões para trilhar o bom combate, para abismos, guerras e enfrentamentos que só proporcionam tragédias e enriquecimento de poucos, que lucram com o rio vermelho que escorre dos inocentes combalidos pela ganância perversa da indústria armamentista e do poder econômico.

Palavras. Soam ferinas, indelicadas, inconvenientes e infelizes. Maltratam amigos, principalmente, quando quem as pronuncia encontra-se vestido com a armadura da prepotência da força do poder ou do dinheiro.

Palavras muitas vezes constroem mentiras, falsas realidades e mundos virtuais. São fugas que o homem cria para, por meio delas, para se esquivar dos problemas e dificuldades.

Palavras também podem representar versos, crônicas e prosas, que emergem de corações numa explosão provocada pela alma, que faz surgir no mundo material borbulhas de larvas sentimentais. Umas são melancólicas, outras com tom de protesto, mas as românticas são encantadoras, perfumam o espírito e quando transformadas em músicas, massageiam toda a essência da existência humana.

Palavras em muitas oportunidades representam discursos que na verdade não se convertem em atitudes. É aquela história do falso discurso. Decanto o amor, mas pratico a inveja; propalo a solidariedade, mas pratico o egocentrismo.

Decanto a amizade, mas estendo as mãos aos bajuladores e persigo os amigos; propalo a fé, mas carrego o ódio no peito. Decanto gratidão, mas tenho atitudes ingratas; propalo a humildade, mas procedo com tirania.

Quantas vezes alguém nos faz um favor, nos ajuda em situações difíceis, porém, quando temos condições de retribuir, utilizamos palavras de reconhecimento, no entanto, as atitudes são típicas de inimigos.

Somos hoje dotados de uma evolução extraordinária em diversas áreas físicas. Evoluímos no campo da eletroeletrônica; dos meios de comunicação; de transporte; na seara da saúde: com hospitais, medicamentos e equipamentos ultra modernos, além de dominarmos as ciências relacionadas com energia, com a agroindústria e até mesmo com a Astronáutica, todavia, apesar de tudo isso, a angústia e obsessão evoluem em assustadora escala.

Qual o motivo? Acho que a resposta encontra-se no ensinamento de Emmanuel, que afirma: “... o homem não se aprovisiona de reservas espirituais à custa de máquinas. Para suportar os atritos necessários à evolução e aos conflitos resultantes da luta regenerativa, precisa alimentar-se com recursos da alma e apoiar-se neles”.

A verdade é que o homem fixa-se muito na materialidade e, por isso, a palavra, principalmente da representação da verdade e do bem, fica apenas solta no ar, vagando pelos desertos da vida. As palavras que falam do amor e da fé devem ser efetivamente transformadas em atitudes, pois, só assim, seremos felizes.

Onaldo Rocha de Queiroga - Pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível João Pessoa
CONTATO: onaldo@tjpb.jus.br

A LUA E HOMEM

A lua geofisicamente é o satélite natural do planeta Terra, mas poético e liricamente é o mundo dos poetas e dos sonhadores onde encontram inspiração e dos enamorados da noite que procuram um ponto de referência para a evasão dos sonhos irrealizáveis e das esperanças do porvir. Dimensiona-se como um vasto campo para o mundo supersticioso que alimenta as satisfações oníricas e descreve as linhas imaginárias do agouro e do insucesso no caminho insondável do mundo místico. É o luar encantador das caatingas no sertão nordestino e um quadro desenhado pelo pintor da natureza quando visto da orla marítima que embeleza o marejar das ondas do mar.
E a confusão continua e continuará por muito tempo ainda no âmbito das duas alas que acreditam ou não na aterrissagem do homem no solo lunar depois de quarenta anos que se passaram, ocorrido no dia 20 de julho de 1969. A polêmica é salutar, faz parte do jogo democrático, e cada ala tem fortíssimos argumentos na defesa de suas proposições. Os realistas afirmam que sim, os oponentes asseguram que o fato não passou de uma tremenda conspiração planeja pela NASA.
Antes, porém, de adentrar no âmago da discussão, o homem de cultura mediana cada um tem as reservas para os aspectos lunares de acordo com o seu próprio sistema interior de observação da vida e dos fatos. A lua é muitas vezes encarada de forma negativa - O que talvez se deva ao fato de, ao contrário do Sol, não ter nem gerar luz própria. A variação aparente de sua forma permaneceu durante muito tempo misteriosa. Também se especulou muito sobre a influência indecifrável que este satélite da Terra exercia sobre as mulheres, o humor dos indivíduos (até provocar a loucura, pretende a lenda), o movimento das marés e as ondas do mar. A selenologia, ou estudo da Lua, afirma que a fase quarto crescente favorece tudo o que cresce, quer se fale de empreendimentos, da cultura da terra, da felicidade ou de infelicidade (até à lua cheia, incluindo essa data); a quarto minguante é 'favorável' a tudo o que declina e se fortalece do interior (as colheitas...). Cortar o cabelo ou as unhas, praticar uma sangria ou um purgante: todas estas operações estavam outrora sujeitas às datas das fases da Lua. Influência sobre os animais - Em Espanha, outrora, evitavam-se cuidadosamente os períodos de lua cheia para matar um porco; na verdade, temia-se que a carne se deteriorasse rapidamente e que se tornasse impossível conservá-la. Além disso, consta que os bezerros e os cordeiros concebidos durante esta fase não sobrevivem ou dão origem a partos difíceis. A linha da Lua - de noite, quando a Lua está visível, o seu reflexo desenha no mar uma linha que os pescadores irlandeses evitam passar por cima. O halo da Lua - este halo, quando aparece, anuncia chuva.
O nome do módulo, Apolo XI, chamava-se de Águia, e a águia é uma ave de rapina, quando Neil Armstrong pisou no solo lunar falou: “este é um pequeno passo para o homem, mas um gigante salto para a humanidade”.
Uma análise interessante, que combina com as linhas misteriosas do aspecto lunar, depois de decorridos 40 anos, dos três astronautas que compunham a cápsula , somente Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram o solo lunar, enquanto Michael Collins ficou dentro do módulo espacial. Todos os três têm a mesma idade, nasceram no ano de 1930. A vida dos dois que pisaram no solo lunar, parece que se conjugam com o sentido supersticioso da lua e não enveredaram muito para o lirismo poético. Por exemplo, Neil Armstrong se recusa a falar categoricamente sobre a viagem lunar e não dar autógrafo. Não gosta quando divulga comercial usando o nome dele. Em 1994, ele processou Hellmar Cards porque usou a sua imagem sem permissão. Em 2005, processou o barbeiro porque vendeu um molho de cabelo sem sua autorização. Por ocasião do divórcio, com sua primeira esposa, ela alegou que foram “anos de distância emocional”. Todavia, ele vive com a segunda esposa, Carol.
Buzz Aldrin, que pisou com Armstrong o terreno lunar, no retorno a Terra, caiu em depressão, leva uma vida de alcoólatra e permanece com colapso de nervo. Divorciou da primeira esposa e já se casou três vezes, sendo totalmente desligado com os assuntos familiares.
Enquanto isso, Michael Collins, o único que não pisou o solo lunar, pois ficou no recinto do módulo espacial, por incrível que pareça, por ter ficado o menos famoso dos três astronautas, é o único que vive uma vida tranquila ao lado de sua primeira esposa, Pat.
Por outra banda, a teoria da conspiração à aterrissagem lunar, com os seus fortes indícios de convencimento, dentre tantos defensores, podemos citar, Marcus Allen, um famoso fotógrafo inglês, de carreira profissional, distribuidor da magazine Nexus, afirmou que a aterrissagem do homem na lua, não passou de uma tremenda fraude. Á época do fato, foram notícias omitidas, houve conspiração e assuntos inexplicados, alegando que o noticiário está completo de dúvidas, indicando que os trajes espaciais são inadequados, ineficácia da câmera de filmagem, não tinha visor nem focalizador e não tinha fotômetro de câmera uma vez que os pilotos não dispunham de lentes sofisticadas. A velocidade e o obturador eram manuais e precisavam ser recarregados. Para isso, eles teriam que fazer um trabalho muito resistente para suportar a pressão interna, levantando as seguintes questões: 1) as estrelas não aparecem na fotografia: 2) a bandeira flutuava quando na lua não tem vento; 3) a cápsula ficou plana na superfície lunar; 4) Neil Armstrong se recusa terminantemente a falar sobre a aterrissagem lunar; 5) a tecnologia da época era primitiva e incompatível com a nossa realidade. Isto é, se fosse hoje era possível fazer toda aquela filmagem divulgada pela NASA.
Esclarecendo resumidamente o projeto Apolo:
Em 25 de maio de 1961, o presidente John F. Kennedy estabeleceu para os Estados Unidos a meta de, antes do final daquela década, colocar um homem na Lua e trazê-lo de volta com segurança a Terra.
Em 27 de janeiro de 1967, um incêndio a bordo da Apolo I matou três astronautas norte-americanos. Um curto-circuito pôs fogo na atmosfera de oxigênio puro da cápsula espacial, produzindo em segundos, muitíssimo calor. A mistura atmosférica depois foi alterada, tornando-se mais segura. Melhorias nas cápsulas Apolo, bem como em várias missões orbitais lunares Apolo, resultaram na aterrissagem triunfal da Apolo XI na Lua, no dia 20 de julho de 1969. A inscrição na placa do módulo de alunagem dizia: "Neste local homem do planeta Terra pela primeira vez pisou na Lua, julho de 1969 d.C. Viemos em paz em nome de toda a humanidade."
Por ocasião do encerramento do programa Apolo, os astronautas norte-americanos tinham passado cerca de 160 homens-hora explorando a Lua, a pé e utilizando exploradores movidos à eletricidade. Os astronautas conduziram muitas experiências de vários tipos e trouxeram, ao todo, aproximadamente 360 quilos de rochas e solo lunar de suas missões.
AS PRINCIPAIS MISSÕES APOLO FORAM AS SEGUINTES
Apolo VIII: 21 a 27 de dezembro de 1968, fotografou a Lua enquanto estava em órbita. Os astronautas dessas missões foram Borman, Lovell e Anders. A Apolo VIII trouxe uma série notável de fotografias coloridas do lado escondido da Lua.
Apolo X: 18 a 26 de maio de 1969, foi um vôo orbital lunar tripulado pelos astronautas Stafford, Young e Cernan.
Apolo XI: 16 a 24 de julho de 1969, a primeira alunagem tripulada realizada pelos astronautas Armstrong e Aldrin. O astronauta Collins comandou a nave-mãe que permaneceu na órbita lunar, esperando o retorno dos primeiros homens a andar no solo Lua.
Apolo XII: 14 a 24 de novembro de 1969, outra alunagem lunar bem-sucedida, os astronautas Conrad e Bean caminharam na Lua e o astronauta Gordon ficou em órbita lunar aguardando seu retorno.
Apolo XIII: 11 a 17 de abril de 1970, astronautas Lovell, Swigert e Haise a bordo. A Apolo XIII foi o malfadado vôo, não foi tentada a aterrissagem na Lua por causa de uma misteriosa explosão ocorrida anteriormente num dos tanques de oxigênio. Porém, os astronautas da Apolo XIII cumpriram suas missões fotográficas a partir da órbita lunar.
Apolo XIV: 31 de janeiro a 9 de fevereiro de 1971, chegou à Lua sem dificuldades e aterrissou com segurança. Os astronautas Shepard e Mitchell caminharam na Lua enquanto o astronauta Rossa pilotava a nave-mãe na órbita lunar.
Apolo XV: 26 de julho a 7 de agosto de 1971, outra missão de aterrissagem bem-sucedida, os astronautas Scott e Irwin realizavam experiências na Lua, enquanto o astronauta Worden esperava seu retorno na nave-mãe. Deve-se dizer que todos os astronautas que pilotavam a nave-mãe tinham sua parte de experiências a realizar, bem como numerosas missões fotográficas. Além disso, as mensagens de rádio enviadas pelos astronautas que estavam na Lua eram transmitidas a Terra pela nave-mãe. O público deve entender que os astronautas que não puderam andar na Lua merecem tanto respeito e crédito quanto os que andaram.
Apolo XVI: 16 a 27 de abril de 1972, aterrissou na Lua, e os astronautas Young e Duke realizaram experimentos na superfície. O astronauta Mattingly ficou orbitando a Lua, esperando o regresso de seus companheiros exploradores lunares.
Apolo XVII: 7 a 19 de dezembro de 1972. Foi a última missão Apolo de alunagem, o local de alunagem ficava no vale Taurus-Littrow. A tripulação da Apolo XVII era composta pelo astronauta Cernan, cientista astronauta Schmitt, e o astronauta Evans, que ficou circulando na órbita lunar.



João Pessoa, 29 de outubro de 2009.



SEVERINO COELHO VIANA
scoelho@globo.com

SOS CINE LUX DE POMBAL

Eu vi um homem chorar como uma criança. Eu vi uma senhora segurar com força as grades pretas de ferrugem e ficar por horas mirando as desnudas paredes onde eram expostos os cartazes nos áureos tempos daquela velha casa de exibição cinematográfica. Eu vi suas lágrimas. Eu senti que aquele homem e aquela senhora viajavam para um passado onde, com certeza, eu estava. Eu sei o que eles viram. Eu sei por que eu também viajei naquele sonho e vivi aquele tempo de glória. Então, nós vimos o passado. O nosso passado! E ele lembrava o premiado Cinema Paradise que, por ironia do destino, nunca chegou a ser exibido nas telas do velho cine Lux. Mas com certeza, quem nasceu em Pombal chorou ao assisti--lo.
Nós vimos " seu " Afonso chegar com um lançamento da Vera Cruz ou da Cinelândia. Nós vimos o Sr. Juiz entrar apressado, mesmo sabendo que sua cadeira era reservada e cativa. Nós assistimos "O Ébrio" e "A aparição de Fátima". Nós vimos Padre Andrade deixar a celebração da missa de domingo pela metade, colocar um picolé em cada bolso da sua velha e surrada batina e entrar correndo para dormir na sua cadeira predileta, bem próximo ao barulhento ventilador que mais parecia um helicóptero em decolagem.

Nós relembramos o milésimo gol de Pelé nas atentas lentes do Canal 100. E, nas matinês de domingo, nos acotovelamos para assistir Durango kid ou Tarzan.

Nas noites adentro vimos mocinhas e senhoras chorando após verem por três vezes consecutivas o clássico "Dio come ti amo".

Ver um filme no Cine Lux, antes de ser uma forma de entretenimento numa pequena cidade do interior, era, acima de tudo, um raro momento de prazer que, só quem viveu aquela época, poderá explicar. O espetáculo tinha início do lado de fora da casa de exibição. Namorados desfilavam de um lado para outro; crianças liam os cartazes expostos. Não adiantava sair de casa antes de terminada a seção do cinema. A vida na noite de Pombal tinha início com o apagar das luzes do velho Cine Lux.

Tudo ao som das mais lindas canções. Pois é, seria injustiça deixar de dizer que o Cine Lux contava com uma discografia de fazer inveja às grandes emissoras de rádio da capital.

O sinal de luz avisava que o filme estava para começar. Galdino, sempre inquieto, recolhia um a um os ingressos. Lá dentro, avisos de não fume de todos os lados e o silêncio mágico dos espectadores que aguardavam os três últimos sinais de luz. Depois de quinze minutos do início da exibição, as portas se fechavam e ninguém mais entrava . Era a disciplina que na época reclamávamos da sua rigidez e hoje lamentamos a sua falta.



A tela era panorâmica. Uma das primeiras na Paraíba para exibição do recém chegado Cinemascope. Isto mesmo. O gênio empreendedor o " Seu " Afonso via sempre à frente.

Como moleque que éramos mentíamos a idade a fim de assistirmos fitas proibidas para menores.

Lembro-me de alguém que esteve na capital vaiou o certificado de censura. Ele foi expulso, mas deste dia em diante, já entendendo o motivo, continuamos vaiando aquela cena sem arte.

Ali, parado, em poucos minutos viajamos para um passado tão perto e tão distante. Pegamos na mão da primeira namorada e fomos advertidos pela lanterna vigilante de Galdino. Como isso nos irritava! Se soubéssemos que tudo ia fazer parte desse passado doído, teríamos aceito o constrangimento com todo prazer.

Em pensamento, eu passo no Mercado Público e ainda vejo lá, exposto, o cartaz do filme do dia. —Hoje será exibido "Moisés".

Só que desta vez ele não dividirá mar nem levará os filhos de Israel à procura da Canaã. Desta vez ele levará os filhos de Pombal saudade a dentro, nas telas da realidade e os afogará em um mar de desrespeito e esquecimento da sua própria memória.

Mas é preciso acordar. Encarar a realidade sem culpar a ninguém. O progresso, vilão de toda nostalgia, fez a sua parte enterrando no esquecimento aquele cinema e suas duas máquinas projetadas que já foram consideradas as melhores do Nordeste. O tempo, roteirista de cenas findas, vem cumprindo o seu papel enterrando para sempre todo e qualquer vestígio dos tempos de glória do velho Cine Lux.

" A força da grana que ergue e destrói coisas belas " já levou o sobrado da rua Nova e a casa de farinha da "Outra banda ". Já silenciou o apito da chaminé da Brasil Oiticica, devastou as ingazeiras, assoreou o velho Piancó, parou no tempo a velha estação de trem e afastou-me da roça de Mila.

— Que mais ela quer de mim ?

É claro que não estamos pedindo todo esse passado de volta, (apesar do poeta sempre querer tudo outra vez), isto seria humanamente impossível, no entanto não podemos deixar de alertar aos que têm o poder nas mãos, estes homens, muitos deles filhos de Pombal como é o caso do Delegado do MEC ou do presidente do Tribunal de Justiça, para citar dois apenas, para juntarem suas forças e revitalizarem o velho prédio do CINE LUX. Não podemos deixar o que há de mais precioso da nossa cidade se esvair pelas veias abertas da insensatez. Lembrem-se vocês que, fazendo assim, estarão resgatando para sempre uma parte da nossa história e, pela importância do ato, entrando também para história da cidade pela porta da frente.

Que belo teatro, senhores, poderíamos construir revitalizando o local onde outrora vivemos momentos inesquecíveis. Eu tenho certeza de que ainda assistiremos a um trabalho do Tarcísio Pereira no CINE TEATRO LUX.

Vamos pensar com carinho no caso

JERDIVAN NÓBREGA

Fogo, O Salário da Morte

Muitos ainda não puderam assistir a exibição do filme “Fogo, o Salário da Morte” dirigido pelo competente Linduarte Noronha. Trata-se do primeiro longa-metragem produzido no Estado, tendo sido rodado em Pombal. Uma obra de arte que deveria ser recuperada para a alegria de muitos pombalenses, principalmente os que ainda não puderam ver e admirar o trabalho já apreciado por um grande número de cinéfilos paraibanos.
Assisti-lo também foi um sonho acalentado por mim, até que o primo José Romero Araújo Cardoso, professor adjunto do Departamento de Geografia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pelo PRODEMA da UERN, e assessor da Fundação Vingt-un Rosado/Coleção Mossoroense, residente em Mossoró (RN), conseguiu uma cópia e pude realizar este sonho. Importante seria que as gerações mais recentes conhecessem este trabalho cinematográfico paraibano e curiosamente, como bem me repassava o primo Romero, uma heróica produção local diante dos limitados recursos que se podia contar naquela época.
Realizado em 1970, tendo a produção da Cactus, empresa criada pelos competentes José Bezerra Sobrinho e W. J. Solha. Idealizado a partir do romance “Fogo” do escritor José Bezerra, falava sobre crimes de pistolagens ocorridos na região focado no drama de consciência de um matador (pistoleiro) interpretado pelo próprio W. S. Solha. Me encheu os olhos ver no filme importante elenco, composto por Balduíno Lelis, Margarida Cardoso, Ednaldo do Egito, Eliane Giardine (sobrinha de Solha tendo esta, com esse trabalho, estreado no cinema), além de uma série de atores e participantes locais. Não pára por aí a riqueza do filme, conta com a fotografia do veterano Manoel Clemente, a montagem de João Ramiro de Melo e como assistente de direção Jurandy Moura.
Sobre o filme, que na oportunidade fiz questão de assistir com a família, também mereceu destaque a trilha sonora, composta pelo maestro Pedro Santos, interpretada pela banda “Som Imaginário”. Faço, daqui uma ressalva, procurei o amigo Galdino Mouta, na esperança de que pudesse gravá-la para mim mas infelizmente tomei conhecimento, que a trilha foi feita exclusivamente para o longa-metragem. É de fato uma pena. Na oportunidade, tomei conhecimento de que “Fogo, o Salário da Morte” foi concluído no final dos anos 70 (ano em que nasci) e que infelizmente em termos de bilheterias, em sua trajetória, não foi bem sucedido principalmente porque naquele tempo as pessoas não queriam mais ver filmes em preto e branco. Como se não bastasse, o prejuízo tido pelos produtores foi incalculável, pois a obra nunca se pagou. Mas deixemos para traz o que não foi contabilizado no passado. A questão hoje poderia ser outra, não valeria a pena com recursos mais aprimorados e levando-se em conta a tecnologia presente, reeditar o filme que colocou o nosso estado no mapa cinematográfico e a cidade de Pombal na condição de cenário ideal? Muitos pombalenses, nordestinos e brasileiros ainda não conhecem o que eu não conhecia até então, antes da oportunidade concedida pelo primo José Romero Araújo Cardoso, acerca do ousado projeto cinematográfico intitulado “Fogo, o Salário da Morte”.
(*) José Marcelino de Sousa Neto. Historiador e radialista paraibano, natural de Pombal – PB.

RUA DO COMÉRCIO

Nasci na Rua Nova, próximo à matriz, poucas casas adiante da dos líderes políticos Ruy e Janduhy Carneiro. Poucos anos após nos mudamos para a Rua do Comércio, onde desenvolvi a melhor fase de minha infância e ganhei a alcunha de Novo. Minha rua tinha o privilégio de começar com uma igreja e terminar com um colégio. Está aí um diferencial e tanto, sem contar que através dela é que se tinha acesso ao único estádio de futebol da cidade de Pombal.

A Rua do Comércio, nos anos sessenta, não tinha calçamento. Quando ocorriam chuvas torrenciais, a garotada se divertia tomando banho de “biqueira” ou soltando barquinhos de papel nos longos riachos que se formavam rua abaixo. Era diversão para os jovens e satisfação para os adultos, na esperança de que o inverno fosse promissor para uma economia com base na produção agrícola. “Se continuar chovendo assim, meu filho, em breve estaremos comendo pamonha e canjica à vontade” – dizia meu pai Deoclécio Maniçoba.

Mas o que encantava mesmo a Rua do Comércio de minha juventude era o burburinho das pessoas que necessariamente por ali passavam, quer para ir orar na Igreja do Rosário, quer – em sentido inverso – freqüentar aulas no Colégio das Freiras ou no Grupo Escolar João da Mata.

Era no Colégio das Freiras onde estudavam as moçoilas mais bonitas da cidade. Lembro que sempre ficava na janela de minha casa observando o passar das lindas normalistas, com seus uniformes de saias plissadas azul-marinho, blusas e meias brancas, e sapatos pretos de bicos ovalados. Quantas normalistas me enchiam os olhos de garoto, indo da beleza sutil de Rosarinha ao esplendor de Claudeth! Pensamentos povoavam minha mente: “Quando crescer, vou me casar com uma dessas!”

Mas, minha rua também tinha outras características interessantes. Com os poucos trocados que conseguia, dois destinos estes tomavam. Ou me deliciava com os Cavalinhos de Goma da mercearia de D. Joana, ou com o pão com manteiga da bodega do Toinho. Nada se comparava a essas iguarias. Pense num lanche em que oportunista nenhum se omitia em pedir um naco!

Os moradores da rua eram figuras de reputação ilibada e de cordialidade a toda prova. Como esquecer do brincalhão Biró, D. Cora , Seu Cícero, Seu Lelé, D. Guiomar, Dr. Lourival, Seu Mizinho, Seu Álvaro, Dona Niní, Léo Fotógrafo e tantos outros, além de Marisa e Chiquita – que sutilmente me fizeram entender o significado da palavra amizade – pela convivência fraterna e duradoura que tiveram com minha única irmã Tota – de saudosa memória.

Com tantas características positivas, minha rua já delineava bons frutos para as futuras gerações de moradores. Não poderia ser de outra forma para um logradouro que começa com uma igreja e termina com um colégio. Dali surgiram grandes filhos de Pombal e até promissores escritores e historiadores, como despontam Romero Cardoso e Verneck Abrantes .

Após tantos anos longe da minha cidade e da minha rua, saudosista que sou, quando por ali passo em trânsito para João Pessoa, quase sempre alta noite, ouço o som do silêncio madrugal e, às vezes, porque não, o burburinho suave das lindas normalistas do Colégio das Freiras.

Antonio Dantas Maniçoba
(*) Filho de Pombal, MSc. Eng. Elétrica/UFCG,Professor da UFMA e acadêmico de Direito

A CADEIA VELHA

A cidade de Pombal localiza-se no alto sertão da Paraíba, foi o primeiro núcleo de populacional da região, o qual deu origem a outros núcleos habitacionais. Na velha cidade, entre outros marcos históricos, destaca-se a Velha Cadeia que mantêm ainda suas linhas arquitetônicas, denunciando em nosso tempo, a introdução de um marco da era imperial no alto sertão paraibano. Desativada como presídio, a velha Cadeia deveria ser o Museu do Cangaceiro, o que bem caracterizaria sua história, mas o projeto não foi adiante. Alicerçada no ano de 1848, famosa porque concentrava presos perigosos do Estado e cangaceiros da década de 20, a Velha Cadeia não abriga mais presos, mas uma instituição denominada de Casa da Cultura, completamente esquecida e hoje sem nenhuma finalidade. Em suas celas de parede largas e piso de tijolos rústicos passaram muitos criminosos que marcaram época: Donária dos Anjos, que durante a seca de 1877, segundo a própria, “para não morrer de fome”, matou uma criança e comeu sua carne. O bandido “Rio Preto”, que se dizia, tinha um pacto com o diabo. “Era curado de bala e faca, no seu corpo os punhais entortariam as pontas e as balas passariam de raspão”. Ferido á bala, “Rio Preto” morreu dentro da velha cadeia. Outro preso famoso foi Chico Pereira, que após a morte de seu pai se fez um dos grandes chefes do cangaço no sertão da Paraíba. Os fanáticos pretos das “Irmandade dos Espíritos da Luz”, chefiados por Gabriel Cândido de Carvalho, também tiveram sua participação na história da velha cadeia. Mas entre muitos acontecimentos, um se destaca pela audácia. Jesuíno Brilhante, cangaceiro inteligente, com certa instrução educacional, foi protagonista da história, que deu-se da seguinte forma: Lucas, irmão de Jesuíno, cometeu um crime em Catolé do Rocha, foi preso e remetido , havia tempo, para cadeia de Pombal, onde estavam mais de 50 presos da cidade e de outras vizinhanças. Como o julgamento estava demorando, Jesuíno tomou a decisão de libertar o irmão. Às duas horas da manhã de 19 de fevereiro de 1874, numa quinta feira, chovendo bastante, não havendo ronda noturna, Jesuíno Brilhante, seu irmão João Alves Filho, o cunhado Joaquim Monteiro e outros, perfazendo um total de oito cangaceiros, todos montados a cavalos, atacaram de surpresa a Velha Cadeia, que na época era guarnecida por um cabo, onze soldados da Guarda Nacional e um da polícia. Despertando-os a tiros, dizendo em voz alta os nomes dos primeiros atacantes, destacados como os mais importantes do bando, dando viva a Nossa Senhora, os oitos cangaceiros conseguiram dominar todos os soldados. Enquanto isso, os presos acendiam velas e lamparinas para iluminar as celas. Os cangaceiros se apoderaram das armas e munições, distribuiriam com presos que, aos poucos, iam ganhando liberdade e ajudando no ataque. Arrebentaram cadeados, fechaduras, dobradiças, grades e saleiras com pedras, machados e outros instrumentos. Foi um verdadeiro levante, na maior algazarra. Depois se retiraram gritando pelas ruas, quando já se tinham evadido 42 presos de justiça, ficando 12 que não quiseram fugir. Os fugitivos tomaram rumos diversos, não constando nos autos a capturas de um só criminoso. Hoje, a Velha Cadeia, com a denominação de “Casa da Cultura”, se encontra por trás de alguns barracos que vendem bebidas, quando sua calçada secular vem servindo de banheiro para bêbados e desocupados. O abandono dos nossos monumentos históricos exalta o atraso e o desrespeito aos nossos antepassados.


A antiga cadeia de Pombal Um marco histórico da era imperial Pombal - PB Julho - 2004



A cadeia alicerçada em 1847, em estilo colonial, faz parte do Centro Histórico de Pombal, com suas celas de paredes largas de tijolos rústicos, piso de pedras, grades de ferro, mantendo suas linhas arquitetônicas originais, famosa por concentrar os presos perigosos do Estado, que marcaram a época e cangaceiros da década de 20 e 30.



Na escuridão das celas, podiam ser visto sorrisos sem dentes, olhos avermelhados e mãos ásperas que se esfregavam e acenavam, aproveitando as rétias de sol, que a justiça não conseguia prender e desta forma, podiam entrar e sair livremente, sem que fossem pertubados pelo velho e sono lento de João Fagundes, que fazia a vez do carcereiro.



Algumas histórias dessa velha cadeia marcaram a época:




- Donária dos Anjos, que durante a seca 1877, para não morrer de fome, matou uma criança e a comeu.



- O Cândido Rio Preto, que dizia ter pacto com o diabo. "Era curado de bala, faca e os punhais no seu corpo entortariam as pontas, as balas passariam de raspão". Ele vivia a assaltar os comboios de gênero alimentícios e a violentar mulheres de surpresa nos caminhos ou cercando-lhes as casas, quando andavam os maridos campeando o gado. Ferido á bala. Rio Preto morreu dentro da cadeia.



- Outro preso famoso foi Chico Pereira, que após a morte de seu pai, se fez um dos grandes chefes de Cangaço no sertão da Paraiba.



- Os fanáticos pretos da Irmandade dos Espíritos da Luz( Negros de Mãe D`àgua), chefiados por Gabriel Cândido Carvalho, também tiveram sua participação na história da Velha Cadeia.



- Ataque á Cadeia Pública de Pombal, divulgado no jornal "A União", de 02Dez1961, entre tantos acontecimentos, detaca-se pela sua audácia Jesuíno Brilhante, junto com outros cangaceiros, tomou a decisão de liberar o irmão Lucas, que estava preso por ter cometido um crime em Catolé do Rocha. Foi preso e remetido para a cadeia de Pombal e da região. Conforme velhos processos que existem no cartório do 1º ofício da Comarca de Pombal.



As duas da manhã de 19 de Fervereiro de 1874, chovendo muito e não havendo ronda noturna, Jesuíno Brilhante, seu irmão João Alves Filho, o cunhado Joaquim Monteiro e outros, perfazendo um total de oito cangaceiros, todos montados a cavalo, atacaram de surpresa a Velha Cadeia, que na época era guardada por um cabo, onze soldados da guarda municipal e um da polícia. Despertando-os a tiros, dizendo em voz alta o nome dos três primeiros, dando viva a Nossa Senhora, os oito cangaceiros conseguiram dominar todos os soldados.



Os cangaceiros se apoderaram das armas e munições, distribuindo com os presos que, aos poucos, iam ganhando a liberdade e ajudando no ataque. Arrebentaram cadeados, fechaduras, dobradiças, grades, soleiras e teto com pedras e achado. Foi um verdadeiro levante, na maior algazarra. Depois se retiravam gritando pelas ruas, quando já tinha evadido 42 presos de justiça, e ficaram 12 que não quiseram fugir. Os fugitivos tomaram rumo ignorado, não constando nos autos à captura de um só criminoso.



Nunca tantos presos deveram tanto, a tão poucos bandidos. Hoje, a Velha Cadeia, que resiste á passagem do tempo, é um marco da era Imperial, é uma relíquia da história pombalense, que guarda muitas histórias a ser ainda contadas, fazendo também parte do Centro Histórico de Pombal, resgatando assim mais um aniversário de sua história: 142 anos d

VERNECK ABRANTES

9º PREFEITO DE POMBAL CEL: FRANCISCO DANTAS DE ASSIS

O Coronel Francisco Dantas de Assis e Luiz Granja Coimbra, são nomeados Prefeito e sub-prefeito, respectivamente, cabendo ao sub-prefeito a conclusão do mandato, que foi até o ano de 1925.

Conselho Municipal.

Presidente: Coronel João Vieira Carneiro.

Vice-Pres.: Tenente Manoel Firmino de Medeiros. Argemiro Liberato de Alencar. Manoel Martins Gomes de Sã. Germano, Ferre ira Linhares. Francisco Alves de Lima.

No dia 10 de setembro do ano corrente, no Paço do Conselho Municipal, ocorre uma reunião para assinatura do Termo de Compromisso e posse no cargo de sub-prefeito do major José Liberato de Alencar, de conformidade com a portaria de 24 de julho 1920, do Exmo. Senhor Presidente do Estado da Paraíba, Francisco Camilo de Holanda.

Coronel Francisco de Assis, era casado com Maria Florentina de Queiroga, pais de: Ornilo Queiroga de Assis, José Dantas, Ana, Ozório, Francisco, Joaquim (Peixinho), Epitácio, Bernardina, Amadeus, Mariêta, Solon e Eloy Queiroga de Assis. Fazendeiro e coletor federal, ele era avô materno do ex-vice-prefeito de Pombal, Martinho Queiroga Salgado.

As rendas do Município de Pombal, via impostos, continuavam baixíssimas e isso contribuía para as dificuldades administrativas e comunicação com as localidades mais distantes do perímetro urbano.

Os principais distritos eram; Malta, Paulista e Lagoa, além dos povoados de Várzea Comprida, São Domingos, Cajazeirinhas, São Bento, Mimoso e Arruda Câmara. A população total do grande Município era de 19.299 habitantes, sendo 10.802 mulheres e 9.497 homens.

Em 1922, o botânico da Inspectoria Federal de Obras Contra as Secas, Philipp Von Luetzelburg, de passagem por Pombal, faz o seguinte registro: ..."Quanto mais distanciamos do lugarejo de Malta, e nos aproximávamos à Pombal, tanto mais pobre a flora se manifestavam em cactáceas e mais rica em piptadenia, semelhante à acácia echinata, e pelo sertanejo denominada erroneamente de angico. Do terraço avistamos ao Sul a vasta amplidão do planalto ondulado em direção a Piancó, coberto de caatinga uniforme e contínua, e a nossa direita saldavam-nos as torres da matriz de Pombal e o seu quadrado de casas, tão celebrada na história da Paraíba. O Pombal de hoje, (ano de 1922), obedece ao antigo molde, é constituído em quadrado, com algumas ruas novas paralelas; tem bom comércio; uma matriz grande na parte mais elevada que se inclina para o rio Piranhas".

Com certeza o rio era o Piancó e a igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso.

Curiosamente, Philipp Von, descreve como se dava a correspondência da época:

"A Resistência dos Sertanejos. O estafeta do correio do interior e o "positivo", o correio do fazendeiro.

A comunicação verbal alastra-se no sertão com muita rapidez, de fazenda à fazenda, mais do que a comunicação escrita, a carta.

Em longas e penosas marchas, exposto ao calor e às chuvas, o estafeta executa as suas caminhadas, acompanhando seu burrinho magro.

Fazendeiros abastados têm os seus "positivos", serventes dedicados e fiéis radicados, muitas vezes descendentes dos velhos escravos do imóvel. Esses "positivos" são que transmitem a correspondência e os recados dos seus patrões de uma fazenda a outra. É quase incrível em quão breve tempo esses "positivos" vencem as grandes distâncias entre diversas fazendas. São campeões de corridas. Eu, pessoalmente, fui testemunha de um fato deste. Um partido político, cuja cabeça era um fazendeiro abastado, foi avisado de uma tentativa de assassínio de um correligionário. Era mister avisar ao amigo com pressa, e preparar a sua fuga. O fazendeiro chamou o seu "positivo", deu-lhe uma carta e despediu. O "positivo" toma sua bolsa de couro com pouco mantimento, uma cuia para apanhar água, calça as alpercatas e entra na escuridão da noite. Trinta e duas léguas devem ser vencidas! Através da caatinga seca, trilhadas e espinhentas, de areais e pedras, sem água. Quando amanhecia o quarto dia ele voltava à fazenda do seu patrão, trazendo a notícia lacônica da fuga do amigo. Um abraço e uma xícara de café foram os signas de gratidão do patrão para esse feito colossal, de um percurso de 384 quilômetros à pé, em quatro dias.

Para o "positivo", esse agradecimento do seu amo valia mais que qualquer outra recompensa".

Tempo em que a certeza de uma informação segura, tinha a eficiência do seu repasse, verbalmente.

São idos distantes, quando Pombal pequena, isolada, parecendo parada no tempo, sem energia elétrica, sob o céu estrelado do sertão, com cadeiras nas calçadas... O único divertimento, ocasionalmente, era ver a banda de música passar. Na época, uma das características dos coronéis, que recebiam as patentes em função do tradicionalismo familiar e grau de importância na sociedade local, era se vestir elegantemente. Na cidade, que se encontra em uma região do semi-árido paraibano, com altas temperaturas, era comum se ver, durante ás reuniões políticas, festas, batizados, passeios, missa dominical etc., as pessoas usando jaquetões, botas de canos longos, chapéus de massa, relógios de ouro na algibeira e bengalas... As mulheres que se destacavam na sociedade pombalense, em dias de festas, pouco deviam ao vestuário lusitano, dos sapatos aos chapéus, além das jóias. Naturalmente um reflexo da moda feminina, deixada pela colonização portuguesa. As finanças da época, eram obtidas através da agricultura de inverno e da pecuária bovina, caprina e ovina.

VERNECK ABRANTES

8º PREFEITO DE POMBAL FRANCISCO BEZERRA DE SOUSA

Francisco Bezerra de Sousa, é nomeado Prefeito de Pombal, por um período administrativo de alguns meses. 0 Conselho Municipal era o mesmo da legislatura anterior. Na época de poucos recursos financeiros, a importância administrativa do Prefeito era marcada pela honestidade e a capacidade de trabalhar na solução dos diversos problemas que surgiam por todo o Município. Naquele tempo, as rendas da municipalidade, via impostos, eram praticamente insignificantes para se fazer uma administração à altura das necessidades da zona urbana e rural. No entanto, existia o respeito à autoridade. A exemplo. era comum, por Decreto, o Prefeito regular em instruções Municipal, a proibição da criação de caprinos em determinadas comunidades rurais, por julga-Ia prejudicial aos interesses da produção agrícola local, sobretudo em áreas com plantio de algodão, na época, considerada como uma das principais fonte de riqueza do Município. As ordens decretadas e difundidas nas comunidades, eram prontamente obedecidas.

As instruções estabelecidas nos decretos, eram fiscalizadas por pessoas reconhecidamente idôneas, nomeadas pelo Prefeito Municipal. Elas tinham, praticamente, as mesmas funções dos Almotacéis, dos idos de 1794, que eram de supervisionar e cobrar impostos nos diversos sítios e povoados espalhados pelos sertões da Paraíba.

Francisco Bezerra, conhecido como "Matavó", (porque nasceu no dia em que o avó morreu), era fazendeiro, guarda fiscal, casado em primeira núpcias com Delfina Pinheiro Bezerra, dos quais nasceram os seguintes filhos: Origenes Pinheiro Bezerra, Maria (Santinha), Adelziva, Leovegildo, Ana, Cândida, Mateus e Haley Pinheiro Bezerra. Em segunda núpcias, casou-se com Francisca trigueiro Bezerra, pais de: Clemenceu Trigueiro Bezerra, Terezinha, Paulo e Joaninha.

Francisco Bezerra era tio do ex-prefeito e deputado estadual, Dr. Atêncio Bezerra Wanderley.

1920. Apesar do imenso Município, Pombal continuava uma pequena cidade, a comunicação deficitária com outros centros mais avançados e as instruções educacionais restritas a zona urbana, com pouca influência na zona rural. Verificando isso, registro a população do Município com seus distritos, segundo o grau de instrução primária aptas para alfabetização.

Sabiam ler e escrever.

Homens: 2.057.

Mulheres: 1. 194.

Total: 3.25 1.



Não sabiam ler nem escrever.

Homens: 7.440.

Mulheres: 8.608.

Total: 16.048.

BELARMINO FERNANDES DE FRANÇA

Belarmino de França, poeta popular, nasceu a 26 de dezembro de 1894, na cidade de Pombal-PB, no sítio Várzea da Serra, mais precisamente no antigo distrito de Paulista, o qual foi elevada a categoria de cidade em 1961. Era filho de Vicente Manoel de França e Maria Benvinda Fernandes. Contraiu núpcias com Emerentina Dantas de Sousa no dia 22 de outubro de 1922, de cujo enlace matrimonial nasceram os seguintes filhos: Federalino Dantas de França, Rita, Benigno, Almira, Alzira, Maria, padre Solon, Raimundo (Doca) e Benedito Dantas de França. A exceção de padre Solon, todos os filhos viviam da agropecuária, em diferentes propriedades do município de Paulista-PB. O poeta faleceu na terra em que nasceu no dia 20 de março de 1982. Seu Belo, como também era conhecido, teve seu ensino fundamental em uma escola rudimentar, que freqüentou apenas quarenta e cinco dias, o suficiente para instigar sua grande sabedoria. Mas, o que verificamos, é que, aliado a sua privilegiada inteligência, sua verdadeira escola foi os caminhos dos sertões, a lida na fazenda Várzea da Serra, de cujo solo, água represada, a bonança dos invernos ou a vivenciando os causticantes anos de seca, entre os “elementos naturais da natureza”, ele retirava seus próprios frutos e a subsistência da sua grande família. Quando idoso, dizia: “Já me considero velho para a lembrança dos moços. O mundo de vocês, não foi o meu. O meu, foi diferente, com cheiro gostoso do café torado em casa, balidos de ovelhas, cururu cantando nas lagoas, romãs cor-de-rosa, e um alvorecer serenado, orvalhando flores. Meus amores foram muitos, para só ficar um... Às vezes, de olhos cerrados, medito a vida. E na cabeça dos serrotes, cumprimento as lagartixas... E piso o chão que me viu nascer, apanhando gafanhotos e borboletas amarelas. Amarelas e irisadas, grandes e pequenas. Como tudo fica longe, sinuosamente evocativo”. A verdade é que, entre a beleza da serra e a quietude da então povoação, vila e depois cidade de Paulista, viveu o poeta Belarmino de França, sempre alegre e de bem com a vida, improvisando versos e repentes que representava os gritos da sua alma, a memória do seu povo, o ardente amor à natureza, o cotidiano da vida sertaneja, tudo inspirado, cantado e decantado em versos e prosas, legado que ficará para sempre na memória dos amantes da poesia popular nordestina. Belarmino Fernandes de França, assim como Leandro Gomes de Barros, são filhos que orgulham as cidades de Pombal e Paulista, terras dos grandes poetas.

Entre a beleza da serra e a quietude da vila de Paulista, viveu ali o poeta, sempre alegre e bem, improvisando versos, que representam os gritos da sua alma em contato com a própria natureza.



QUANTO É GRANDE O PODER DA NATUREZA

Deus eterno divino e poderoso

Fez o céu, as estrelas, terra e mar

Fez o sol para tudo iluminar

Com seu brilho perene e majestoso

No espaço infinito grandioso

Aos corpos celestes deu clareza

Fez o homem composto de fraqueza

sujeito a morte, a culpa e ao engano’

Tanto é baixo o valor do ser humano

Quanto é grande o poder da natureza..



II



Jeová com sua própria mão

Juntou o limo da terra e amassou

Ë depois sobre ele bafejou

Deu-lhe vida, sentido e perfeição

E dizendo: levanta-te Adão

Este ali levantou-se com presteza

O qual vindo de Deus tanta grandeza

Foi prostrasse aos seus pés humildemente

Eis um pouco de barro feito gente

Pela mão do amor da natureza.



III



Ora, o homem trabalha e luta tanto,

Para fazer uma causa diminuta

Porém, nada fará só com a luta

Se não vir-lhe o precioso de alguém

Mas Deus Pai, com seu vasto poder santo

Como fonte Infinita de grandeza

Prá encher o Universo de beleza

Não precisa de nenhum material

Basta ali o seu mistério divinal

Prá provar quanto é grande a natureza..



IV


E se o homem fabricou o avião

Fez o barco com arte e aparato

O automóvel o rádio e o jato

Os raros X e a tal televisão,

Mas, não faz um caroço de feijão

Natural com a mesma realeza

Que plantado e chovendo com franqueza

Germina, enraíza, enfolha e cresce

Flora e novas sementes nos fornece

Quanto é grande o poder da natureza!



Impossível transcrever tudo. Aqui já se tem uma amostra do seu talento poético nunca inferior ao que o antecederam, através dos versos nos quais se denota até certo sentido filosófico.

Visitando em 1958, a cidade vizinha de Patos, depois de trinta e um anos que ali estivera, achando tudo transformado, Compôs o seguinte poema em sexti1has:

Patos, cidade imponente

Do sertão és a Princesa

Por teu majestoso porte



Revestido de beleza

Parece até que a teus pés

Vem curvar-se a natureza



A contempla-te a grandeza

Surge o sol no horizonte

E a lua branca e formosa

Nívea, casta, sem desconte

Com sua luz prateada;

Vem coroar tua fronte.



Te banhas na mesma fonte

Que emana da cordilheira

Onde rufava o pandeiro

Inácio da Catingueira

Com os acordes da lira

Do Romano do Teixeira..



A ti, cidade altaneira

Quis compor uma epopéia

Por teu gênio literário

Estilo clássico e idéia

És Atenas transportada

As terras da Filipéia.



De Salamina e Platéa

Regiões da Grécia antiga

Tu tens os mesmos costumes

Porém, tu és mais amiga

Aqui o burguês diverte-se

E o forasteiro se abriga.



Se a seca te castiga

Com seu calor causticante

Mas natural permite

Que tu sejas triunfante

E com os louros da vitória

Te tornes mais elegante.





Tu és cidade imponente

Desígnio de Jeová

Cada vez que penso em ti

Me parece ouvir de lã

Os ecos de Josué

E a música de Pirauã.



O teu nome sempre está

Gravado em minha lembrança

Porém de mim para ti

Existe grande mudança

Meus dias vão de regresso

Porém, teu progresso avança...



Eu inda quase criança

Te vi na adolescência

Hoje, está na juventude

Onde fazes permanência.

Enquanto eu transponho os agros

Caminhos da existência.



Deus assume a Providência

Te fez privilegiada

Pois, uns trinta anos antes

Tu eras um quase nada

E num lapso de tempo

Quanto ficaste elevada



A leste tu és banhada

Pelo saudoso Espinharas

Que abastece os teus filhos

Com águas límpidas e cidras

E vai unir-se ao Piranhas

Na terra dos Potiguares.



As tuas produções raras

Também merecem menção

Produzes bem a batata,

Milho, jerimu, arroz e feijão

Mandioca e algodão.



Certa feita, um seu vizinho estava sendo prejudicado por uma raposa- que além, de devorar, algumas melancias, passou a come-lhe as galinhas. Depois de várias tentativas para exterminar o animal ferino, sem vantagem alguma, resolveu armar um laço, o que lhe deu ótimo resultado: o bicho amanheceu pendurado, no momento em que chega Belarmino e é solicitado para fazer uma gloza, com o seguinte mote;



“Tiveste a sorte de Judas” .



-- Eras tu que vivias

Roubando na roça alheia

Com a barriguinha cheia

De melão e melancia...

Mas hoje chegou teu dia

É, para que não te iludas,

Sofreste as dores agudas

Em paga de tudo isto,

Mesmo sem venderes Cristo

Tiveste a sorte de Judas!”



Berlamino de França foi citado Por Zé Limeira mais de uma vez, em suas poesias, sempre com respeito pelo grande mestre da poesia da cidade de Leandro Gomes de Barros.

VERNECK ABRANTES

MANUEL DE ARRUDA CAMARA

Extrato do livro Velho Arraia das Piranhas, Pombal.
Com a expulsão dos invasores da imensa costa brasileira começou aqui na Paraíba o trabalho de penetração da terra interior. Já afirmamos em capítulos anteriores que somente depois da expulsão do bátavo invasor é que começamos a ter uma idéia positiva de quanto valiam os nossos esforços e a nossa capacidade para despertar na consciência, do povo o sentimento nativista.

Sabemos das dificuldades que encontrou o Rei de Portugal, sem poder enfrentar dois fortes concorrentes ao mesmo tempo: a Espanha e a Holanda. Preferiu, então, o Rei ceder aos flamengos as terras nordestinas já por eles conquistadas, mas tal gesto desgostou o povo brasileiro, que, nessa altura, queria prosseguir na luta pela nossa independência.

Pernambuco foi o centro dessas revoltas. Vitoriosos os pernambucanos e Paraibanos na expulsão dos holandeses, tornaram-se mais conscientes e certos de que já podiam governar-se por si próprios. A transmigração da família real para o Brasil e outros episódios mais da nossa história nacional, cuja narrativa refoge ao escopo do presente trabalho, concorreram para que se formasse um movimento só em prol das idéias libertárias.

Esse grito de revolta chegou até nós. Em Pombal, notava-se já a existência de um movimento revolucionário inspirado pelo próprio clero e ele repulsa ao regime monárquico.

É possível que a própria Revolução Francesa tenha influído no espírito de alguns filhos beneméritos que cursavam Universidades européias. Ali, eles puderam observar a queda do absolutismo dos governos, Entraram em contato com as maiores figuras do pensamento americano, cujas idéias de emancipação política se infiltraram na alma brasileira, penetrando inclusive no interior, onde não faltavam até mesmo elementos esperançosos por uma nova era para os destinos do Brasil.

Dentre esses filhos beneméritos que se destacaram na luta pela doutrinação democrática e de independência nacional apontamos a do sábio Manoel de Arruda Câmara, ilustre filho de Pombal, que, após ter concluído seus estudos na Europa, veio fixar residência no interior de Pernambuco, fundando em Itambé uma “Academia Literária”, na qual se pregavam os ideais republicanos e de liberdade. Logo mais, o “Areópago de Itambé”, como era chamada sua academia, se transformou em centro revolucionário, cujo programa era as idéias de liberdade.

Tudo indica que malogrado, no Brasil, o plano da Conjuração Mineira, a instituição que se denominou de “O Areópago de Itambé” tinha por finalidade o esboço de outra revolução em prol da nossa independência total.

Ainda não está, porém, bem esclarecido em nossa história o sentido dessa instituição acadêmica que era freqüentada pelo “mais selecionado elemento das duas terras limítrofes”.

“Surgira em fins do século XVIII o “Areópago de Itambé” (ao qual se atribuiu a conjuração de 1801, destinada a tornar Pernambuco independente sob a proteção de Bonaparte), a que se juntaram a “Academia do Cabo” (1802), a “Loja Restauração” (1809), a “Academia do Paraíso”, as lojas “Patriotismo”, “Pernambuco do Ocidente”, “Pernambuco do Oriente” e a “Oficina de Igaraçu”, não falando na “Universidade Secreta” de Vicente Ribeiro de Guimarães Peixoto. O nativista pernambucano, cujas raízes possantes cresceram desde a guerra dos “mascates”, subiu ali a tal ponto, “que muitos chegavam a excluir da mesa os produtos europeus, substituindo a farinha de trigo pela de mandioca e o vinho do Porto pela aguardente”

Realmente, o sábio Arruda Câmara, antes e depois da vinda de D. João VI para o Brasil (1808) correspondia-se com o marquês de Abrantes, presidente do conselho do governo de Portugal, na ausência do Rei.

Acentua um dos nossos historiadores que há um ponto curioso entre essas relações políticas de Arruda Câmara e aquele marquês, a ponto de este recomendar que Arruda Câmara ouvisse aqui no Brasil “em transes apertados” os Ministros Gomes de Araújo e Conde de Linhares.

Acontece que o Conde de Linhares foi denunciado a D. João, em carta anônima que se diziam da Maçonaria, de auxiliar a Revolução de 1817.

O marquês de Abrantes era conhecido partidário fervoroso de Napoleão. Por esses motivos, aquelas relações de amizade se tornaram suspeitas.

Todavia, o ânimo de Manoel de Arruda Câmara não arrefeceu, um só instante.

Seu ideal era, antes de tudo, a emancipação da humanidade sob qualquer regime.

A CARTA-TESTAMENTO - É de Arruda Câmara a carta que se segue, extraída de Koster, atestado de sua obra revolucionária, de sua ânsia pela liberdade e de suas idéias americanistas:

“João, a morte se me aproxima a passos largos. Por temer de ai chegar vivo, faço-te esta bem atribulado, pois conheço o meu estado.

Avisa ao Tinoco de ir morrer em sua casa, caso lá chegue vivo.

Estas linhas são escritas por cautela, para depois de minha morte saberes mais Tinoco, o que devem fazer quanto algumas que ficam. Não ignoras a demasiada ambição do meu mano Francisco, que tudo há de praticar para não ter efeito minha última vontade.

O nosso amigo João Fernandes Portugal nunca fique em esquecimento de você. A minha “Flora”, de capa encarnada, que Francisco tem em vista, chama a ti com tempo. A minha obra secreta manda com brevidade para a América Inglesa ao nosso amigo não por nela conter coisas importantes, que não convém ao feroz despotismo ter dela o menor conhecimento, e por ter então muito que perder os da tua família do ramo do general André Vidal de Negreiros, que padre Matias Vidal de Negreiros, e Marquês de Cascaes, hão despojado dos bens do dito general furtivamente.

Tem toda cautela na minha miscelânea, onde estão todos os apontamentos das importantíssimas minas. Se suceder algum dessas, ou vires perigo à tua existência, faz ciente alguém de tua família do ramo Negreiros, ao amigo da América Inglêsa para prevenir tudo, e nunca sujeitaram os meus papéis a ingratos, embora fiquem por tempos privados dos seus bens.

Também não devem esclarecer aqueles que os têm defraudado. Estou falando sobre os herdeiros roubados do ramo do general Negreiros. Os bens ficam à disposição dos meus testamenteiros, tu, Tinoco e João Fernandes Portugal. Conduzam com toda prudência a mocidade em seus ímpetos para que nenhuma providência a exceda.

Tenham todo o cuidado no adiantamento dos rapazes Francisco Muniz Tavares, Manoel Paulino de Gouveia, José Martiniano de Alencar e Francisco de Brito Guerra.

Como assim, acabem com o atraso da gente de cor, isto deve cessar para que logo que seja necessário se chamar aos lugares públicos haver homem para isto, porque jamais pode progredir o Brasil sem eles intervirem coletivamente em seus negócios, não se importa com essa acanalhada e absurda aristocracia cabunda, que há de sempre apresentar fúteis obstáculos. Com monarquia, ou sem ela, deve ela, a gente de côr, ter ingresso na prosperidade do Brasil.

A conhecida probidade de Caetano Pinto não deve ser constrangida. Tú és meu escolhido.

As fases por que tem de passar o Brasil mostrarão em que ficar o seu governo sobre representantes da nação. Sou dos agricultores que não colherão os frutos de meu trabalho, mas a semente está plantada com boas batatas.

A Barbara do Crato devem olhá-la como heroína.

Remete logo a minha circular aos amigos da América Inglesa e Espanhola, seja unidos com esses irmãos americano, porque tempo virá de sermos todos um; e quando não fôr assim sustém uns aos outros.

Como ainda não pôde o Brasil com grandes obras, fala no entretanto, a Caetano Pinto para mandar por via dos comandantes de ordenanças abrir essas estradas até cincoenta léguas a machado e foices com que muito lucrará o comércio e a agricultura

Não trate de abrir canais, porque sustentam os que há feito pela natureza, não vale a pena o serviço que com êles se despender.

Maurício situou mal o Recife, sem ter ancoradouro, e em cima de bancos de areia inextinguíveis.

Adeus. Itamaracá, 2 de outubro de 1810.: Se ainda vires Frei Caifundo, diz a êsse Frade que não levo queixas dele, pois tudo lhe perdôo”.

Arruda Câmara, como patriota, foi o pioneiro da liberdade, não sendo inferior a Vidal de Negreiros, como sentencia, com justiça, o erudito historiador Coriolano de Medeiros.

Sob outros aspectos voltaremos a falar, mais adiante, do patriota e do sábio Arruda Câmara, mas antes vamos transcrever aqui o que a seu respeito diz Xavier Pedrosa no seu livro “Letras Católicas em Pernambuco”:

“Manoel de Arruda Câmara, embora não tenha nascido em Pernambuco, aqui viveu, consagrado à nossa terra os seus labores científicos e os seus interêsses de patriota.

Professando no Convento dos Carmelitas de Goiana, cursou, depois, em Coimbra as aulas de Medicina e Filosofia, passeando antes de terminar os seus estudos, a Montpellier em cuja Escola logrou formar-se.

De reconhecida competência nas ciências naturais, desempenhou comissão de alto valor no Rio e em Pernambuco, onde faleceu em 1810, deixando um nome respeitado não só dos brasileiros, mas ainda dos próprios sábios europeus.

A NATURALIDADE DO SÁBIO ARRUDA CAMARA.

A propósito da debatida questão sobre a naturalidade Paraibana do sábio Manoel de Arruda Câmara, “o semeador da democracia no Brasil” nos fins do século XVIII e princípios do XIX, indiferente é que não posso ficar, como pombalense que sou, ante certas contendas travadas em torno do Dr. Manoel de Arruda Câmara, cujo nome transpôs as fronteiras de outros Estados, que procuram reivindicar para si essa grande glória a que, por todos os títulos, nos deve pertencer.

Arruda Câmara é, realmente, pombalense e disto não temos dúvida alguma, porque os documentos que possuímos são exuberantemente claros e concludentes, de modo que nos induzem a acreditar que ele nasceu em Pombal.

Não é certo, todavia, que o Dr. Arruda Câmara nasceu, em 1752, segundo afirmam os nossos historiadores.

E, para provar o contrário, ainda existem os documentos velhos e estragados do Cartório e Paróquia de Pombal, em que se vê permanentemente a atuação de seu pai, o capitão-mor Francisco de Arruda Câmara, á frente dos negócios públicos e particulares da Vila e têrmo de Pombal, no século XVIII.

Encontrei no Cartório do 1º Ofício desta comarca o registro de testamento do padre Antônio Saraiva da Silva, segundo o qual se evidencia que, ainda em 1754, Maria Saraiva da Silva de Arruda Câmara, sobrinha e afilhada deste e mãe do Dr. Manoel de Arruda Câmara, era ainda solteira e descendia de ilustre e tradicional família portuguêsa. O padre Antônio Saraiva fez o re­ferido testamento em 19 de maio de 1754, declarando: “ser natural do lugar Bairão, Comarca de Maia e Bispado do Porto e ser filho legítimo de Manoel Lourenço Seixas, já defunto e de Faustina de Araújo. asse padre missionário, como se sabe, esteve aqui nas missões dos gentios Pegas, em companhia de seu irmão, Inácio Saraiva, pai de Maria, Francisca e Teresa.

O referido padre deixou aqui várias fazendas e sítios, inclusive a metade da fazenda “São João do Apody”, conforme os termos do testamento e doada a Maria Saraiva.

Em face do presente testamento e várias outras doações interessantes deixadas pelo padre Antônio Saraiva, é fácil concluir, que, até o ano de 1754, Maria Saraiva da Silva era solteira e, por conseguinte, não podia existir, ainda, o Dr. Manoel de Arruda Câmara. Anos depois, porém, é que ela se casou com o capitão-mor Francisco de Arruda Câmara e desta união resultou naturalmente a ida deste, mais tarde, a Portugal para tratar de assuntos referentes às suas terras. resolvendo, de volta, enviar seus filhos para ali a fim de estudarem.

De fato, de Portugal voltaram depois formados seus dois filhos, Francisco e Manoel. O primeiro doutorou-se em Medicina e foi eleito deputado pela Paraíba as Cortes de Lisboa. Casou-se duas vezes e foi fixar residência na cidade de Goiana, em Pernambuco. O segundo nunca se casou, e recebeu da Cura Romana breve de secularização.

Nos livros do Cartório, desta cidade, encontramos algumas assinaturas do capitão-mor Francisco de Arruda Câmara, em documentos em que servia como procurador, em 1760. E ao que nos parece, depois de casado tornou-se mais evidente e relevante a sua atuação na então Vila de Pombal. É assim que o vimos funcionando, aqui, em um inventário, como juiz de órfãos e Ordinários, desde o ano de 1774 até o ano de 1778, quando terminou, então o processo com sua sentença final, conforme transcrição que fazemos mais adiante.

Já nos arquivos da paróquia aparece, em 1790, o pai do sábio naturalista Paraibano, requerendo aforamento de terras, além de ser, já nessa época, morador e proprietário em Pombal. Não resta dúvida, agora, de que, casando-se com Maria Saraiva, herdou, também, a fazenda “São João do Apody”, deste termo e pertencente a esta por testamento deixado por seu tio, o padre Antônio Saraiva da Silva, segundo consta do registro do testamento em Cartório.

Não podemos, entretanto, com segurança, afirmar, aqui, em que sitio ou data nasceu o Dr. Manoel de Arruda Câmara. Não temos, porém, a menor dúvida de que nasceu em Pombal. Atestam-no os fatos e documentos. Infelizmente, apuramos aqui que um incêndio, lavrado nos arquivos da nova matriz de Pombal, em 1939, devorou vários livros, inclusive os livros de fins de 1752 até 1800, quando neles provavelmente se encontrariam o batismo de Manoel de Arruda Câmara.

Igual sorte, teve o nosso Cartório, cujos livros de testamentos estão rotos e estragados, outros perdidos e comidos pelas traças. Faltanos até mesmo o primeiro livro, da data da fundação do Velho Arraial de Nossa Senhora do bom sucesso do Piancó, quando aqui penetrou, pela primeira vez, a expedição de Teodósio de Oliveira Lêdo para o povoamento deste marco histórico, que é Pombal

OS DOCUMENTOS - Vejamos, agora, como há uma verdadeira seqüência em todos os fatos a respeito da história e vida desse célebre naturalista Paraibano.

Encontrei, no Cartório, uma escritura de venda que fazia D. Clara Mendonça de Vasconcelos, viúva de Francisco de Arruda Câmara, de uma data, “Olha D’água”, em Piancó, a seu filho, o capitão-mor Francisco de Arruda Câmara. Já morava, portanto, em Pombal, o avô do Dr. Manoel de Arruda Câmara, quando foi registrada aquela escritura, em 1784. Vemos, por outro lado, requerendo sesmaria, em 5 de novembro de 1735, o velho Francisco de Arruda Câmara, morador nesta Capitania. sendo senhor e possuidor de uma sorte de terras, para evitar contendas com algum ambicioso que a peça, embora só com o benefício para servir de logradouro para o tempo do verde, e é chamado o dito riacho, na barra que faz no riacho do Padre, etc. etc., e porque precisam. (Registrada a sesmaria sob n. 242, em 10 de março de 1735).

Em 1774, o capitão-mor Francisco de Arruda Câmara compra o sítio Patos, nas Espinharas. Mas a doação do patrimônio da capela foi feita por Dias Antunes e sua família

Nesse mesmo ano, fez-se uma composição amigável entre Francisco de Arruda Câmara e sua mulher, D. Maria Saraiva, com o sargento-mor José Carmo da Cunha.

D. Clara Mendonça de Vasconcelos, mãe do capitão-mor Francisco de Arruda Câmara, e de Silvestre e João, manda registrar sua fazenda “Olho D’água”, dos Boqueirões de Piranhas e Piancó, em 1774. Quatro anos depois, Francisco de Arruda Câmara adquire essa fazenda, por compra, a Felipe Leite Ferreira.

Em 1775, Francisco de Arruda Câmara compra o sitio Genipapo ao capitão Antônio Duarte Machado, neste Município.

Ainda no mesmo ano, foi passada uma escritura de obrigação entre Ana Teodósia dos Santos e Francisco Gomes de Brito, na residência do capitão-mor.

Em 1776, comprou Arruda Câmara o sitio “Lagoa do Junco”, no Rio do Peixe, e o sítio “Aba” , neste Município, ao sr. Pedro Soares da Silva.

No inventário que se processou aqui, em 1826, em favor de Paulo de Arruda Câmara, incluía-se entre os bens arrolados a propriedade “Boqueirão”, recebida em pagamento de uma dívida dos herdeiros do Dr. Manoel de Arruda Câmara.

Um parente deste, o dr. José Cavalcante de Arruda Câmara, exerceu aqui, em 1892, o cargo de Juiz da Comarca de Pombal.

Recordamos ainda que foi na fazenda “Várzea da Tapuia”, do capitão-mor Francisco de Arruda Câmara, onde se reuniu a comissão para solucionar a questão dos limites das terras incluídas no patrimônio da igreja matriz de Pombal. E no próprio testamento do padre Antônio Saraiva se percebem claramente os termos constantes da doação daquela fazenda para sua sobrinha Maria Saraiva: “consta da escritura que se acharem nos meus papéis e assim mais na ribeira do Patu, no riacho chamado dos Porcos, do sitio S. Francisco, no lugar chamado “Várzea da Tapuia”, com 700 cabeças de gado vacum, ou o que achar, 8 cavalos de fábrica e 30 éguas, ou o que se acharem, 3 escravos, a saber: Ignácio da Guiné, Pedro e Maria, também da Guiné, e assim mais ações, freios e ferramentas do uso da fazenda...”.

E concluindo a seqüência de todos esses fatos, segundo os quais não se pôde mais duvidar da naturalidade pombalense de Arruda Câmara, vamos transcrever aqui na íntegra, um traslado de procuração firmao pelo próprio Manoel de Arruda Câmara:

“ Traslado da procuração de Manoel de Arruda Câmara - doutor em Medicina pela presente procuração faço e constituo meu bastante procurador ao sr. capitão-mor Miguel Gomes Aranha e ao sr. Alferes Ignácio de Farias para que como se eu presente fosse possa aceitar a fatura de uma Escritura pública de venda de um sítio de terras de criar gado denominado São João em todas as suas pretensões e datas e logradouros aguadas do mesmo modo que foi sempre possuído pelo defunto meu avó o coronel Ignacio Saraiva na Ribeira das Varges do Apody cujo sitio o houve por arrematação pela Real Fazenda e o tenho vendido ao sr. Reverendo João Francisco Fernandes por preço e quantia de três mil cruzados e cem mil reis cujo valor recebi logo em dinheiro de contado e ao mesmo Reverendo comprador transpassou todo o poder e domínio o que nele tinha obrigando-me em todo o tempo fazer valiosa dita para cujo fim concedo todos os meus poderes que em direito lhes são concedidos aos meus sobreditos procuradores para que possam em meu nome assistir e assinar a dita escritura e para ser constante passei o presente do meu próprio punho. Santo Antônio, 02 de Outubro de 1805. Manoel de Arruda Câmara, Manoel Lopes Bandeira”.

* Wilson Seixas Nóbrega, grande conhecedor da história da ocupação dos sertões nordestino. Nascido em Pombal era filho de Newton Pordeus Seixas Rodrigues e Natalia Nóbrega Seixas. Dr. Wilson publicou, entre outros, o seguintes livros: O Municipalismo e Seus Problemas(1959); Os Pordeus no Rio do Peixe(1972); Odontologia na Paraíba(1974); Viagem Através da Província da Paraíba(1985); mas, tinha uma predileção toda especial pelo Velho Arraial de Piranhas, Pombal(1962), livro revisado por Jerdivan Nóbrega , Verneck Abrantes e Evandro Nóbrega

CURSO NACIONAL DE QUALIFICAÇÃO DE GESTORES DO SUS


OBS - O PANFLETO DIZ QUE SERÁ NA ESTAÇÃO CABO BRANCO, MAS NA REALIDADE O LOCAL É O TEATRO SANTA ROSA, dias 29 e 30 de Outubro de 2009. Eis os nomes das pessoas que falam sobre o evento: Coordenador Estadual do Evento : Murilo Wanzeler - 9941-8216 .Coordenador pedagógico - Volmir - 8872-6945. Abraço carinhoso e muito obrigada pela atenção! Edileide Vilaça - 8862.2425

HOMICÍDIO EM POMBAL

Na tarde de ontem (25), por volta das 16h10min em uma bebedeira no conjunto Francisco Paulino em Pombal-PB, NO BAR DE GERALDO uma pessoa identificada por “DUDA” por motivo ainda desconhecidos entrou em discussão com o gari José Abraão dos Santos, de 25 anos, e de posse de uma faca peixeira desferiu varias perfurações no tórax e membros da vitima, sendo a mesma socorrida para o Hospital Distrital de Pombal e em seguida transferida para acidade de Sousa-PB, mas horas depois devido a gravidade dos ferimentos veio a óbito. Na confusão, o acusado antes de fugir lesionou também o vendedor ambulante Francisco de Assis da Silva, de 38 anos e o servente de pedreiro Isaias dos Santos Sousa, de 21 anos e em seguida tomou destino ignorado enquanto que as vítimas foram socorridas para o Hospital local onde foram medicadas e passam bem.Uma guarnição de R/P esteve no local e após apurações do fato deu inicio as diligencias que continuam em andamento, mas até o momento sem êxito.

Saiba como limpar o Windows para deixar o PC mais rápido

Uma questão incomoda vários usuários do Windows: por que o computador vai ficando mais lento com o passar do tempo? De acordo com um estudo da Iolo Technologies divulgado em junho de 2009, isso não é só impressão do usuário. De fato, a utilização constante vai acumulando rastros no sistema, que são carregados pelo processador e o ocupam desnecessariamente.

Esse entulho é deixado por softwares que foram instalados ou utilizados um dia, mas que agora não mais são necessários. O problema é que o sistema operacional não sabe e continua solicitando o carregamento disso tudo. Segundo a avaliação, um PC com dois anos de uso constante traz 7,5% do processador sendo usado com o "lixo". Isso tudo geraria, afirma a empresa, uma perda de 71% da capacidade do sistema.

Uma segunda medição realizada no mesmo mês também pela Iolo afirma que a inicialização do Windows 7, lançado na última quinta-feira (22), seria mais lenta do que a do Vista. Apesar das dúvidas sobre a imparcialidade dessa pesquisa em particular (além do "boot" não ser determinante no desempenho geral, a empresa vende um software de otimização do sistema), é fato que o acúmulo do "lixo" deixado por programas não mais utilizados prejudica e deixa tudo mais devagar.

Durante o mesmo período, os erros de registros deixados no Windows podem ainda se acumular, ocasionando travamentos (quando o computador passa a deixar de responder). Então, algumas medidas podem e devem ser tomadas pelos próprios usuários para manter o sistema operacional "limpo". Vamos a elas:

Desinstale programas inúteis

Muitos programas oferecem um atalho para desinstalação, mas nem sempre é possível contar com isso. Para retirar qualquer um, passe pelo menu Iniciar / Configurações / Painel de Controle ou simplesmente acesse o ícone Meu computador na área de trabalho e clique no segundo item da aba "Tarefas do sistema", localizada à esquerda.

Desfragmente o seu disco rígido

Quando o computador salva arquivos e instala programas, ele grava diretamente no HD. Mas o processo repetido muitas vezes pode espalhar as gravações no disco rígido, o que necessita de mais tempo para que o sistema os procure antes de acessá-los. Desfragmentar o HD irá solucionar isso, deixando tudo mais próximo e exigindo menos do processamento para acessar arquivos.

Faça a limpeza dos registros do sistema

Baixe e instale no PC o software MV Reg Clean. É um programa elaborado pelo brasileiro Marcos Velasco que realiza a função de eliminar o lixo deixado pelos programas inúteis. Apesar das propagandas e de abrir um site a cada vez que é inicializado, é uma ferramenta inofensiva e que realmente ajuda a completar a limpeza do computador.

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UBUNTU 9.10 PARA DOWNLOAD

Mais estável e com bugs corrigidos, a versão Release Candidate do Ubuntu 9.10 foi disponibilizada hoje para todos aqueles que já estão usando o Beta ou os que não conseguem mais esperar os 6 dias que faltam para a versão oficial ser lançada.
A versão RC não tem muita diferença com relação ao que foi visto no Beta, mas os desenvolvedores acertaram algumas arestas. O download é gratuito, obviamente.
CLICK AQUI E FAÇA O DOWNLOAD

ESTUDANTES DESENVOLVEM GOOGLE EARTH EM TEMPO REAL

Projeto permitiria ver jogos de futebol, carros trafegando nas cidades e rodovias, pessoas andando nas ruas
Você acha o Google Earth algo fantástico? Então preste atenção nessa novidade. Universitários do Georgia Institute of Technology, nos Estados Unidos, estão inventando uma maneira das pessoas verem conteúdo ao vivo na plataforma. Parece ficção científica, mas é a mais pura realidade.

Com o sistema, vai ser possível ver jogos de futebol, carros trafegando nas cidades e rodovias, pessoas andando nas ruas, além de gerar oportunidades para as empresas divulgarem seus produtos. Tudo funciona com uma combinação de realidade aumentada e câmeras de vídeo reais. Dessa forma, o usuário poderá clicar nas regiões que quiser, e assistir ao vídeo, ao vivo, sem custo algum. Quanto mais câmeras públicas e de segurança estiverem disponíveis, mais áreas serão cobertas.

Mas não vá se animando demais, tudo isso ainda é projeto. Para virar realidade, precisa cair nas graças do Google e dos poderes municipais, estaduais e federais do mundo todo. Afinal, alguém precisa pagar essa conta, né? Enquanto isso, a gente aguarda, ansiosamente, o desfecho dessa história!

OFFICE 2007 E ATUALIZADO COM AS REGRAS DO NOVO ACORDO ORTOGRAFICO

A Microsoft disponibilizou nesta quarta-feira, 14/10, o download de um pacote de atualização do Word que verifica a gramática dos textos seguindo as regras do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Os usuários podem baixar a aplicação gratuitamente no Centro de Downloads da Microsoft. O pacote contém a versão atualizada do Verificador Ortográfico, Dicionário de Sinônimos e Verificador Gramatical para o Office 2007.
Para realizar o download e obter informações com detalhes sobre a atualização, os internautas devem entrar no site: CLICK E ENTRE NO SITE DA MICROSOFT

Concursos com inscrições abertas somam 22,9 mil vagas; Salários chegam a R$ 21 mil

Pelo menos 28 concursos públicos em todo o país estão com inscrições abertas nesta segunda-feira (26) e totalizam 22.954 vagas para todos os níveis de escolaridade.

Além das vagas abertas, há concursos para formação de cadastro de reserva, ou seja, os aprovados são chamados conforme a abertura de vagas durante a validade do concurso.

Um dos destaques é a reabertura, nesta segunda (26), das inscrições para 4.249 vagas da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). As oportunidades são de nível técnico e superior em várias áreas de graduação. Os salários variam de R$ 751,44 a R$ 4.391,39.

O concurso havia sido suspenso temporariamente em setembro, atendendo uma determinação do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). O TCE-MG havia solicitado ajustes no edital, que já foram feitos.

Outro concurso que tem as inscrições abertas nesta segunda é o da Policia Militar do Estado de São Paulo. São 2.682 vagas para serviço voluntário. As vagas são para a capital, Grande São Paulo e interior. A remuneração é de dois salários mínimos.

Entre os concursos abertos, o que oferece maior salário é o do Ministério Público do Trabalho: R$ 21 mil.

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